Arquivo para futebol

Heróis Improváveis

Posted in Esportes, Olhares with tags , , , , , , , , , on 11/01/2013 by Kilminster

O futebol é apaixonante por diversos motivos, primeiro por ser acessível e adaptável, pode ser praticado em quase qualquer lugar e pelo mais variado número de pessoas. Além disso, é um dos raros esportes que em um momento de superação o time mais fraco pode bater o mais forte. E também porque heróis se consagram em suas partidas.

Grandes jogadores se constituem como heróis de suas torcidas pelos seus feitos, por darem a cara do time e conduzi-lo a períodos de glória.

Mas um lance único, o gol do titulo, uma defesa milagrosa, um passe genial, um esforço extra, um insight em um campeonato importante pode garantir a um simples mortal a entrada no panteão do esporte bretão.

Vejam os casos de:

Belletti: Lateral direito esforçado e voluntarioso, chegou a ser satirizado pelo Casseta & Planeta que lançou pela Tabajara o DVD “Melhores Momentos de Belletti”, em que ele aparecia cobrando um lateral. Meses depois ele vai lá e, ao entrar na partida a poucos minutos do apito final, me faz o gol do título da Champions League para o Barcelona contra o Arsenal.

Adriano Gabiru: Tal qual Belletti, entrou aos 31 do segundo tempo na final do Mundial de Clubes pelo Internacional de Porto Alegre, substituindo o capitão e ídolo colorado Fernandão e venceu o goleiro Valdés, fazendo 1×0 e garantindo o título ao time gaúcho contra o Barcelona de Iniesta, Ronaldinho, Deco, Eto’o e… Belletti.

Mineiro: Volante cumpridor, daqueles que não aparece para a torcida, mas que todo técnico adora. O coadjuvante por excelência. Mas eis que no Mundial de Clubes de 2005 ele arranca em direção à área do Liverpool como um meia atacante, recebe passe preciso de Aloísio Chulapa (!!!), inclina o corpo como se fosse tocar no canto direito do gol e bate no canto esquerdo, deslocando o goleiro Reina. Foi o gol do Tricampeonato Mundial do São Paulo Futebol Clube.

Ronaldo Luiz: Lateral esquerdo de boa técnica era coadjuvante no São Paulo do início da década de 90. Lá brilhavam Raí, Cerezo, Palhinha, Müller, Leonardo e Zetti. Ronaldo Luiz era daqueles que a gente demorava pra lembrar ao dar a escalação do time. Mas em uma final de Mundial de Clubes, contra o Barcelona, à época chamado de “Dream Team”, ele defendeu um gol encima da linha, quando o jogo estava empatado em 1×1. Ao final, o time brasileiro saiu vencedor por 2×1 e se sagrou campeão mundial pela primeira vez. Hoje, Ronaldo é lembrado por esse tipo de jogada.

Iarley: Meia atacante com certa habilidade, atuou por diversos clubes, incluindo o Real Madrid, porém sem grande destaque.  Seu grande momento foi pela Libertadores da América de 2003, em um jogo do modesto Paysandu contra o poderoso Boca Jrs. em La Bombonera, quando ele fez o gol que deu a vitória ao time paraense. Depois deste campeonato, Iarley acabou contratado pelo próprio Boca, elevando seu patamar como jogador, passando a atuar como titular em grandes clubes.

Personagens da Pelada

Posted in Esportes, Viagens with tags , on 30/10/2011 by Kilminster

Todo mundo que se arrisca a uns chutinhos na pelada, sabe que existem algumas personas nas quais sempre tem alguém que se enquadra. Impressionante como só mudam os atores, os personagens são sempre os mesmos.

O Juiz: Esse é o semeador da discórdia. Todo mundo sabe que na pelada não tem juiz, é “Pediu, parou”. Mas ele não. Ele cria polêmica, briga por lateral, diz que foi mão quando foi no peito. Inferniza qualquer pelada.

O Joystick: É aquele cara chato que acha que pode controlar os outros como em um videogame. “Volta”, “Chuta”, “Toca lá”, são as frases que mais ouvimos dessa figura. Normalmente fica irritadíssimo se receber qualquer instrução de outro jogador.

O Cone: É sempre um tiozinho, ou alguém muito fora de forma. Como não consegue correr, fica parado em algum setor do campo. Não consegue pegar bolas em progressão, então, mesmo que você o ponha na cara do gol, se a bola não for no pé, ele vai chiar.

O Grosso: Ele até joga bem, só não sabe dominar, driblar, chutar ou passar. Fora isso, tudo bem. A principal característica é a assiduidade. Um grosso nunca falta. Ele está sempre lá. Chega cedo, aquece e fica lá, enquanto os outros brigam para não ficarem com ele no time.

O Pelé: O gênio da bola. Este cidadão é incapaz de fazer uma jogada simples e eficiente. Isso é pouco para ele. Ele precisa fazer mais, precisa manifestar sua genialidade, mostrar que é bom e embasbacar a platéia. Tem que dar um toquinho a mais, uma pedaladinha, uma ginga e perder a bola.

