Arquivo para maniqueísmo

Bode Expiatório

Posted in Olhares with tags , on 05/11/2012 by Kilminster

Segundo verificado na popular Wikipédia:

“Dois bodes eram levados, juntamente a um touro, ao lugar de sacrifício, como parte dos Korbanot do Templo de Jerusalém. No templo os sacerdotes sorteavam um dos bodes. Um era queimado em holocausto no altar de sacrifício com o touro. O segundo tornava-se o bode expiatório, pois o sacerdote punha suas mãos sobre a cabeça do animal e confessava os pecados do povo de Israel. Posteriormente, o bode era deixado ao relento na natureza selvagem, levando consigo os pecados de toda a gente, para ser reclamado pelo anjo caído Azazel.

E assim vai. A sociedade continua fazendo uso do pobre bode, só que agora ele se transfigura em personagens humanos ou grupos a quem toda culpa por um fato é atribuída e através da execração do mesmo se dá a libertação de toda a sociedade.

É a persistência do ideário da caça às bruxas, pois estas são a causa do mal, portanto devem ser queimadas.

Com o passar das eras, a sociedade adquiriu contornos cada vez mais complexos, com nuances e minúcias que se não impedem completamente, dificultam qualquer tipo de generalização. Cada vez menos estereótipos podem ser aplicados.

Mas como sempre, a humanidade escolhe ir na contramão e para buscar explicações para tanta complexidade, escolhe acreditar nos modelos mais simplistas.

Daí a aclamação de heróis e exprobração de vilões, que são eleitos bodes expiatórios e execrados para levarem consigo os pecados de toda gente, para serem reclamados pelos anjos caídos.

Ser humano precisa fechar para balanço. Urgente!

Nós e Eles

Posted in Momento Sr. Saraiva, Olhares with tags , , on 10/11/2011 by Kilminster

Ser humano tem uma vocação incrível para a burrice. Não importa o quanto passem os séculos ou o quanto a tecnologia se desenvolva, o essencial não muda. O cérebro humano médio continua ridículo e limitado.

Com uma quantidade cada vez maior de informações disponíveis, a grande maioria dos homo sapiens ainda não é capaz de processá-las de modo racional e equilibrado.

Ainda impera entre os seres de telencéfalo altamente desenvolvido e polegar opositor o maniqueísmo que existe desde que o mundo é mundo.

Poucos são os seres que são capazes de perceber que os problemas da vida vão muito além de preto x branco, alto x baixo, azul x vermelho, rico x pobre, patrão x empregado, deus x diabo, certo x errado, EUA x URSS e outras mais.

A maioria prefere chafurdar em dogmas e ser conduzida pelo que os deuses escrevem nas bíblias periódicas. Em seguida saem pregando como maníacos em todo e qualquer espaço que encontram, em especial onde há anonimato.

Muitos ainda vociferam verdades absolutas sem perceber que se enquadram nos próprios objetos de crítica.

Já constava em Shakespeare, “há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia”. Ou seja, entre lá e cá, tem todo o caminho.

As possibilidades são infinitas, pequenas nuances alteram grandes conclusões e as entrelinhas guardam o mais importante.

E o ser humano se contenta com esse “nós e eles” estúpido.