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Ah, Mas Que Sujeito Chato Sou Eu…

Posted in Olhares, Viagens with tags , , , , , on 30/08/2013 by Kilminster

Daí eu olho a programação dos canais de filmes da TV a Cabo e chego à triste conclusão de que nada de interessante está passando. Nem hoje, nem amanhã e nem no outro dia. Ainda bem que não pago esses!

Depois ouço pessoas comentando o quanto é engraçado o novo programa humorístico daquela emissora… Parece um tanto com aquele já clássico, mas é muito engraçado, dizem. Eu vou assistir e sequer um sorriso consigo.

Em uma festa, tocam aquelas velhas músicas de sempre, do mesmo jeito, na mesma sequência. E vem um cidadão especialmente contratado para animar a festa e tudo que ele consegue é me aborrecer.

O Lúcio Ribeiro anuncia a banda do ano e eu vou ouvir e é o mesmo nhén-nhén-nhén de sempre.

No Buffet infantil, uma música insuportavelmente alta pontua toda a festa. Cada passo é cronometrado. As coisas acontecem em um encadeamento planejado e seguido com rigor. O parabéns, então, é um ritual interminável. Haja enfado.

Ah, mas que sujeito chato sou eu que não acha nada engaçado macaco, praia, carro, jornal, tobogã… eu acho tudo isso um saco…” –  Raul Seixas

Música Para Ouvir

Posted in Sons with tags , on 18/06/2012 by Kilminster

É um sintoma da atual modernidade. Ninguém pára para ouvir música. Música virou trilha sonora para alguma outra coisa.

Ouvimos música quando estamos dirigindo, no ônibus, enquanto lavamos louça, varremos a casa, conversamos com amigos. A música na verdade fica ali no fundo, como se servisse apenas para preencher os silêncios.

Para mim tem que ser mais que isso. Não há nada como parar para ouvir música. Se acomodar em um sofazão confortável, apagar a luz e colocar algumas faixas para rodarem.

Ouvir com atenção, reparando nos detalhes, tentando entender a letra, experimentando as sensações que cada passagem instrumental provoca. Só assim se compreende integralmente o que foi feito pelo artista, quais eram as intenções dele com aquela música e, de fato, o quanto ela significa pra você.

Música é para ouvir se deixar levar. Se você vai ficar contemplativo, se vai ter vontade de levantar e dançar, de pegar a estrada, pilotar uma moto ou resgatar uma memória perdida, é música que vai dizer.

A atenção mostra bem melhor o que é descartável e o que vai ficar. O que se tornará clássico e o que cheirará a mofo no próximo verão.

Mas isso não funciona se a música for só trilha sonora. Música é para ouvir.

A propósito, completa 70 anos hoje Sir. Paul McCartney, autor de diversas pequenas pérolas que merecem toda a nossa atenção.

 

Em gênero, número e grau…

Posted in Olhares, Sons with tags , , , , on 01/04/2010 by Kilminster

Por Régis Tadeu

 O Pink Floyd está certo!

 

Embora tenha sido bastante anunciada nos meios de comunicação dentro da internet – e estou incluindo os blogs nisso -, pouca gente deu importância à vitória que os integrantes do finado Pink Floyd conseguiram há duas semanas na Alta Corte de Londres contra a sua própria gravadora, a EMI, com quem a banda tem contrato desde 1967, quando lançou o mítico álbum The Piper at the Gates of Dawn.

Em um julgamento por conta de uma disputa sobre direitos autorais e venda de música na internet, o juiz Andrew Morritt acatou a argumentação dos advogados do grupo de que a EMI não pode mais “esquartejar” (este termo é meu!) os álbuns dos caras e vender cada uma das faixas isoladamente a quem esteja interessado em adquirir apenas determinadas canções.

Com a decisão da corte, a gravadora é obrigada a respeitar o contrato assinado com a banda, que contém uma cláusula que determina que os discos em configuração original, visando preservar a integridade artística dos mesmos. Ainda na mesma ação, o juiz também deu ganho de causa ao grupo na questão de direitos autorais pagos aos integrantes pela EMI, que alegavam que a gravadora “errava nos cálculos desses pagamentos”, um eufemismo para “somos roubados há décadas e agora chega”.

Sim, eles venceram…

Confesso que fiquei abismado com a justificativa da gravadora, que dizia ter o direito de fazer isso porque o contrato só valia para os discos “físicos”, em um exercício inacreditável de cinismo e cara-de-pau. Isso dá mais um exemplo de como as gravadoras – em especial a EMI – ainda não entenderam o que está acontecendo no mundo.

E saiba que os caras do Pink Floyd não estão sozinhos. Paul McCartney, Ringo Starr e as viúvas de John Lennon e George Harrison também ameaçaram processar a EMI caso a gravadora venha a vender on-line e individualmente as canções do Beatles. A mesma coisa fez o pessoal do AC/DC.