Por Que os Homens Assistem às Mesas Redondas

Posted in Esportes, Viagens with tags , on 20/01/2011 by Kilminster

O inefável programa de domingo à noite… Acabou tudo, já está todo mundo em casa, a janta já rolou e então, antes de dormir, só restam os programas de mesa redonda comentando as rodadas dos campeonatos de futebol.

Mas qual é o grande mistério por trás destes programas? O que faz com que os homens fiquem vendo centenas de vezes o mesmo lance e discutindo por quarenta minutos se foi ou não foi impedimento?

A resposta é que futebol é um assunto impregnado no DNA do brasileiro. Todo menino sonha ser jogador de futebol, e conforme vai crescendo, passa a crer que entende do assunto, (o que pode ser verdade, em maior ou menor grau).

Então, todo brasileiro fã de futebol tem a plena convicção de que poderia estar ali no lugar dos comentaristas esportivos.

Aí, quando um dito profissional do ramo corrobora a opinião do espectador, ele se sente feliz. Quando o comentarista tem outra opinião, o cara se sente no direito de discordar. E aquele menino que um dia sonhou ser jogador de futebol e não conseguiu, agora sonha que pode ser comentarista.

Considerando que o que vem em seguida é a segunda-feira, brincar de comentarista é só um jeito de engolir melhor o amargo da vida.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

No pique! No pique!

“La Nuestra”

Posted in Esportes with tags , on 11/08/2010 by Kilminster

“La Nuestra” ou “A Nossa” é como define brilhantemente o jornalista argentino Horácio Pagani sobre a maneira que ele gostaria de ver jogando o selecionado dos hermanos. E é o mesmo sentimento que temos nós brasileiros quando vemos a Seleção jogar. Mais do que com métodos modernos, táticas revolucionárias e conceitos que são tendência no futebol moderno, queremos ver o Brasil jogar à nossa maneira, à brasileira.

E foi exatamente isso que conseguiu a Seleção na estréia de Mano Menezes. Sem frescuras nem explicações complicadas, muito menos respostas atravessadas, a seleção foi escalada com o que tinha de melhor à disposição e com um esquema de jogo que privilegia a maneira Brasileira de jogar.

Futebol leve, de toques rápidos, posse de bola e dribles aplicados na hora certa e em direção ao gol. A seleção dos Estados Unidos não conseguiu atacar o Brasil, mesmo depois de sofrer 2×0 simplesmente porque não tinha a bola. Os brasileiros permaneceram a maior parte do tempo no ataque passando a bola de pé em pé esperando o momento certo para uma investida mais aguda.

Era isso que se esperava minimamente da equipe brasileira na Copa do Mundo, o que não é nem de longe garantia de vitória, mas por outro lado é o modo com que os brasileiros historicamente sempre jogaram.

Se no jogo contra a Holanda o Brasil tivesse ficado com a bola o tempo todo, em vez de ceder a posse da mesma aos adversários, possivelmente não teria sofrido os gols do segundo tempo além de ter obrigado a seleção holandesa a correr o tempo todo atrás da bola, gerando assim espaços no campo de ataque para ampliar a vantagem.

Porém, Dunga preferiu jogadores comprometidos a jogadores bons de bola… Fez o Brasil jogar como se fosse a Alemanha… O único porém, é que o Brasil não consegue jogar à alemã, o Brasil tem que jogar à brasileira, é isso que queremos ver.

O estilo brasileiro é único e inimitável e foi o que conquistou a admiração de todo o mundo e nos fez famosos. Não tem porque abrir mão disso para copiar o modo de jogo de seleções que precisam de grandes esforços táticos para superarem limitações técnicas.

Enfim, novo momento, nova era… Ganhando ou perdendo, jogando a la nuestra!!!

Ah, o Futebol…

Posted in Esportes, Olhares with tags , on 14/01/2010 by Kilminster

Os italianos costumam dizer que comer e beber são as melhores coisas que uma pessoa pode fazer vestida. Fato. Porém, no universo masculino, uma terceira atividade pode ser incluída, jogar futebol.

Sei que é difícil para as garotas compreender os porquês que levam seus maridos, namorados, irmãos, pais, primos e afins a se digladiarem no meio de seus amigos por causa de uma bola.

Eles ficam lá correndo como loucos, dando trombadas, discutindo, levando caneladas, escorregando, caindo, gritando, se empurrando e brigando. E então acaba o tempo e eles saem completamente exaustos, suados e felizes.

Na seqüência, um banho e cerveja. Aí ficam comentando os lances “incríveis” da partida, tirando um sarrinho uns dos outros e se vangloriando das próprias jogadas.

Mas por que?

