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“La Nuestra”

Posted in Esportes with tags , on 11/08/2010 by Kilminster

“La Nuestra” ou “A Nossa” é como define brilhantemente o jornalista argentino Horácio Pagani sobre a maneira que ele gostaria de ver jogando o selecionado dos hermanos. E é o mesmo sentimento que temos nós brasileiros quando vemos a Seleção jogar. Mais do que com métodos modernos, táticas revolucionárias e conceitos que são tendência no futebol moderno, queremos ver o Brasil jogar à nossa maneira, à brasileira.

E foi exatamente isso que conseguiu a Seleção na estréia de Mano Menezes. Sem frescuras nem explicações complicadas, muito menos respostas atravessadas, a seleção foi escalada com o que tinha de melhor à disposição e com um esquema de jogo que privilegia a maneira Brasileira de jogar.

Futebol leve, de toques rápidos, posse de bola e dribles aplicados na hora certa e em direção ao gol. A seleção dos Estados Unidos não conseguiu atacar o Brasil, mesmo depois de sofrer 2×0 simplesmente porque não tinha a bola. Os brasileiros permaneceram a maior parte do tempo no ataque passando a bola de pé em pé esperando o momento certo para uma investida mais aguda.

Era isso que se esperava minimamente da equipe brasileira na Copa do Mundo, o que não é nem de longe garantia de vitória, mas por outro lado é o modo com que os brasileiros historicamente sempre jogaram.

Se no jogo contra a Holanda o Brasil tivesse ficado com a bola o tempo todo, em vez de ceder a posse da mesma aos adversários, possivelmente não teria sofrido os gols do segundo tempo além de ter obrigado a seleção holandesa a correr o tempo todo atrás da bola, gerando assim espaços no campo de ataque para ampliar a vantagem.

Porém, Dunga preferiu jogadores comprometidos a jogadores bons de bola… Fez o Brasil jogar como se fosse a Alemanha… O único porém, é que o Brasil não consegue jogar à alemã, o Brasil tem que jogar à brasileira, é isso que queremos ver.

O estilo brasileiro é único e inimitável e foi o que conquistou a admiração de todo o mundo e nos fez famosos. Não tem porque abrir mão disso para copiar o modo de jogo de seleções que precisam de grandes esforços táticos para superarem limitações técnicas.

Enfim, novo momento, nova era… Ganhando ou perdendo, jogando a la nuestra!!!

Sobre o Dunga e tal…

Posted in Esportes, Olhares with tags , , , on 01/07/2010 by Kilminster

Eu estava com muito pé atrás para torcer pela Seleção Brasileira nesta Copa. Não por nada, mas por não querer ver consagrado um técnico como o Dunga.

Dunga possui resultados incontestáveis à frente da equipe do Brasil, mas conseguiu isto fazendo com que o time brasileiro jogasse como se fosse a Alemanha. Muita força, aplicação tática, marcação e velocidade, mas sem ginga, sem criatividade nem aquela alegria tão característica do futebol brasileiro.

Ele gosta muito de dizer que o futebol se mede por resultados e que espetáculo não ganha jogo, no que ele tem razão, mas por outro lado, algumas seleções que encantaram o mundo, como a Hungria de 1954, a Holanda de 1974 e o Brasil de 1982 são lembradas até hoje pelo futebol que jogavam, ainda que isto não tenha se traduzido em títulos.

É aí que reside o “X” da questão. O valor que os times de Puskas, Cruyff e Falcão possuem, extrapola a necessidade de números para lhes dar legitimidade. O grande valor destas equipes é intangível. Não pode ser medido em qualquer unidade de medida. Estes times são reconhecidos por aquilo que eram, não pelo que conquistaram.

Aí, voltando à questão inicial, reparei que a Seleção Brasileira tem um retrospecto interessante no que se refere a consagrar técnicos medíocres. Foi assim com Zagallo em 1970 e Parreira em 1994. No time de 1970, se tivessem levado um bonecão de posto como técnico, o time teria sido campeão do mesmo jeito. Em 1994, a incompetência alheia se encarregou de facilitar a vida do Pé-de-Uva, (sem falar no estranhíssimo episódio do doping do Maradona).

Sendo assim, Dunga conta com este retrospecto a seu favor e pode muito bem se sagrar campeão. Então que seja!