Você ainda tem dúvidas de que foi essa postura da EMI – fazer o que bem entender sem o consentimento de seus contratados – que levou os Rolling Stones, o Paul McCartney e o Radiohead a darem uma “banana” para a gravadora inglesa? Não por acaso, a EMI entrou em um aparentemente infinito “inferno astral” desde que foi comprada pela Terra Firma. Os burocratas e novos donos chegaram mesmo a anunciar que o estúdio Abbey Road seria demolido! A gritaria contra foi tamanha que os caras tiveram que voltar atrás, com o rabo entre as pernas…

Mas o que chamou mesmo a minha atenção foi a disposição da banda em não permitir que a EMI continuasse a vender downloads de músicas isoladas pela internet e trechos de canções para ringtones de celulares. Sabe por quê? Porque os caras do Pink Floyd estão certos.

Todo mundo que tenha morado neste planeta nos últimos cinquenta anos sabe que o grupo sempre estabeleceu diretrizes conceituais em seus discos, notadamente nos antológicos Dark Side of the Moon e The Wall. É mais do que justo que um artista ou banda deseje manter um controle artístico sobre a sua própria obra e é absurdamente correto que uma gravadora consulte os seus contratados antes de tomar qualquer atitude referente aos destinos comerciais da parte mais interessada – no caso, os próprios artistas.

E há um outro aspecto a ser considerado, que é a maneira como as pessoas ouvem músicas hoje em dia. Alguém pode me explicar qual é a vantagem de você ter 4.974 canções dentro de um iPOD e não prestar atenção a nenhuma delas? Qual é a vantagem de colocar essa mesma quantidade de canções para rodar com a função “shuffle”, que permite você ouvir Radiohead e Fábio Junior na seqüência?

Ok, você pode argumentar que essa “mistureba” tem hoje a mesma função do rádio no passado, mas desde quando a gente realmente conhecia o trabalho de um grupo ou artista unicamente pelas canções que tocavam no rádio? Você tomava contato com a obra de uma banda ouvindo os seus discos em sua totalidade, com cada faixa estrategicamente colocada ao longo do LP.

Sim, você pode achar que sou um tiozinho saudosista – o que não é verdade -, mas tem que reconhecer que hoje a molecada “escuta música”, não “ouve música”. É preciso que as pessoas entendam que as canções sempre fazem parte de um todo. Você compraria apenas alguns capítulos de um determinado livro ou somente certas cenas de um filme? É claro que não! Pois com os discos é a mesma coisa. Acredite.

A não ser que você seja um debilóide fã de Hanna Montana ou da Gaiola das Popozudas, você deve estar neste exato momento pensando naquilo que acabei de escrever…

Música de Adestrar Macacos

Posted in Olhares, Sons with tags , , , , , , on 29/10/2009 by Kilminster

O título deste post foi emprestado da fantástica definição do glorioso Marcelo Nova para as pragas travestidas de música que infestam nosso cancioneiro popular.

O que isto quer dizer? O termo “Música de Adestrar Macacos” utilizado pelo filósofo contemporâneo Nova, refere-se àquelas músicas infelizes onde o cantor comanda as ações do ouvinte.

No início era apenas um convite para que a platéia participasse do show, um chamado para cantar junto um refrão ou bater palmas no ritmo da música, os tradicionais “Everybody Now” e “Clap Your Hands”.

Com o tempo, surgiram outras formas de interação entre músicos/platéia, como os consagrados “Put Your Hands in the Air”, no Brasil o insuportável “Jogue as Mãozinhas pro Alto” e “Jump, Jump”, em terras tupiniquins “Tira o Pé do Chão”.

Mas eis que em um dado momento da história a coisa tomou um rumo inesperado e de uma hora para a outra, as músicas começaram a ditar exatamente o que o cidadão dançante tinha que fazer. O exemplo mais emblemático que eu posso me recordar é do infame “É o Tchan!”, com a sua “Dança da Bundinha”. Recorde comigo, (e fique o resto do dia com essa m… na cabeça), ♫Bota a mão no joelho, dá uma abaixadinha, vai mexendo gostoso balançando a bundinha…♪.

De lá para cá, toda e qualquer canção de apelo, (muito), popular, passou a vir com as instruções de dança impondo a “Ditadura da Coreografia”, ou a “Anti-Dança”, onde os candidatos a pé-de-valsa ficam restritos aos comandos do cantor, ou como interpretou brilhantemente Marcelo Nova, adestrador. Os exemplos são inúmeros, principalmente no mundo do Axé e do Funk.

E o mais preocupante é a aceitação geral desse tipo de coisa. As pessoas passam a se comportar como macaquinhos de circo aguardando o comando do domador. Tristemente se apresenta um quadro em que as pessoas abrem mão de dançar e celebrar freneticamente para se enquadrarem em um padrão geral e seguir a vontade de outrem. É o abandono da própria liberdade em favor da escolha de terceiros.

É diferente das “line dancing” da música country, onde pelo menos você pode escolher a própria coreografia e fazer com os amigos. Até os Menudos eram mais democráticos, lembra? ♪Canta. Dança. Sem parar… Sobe. Desce… COMO QUISER…♫.

Esta facilidade apresentada pelas massas em serem adestradas é preocupante especialmente quando ultrapassa a esfera do entretenimento e começa a se manifestar em outras áreas. Um monte de tontos dançando de acordo com os comandos de um cantor não tem maiores conseqüências, já em outros campos da sociedade…

Fica a reflexão sobre “Música de Adestrar Macacos”. Parece uma bobagem, mas nem tanto.