Simples. É que quando o cidadão está jogando futebol, nada mais existe. É o jogo e nada mais. Não existe trabalho, não existem contas a pagar, não existem problemas, não existe nada. Existe só o jogo. E então a pelada toma ares de terapia. É uma descarga de energia, tanto física como mental que permite um relaxamento sem igual. O futebol permite canalizar a agressividade, descarregar adrenalina, esvaziar a mente, queimar um pouco de barriga, exercitar as pernas e confraternizar com a galera.

A galera não precisa nem ser de amigões, aqueles que você chama para ir a sua casa, basta apenas que sejam os caras do futebol. Aqueles que faça chuva ou faça sol ou até mesmo chova canivete, vão estar lá no dia e hora marcados para bater a tradicional bolinha.

Enfim, além de comer e beber, a melhor coisa que uma pessoa pode fazer vestido é entrar numa pelada.

Perguntinhas à Toa…

Posted in Viagens with tags , , , , on 27/10/2009 by Kilminster

Quando dizemos “os orientais” estamos nos referindo também aos australianos e neozelandeses?

Falta muito para o Carlos Eugênio Simon se aposentar dos campos de futebol?

Será que todo pedreiro tem essa tendência de se apropriar da obra, agindo como se esta fosse dele?

Por que para ir ao cinema na Av. Paulista tem que ficar fazendo aquela cara de “cabeçãointelectualóidefãdeloshermanos”?

O que o Fábio Jr. quis dizer com De repente você põe. A mão por dentro. E arranca o mal pela raiz. Você sabe como me fazer feliz…”

Matou a Pau!

Posted in Esportes, Olhares with tags , , , , on 27/08/2009 by Kilminster

Há de se reconhecer a genialidade quando nos deparamos com ela. Para as meninas poderá parecer chocante, mas é absolutamente real e essencialmente justo. Reproduzo abaixo texto de Maurício Barros para a revista VIP que me foi enviado pelo Milho:

 Você é homem ou rato?

No futebol com os amigos, a gente vê quem tem caráter. O escritor Albert Camus, que era goleiro, já dizia que tudo o que aprendera sobre os homens vinha dos campos de futebol. Pura verdade. Tinha um cara na minha pelada semanal que cavava faltas. Acredita? Pode um sujeito simular falta onde o que vale é a palavra de cada um, a lei do “pediu, parou”? Justamente porque não tem juiz e o árbitro é a consciência? Pois é, o dito fazia isso. Um pária.

Se quisermos ter uma vida decente, há certas coisas que não devemos fazer no nosso sagrado jogo semanal. Dizer que vai e não aparecer, por exemplo. Só pode em caso de morte – própria ou de parente coladinho (tio já é muito longe, e sogra vai de você se vale ausência ou churrasco). Porque a diversão de todos depende da presença de cada um. Jogar com um a menos, pegar um cara emprestado da outra quadra, fazer goleiro-linha avacalham qualquer partida.

Outra coisa inadmissível em pelada é não querer revezar no gol. Tem que ir e pronto. Tem muito gaiato também que, aos primeiros chuviscos durante a tarde, se vê no direito de faltar porque “como tava chovendo pensei que não ia ter jogo”. Esse tipo deve ser defenestrado, nunca mais chamado pra nada. Intempéries não é motivo de cancelamento de jogo. Nunca.

E tem também o que se finge de morto na hora de revezar quando tem um a mais no quórum. “Quem sai agora?”, e o cara quieto, esperando alguém que já saiu se candidatar de novo. Sem falar no imbecil que fica reclamando do goleiro. Goleiro de pelada é um ser à parte. Superior. Abnegado, uma espécie de santo que topa ficar levando bolada enquanto os outros correm. Não se reclama dele nunca. Na nossa pelada, os goleiros não pagam o aluguel da quadra. É nossa forma de agradecer por eles existirem

Verdade é que qualquer um desses deslizes de caráter é muito mais grave do que uma entrada mais dura. Um xingamento aos berros ou cara feia depois de um gol perdido – tropeços assim são esquecidos já no vestiário ou na mesa da cerveja. Aqueles outros, não. Quando o cara dá o cano sem motivo, reclama ao ir para o gol, se omite na hora de revezar. Fica botando a mão na bola, está no fundo sinalizando que não merece estar ali com a gente toda semana, compartilhando risadas, raivas, botando pra fora nossos monstros. Deve ser demitido da turma, exatamente como fizemos com o rato que cavava falta…
5 COISAS QUE APRENDI COM O FUTEBOL

1- Respeitar os códigos de conduta. Valem mais que lei

2-Jamais tripudiar (gritar ”Chupa! ”, por exemplo) do adversário após marcar um gol. Ele ganhara o direito de te partir ao meio.

3-Todo goleiro é um santo. Reclamar com ele é pecado

4-A gente não vai ganhar sempre,

5-É melhor ter dois times parelhos do que um mais forte e outro mais fraco – mesmo que você esteja no mais forte

E… A roupa também diz muito sobre o caráter do peladeiro. Jogar de bermuda de surfista, regata e tênis iate é coisa de moleque.