Arquivo para sertanejo universitário

O Universitário e o Preconceito

Posted in Momento Sr. Saraiva, Olhares with tags , on 04/04/2011 by Kilminster

Essa coisa começou de um jeito estranho. Na verdade, era tudo forró mesmo, mas como estas festas de forró aconteciam em universidades, os membros de seus respectivos centros acadêmicos começaram a divulga-los como “Forró Universitário”.

Um Forró Universitário nada mais era do que um trio de forró tocando os clássicos do baião, xote e xaxado dentro da universidade, para os universitários que tentavam arrecadar uns trocos para as festas de formatura.

Uma vez que o público desta festa era o de universitários e seus convidados, significava que o playboy e a patricinha podiam frequentar sem serem obrigados a conviver com os migrantes nordestinos pobres que normalmente lotavam as casas de forró.

Com o crescimento deste fenômeno, produtores enxergaram o nicho e começaram a aparecer shows, festivais e festas com bandas de forte apelo pop, acrescentando apenas um triangulozinho e uma zabumba e disseram que este era o “Forró Universitário”, ainda que não tivesse nada a ver com as universidades.

O que isso queria dizer é que os endinheirados poderiam se esbaldar no forró sem terem que conviver com a “ralé”.

Aí, alguns anos depois, surge o Sertanejo Universitário. Este bem pior, porque sequer teve origem nas universidades, já entrou na onda com o selo Anti-Pobre, só para ser a nova moda.

Um bando de cantorezinhos e duplas meia boca, impossíveis de serem diferenciadas umas das outras lotando shows com gente de camisa xadrez e chapéu, da comitiva isso, comitiva aquilo, sendo que a maioria ali sequer viu um cavalo de perto na vida. E nada de caipiras por ali.

O Sertanejo Universitário mora na cidade, fala “nóis vem, nóis vai” só para fazer graça, não se identifica com o caipira pé no barro e enxada na mão, usa roupinha de grife e ouve Tião Carreiro só para dar uma de “raiz”.

Fico pensando qual será o próximo ritmo “Universitário”. Será um pagode só para brancos?