Arquivo para rock

Black Keys, Alabama Shakes, o Clássico e o Indie

Posted in Sons, Viagens with tags , , , , on 16/05/2013 by Kilminster

Demorei para botar isso no papel, mas essa idéia já vem martelando na minha cabeça há algum tempo.

Sempre me aborreceu na tal verve indie que domina o ambiente rock atual, o fato de que precisa ser novo para ser bom e tem que ser diferente, mesmo que não seja legal. Uma neofilia inexplicável, como se arte, tal qual conhecimento, não pudesse ser cumulativa.

Mas eis que vou ao Lollapalooza 2013, em São Paulo e me deparo com toda aquela galera dita indie vibrando com o Alabama Shakes e idolatrando o Black Keys.

As duas são bandas bem legais, surgidas de 2000 pra cá e ultimamente vem conseguindo destaque de público e crítica.

A grande questão é: o Black Keys faz um som bastante calcado no blues e blues rock, tendo momentos de muita semelhança com o Cream e outras bandas, principalmente inglesas do fim dos anos 1960 e começo dos 1970.

O Alabama Shakes se situa muito bem colocado em um ponto entre o southern rock e o soul. Ouve-se influências de Creedence Clearwater Revival, Lynyrd Skynyrd, Allman Brothers, Otis Reding, Janis Joplin, Aretha Franklin…

Até aí tudo bem, mas qual o sentido de uma galera toda que acha tudo “velharia”, gostar tanto de bandas com som tão calcado nessas mesmas velharias?

Quando se trata de arte, coisas não podem ser simplesmente substituídas. O que tem valor permanece, o novo acrescenta e uma coisa é ponto de partida para outra. O resto é pura limitação.

Como gritavam Chuck D e Flavor Flav, “Don’t believe the hype”.

Rock Para Quem Não Gosta de Rock

Posted in Sons with tags , , , , on 17/05/2012 by Kilminster

Sabe que essa coisa de rock and roll transcende bastante o campo da música, né?

Todo mundo que realmente gosta de rock and roll não se limita a apenas ouvir suas músicas favoritas do estilo.

Um rocker de verdade, mesmo que não seja um rebelde extremado, tem um tipo de comportamento bastante peculiar. Começa por certo desapego às regras, a não suscetibilidade aos vais-e-vens da moda e daí por diante.

Mas também há uma série de pessoas que não se enquadram no perfil, mas gostam de uma musiquinha aqui, outra ali… Estas não podem ser consideradas roqueiras e portanto acabam gostando de bandas de rock pero no mucho.

Interessante reparar nisso… Temos várias bandas que fazem música pop inspiradas no rock e daí chegamos ao centro do assunto em pauta: rock pra quem não gosta de rock.

Quem gosta de rock de verdade, gosta de Chuck Berry, Led Zeppelin, Beatles, Neil Young, Rolling Stones, Motörhead, AC/DC, Ramones, Foo Fighters, Dead Weather, The Clash, QOTSA e um monte de outras…

Quem não gosta de rock gosta de:

Coldplay: Tem uma guitarrinha aqui, outra ali… Mas essa banda é baseada em arranjos domesticados e melancolia na voz anasalada e chinfrim do Chris Martin. Pode tocar no aniversário da sua avó sem susto.

Maroon 5: Olhando é uma banda de rock, guitarra, baixo, bateria… Mas o som é pop total. Tem pitadas de rock, mas poucas. Na essência é pra dançar…

Killers: Faz um som que oscila entre o New Wave e o eletrônico, com pitadas de Duran Duran e uma distorçãozinha de vez em quando pra dar aquela turbinada. Mas rock, rock mesmo não é.

U2 pós Achtung Baby: Mrs. Kilminster diz que o U2 é a banda de rock favorita de quem não gosta de rock. A verdade é que o U2 virou uma coisa tão cult, muito por conta do ativismo do Bono Vox e das superproduções de palco e videoclipes, que a música fica em segundo plano. Quem vai ao show do U2, vai ao da Madonna com o mesmo espírito… E chora emocionado com One e canta Sunday Bloody Sunday sorrindo como se cantasse Like a Virgin.

O Tempo do Rock

Posted in Sons with tags , , , on 18/01/2011 by Kilminster

Qual é o tempo do rock? O que define o que é novo, o que é velho, o que é moderno, o que é antigo?

O rock, meu amigo, é atemporal. No rock, qualidade soma, não substitui. Uma nova banda boa entra para o clube dos clássicos quando sobrevive ao teste do tempo, não toma o lugar dos que lá estão.

No rock não existe novo, velho, moderno ou antigo. No rock só existe bom e ruim.

Um pequeno exemplo é o altamente recomendável filme “It Might Get Loud” estrelado por Jimmy Page, do Led Zeppelin, The Edge, do U2 e Jack White, do White Stripes. No filme, os três falam de suas experiências com a guitarra, o que os fez entrar na música e o que buscam com ela.

Duas coisas chamam muito a atenção no filme, a primeira é como Page se sobrepõe naturalmente aos outros. Preste atenção na cara dos outros dois enquanto ele toca o riff de Whole Lotta Love.

A outra, é Jack White dizendo que não importa o que ele faça com a música, na verdade ele está buscando o som de um velho disco de blues em que o músico canta acompanhando-se apenas por palmas.

Ou seja, a grandiosidade de Page nos anos 60/70 ainda faz sombra sobre o rock atual, e White, um dos líderes mais inquietos da nova geração do rock, está na verdade tentando chegar na essência do blues mais primário.

O que isso na verdade quer dizer? Que não há na verdade a menor necessidade de uma busca alucinada pelo novo no rock. O novo vem sozinho. E o rock não precisa ser salvo, ele vai muito bem, obrigado. Resiste há anos às mais diversas modinhas. Ele se reinventa e se recicla o tempo todo.

Salvadores do rock, picaretas e revisionistas aparecem aos montes e ficam pelo caminho. No final das contas o que permanece é o que realmente tem valor.

O tempo do rock é agora, desde 1955, e não tem previsão de passar

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Modernos? Antigos? Não, apenas bons…