Arquivo para farofa

Baladas de Cortar o Coração

Posted in Sons with tags , , , , , , , , , , on 08/12/2012 by Kilminster

Escrevi outro dia que um dos grandes símbolos dos anos 80 era o saxofone. Fato…

Os anos 1980 foram marcados pelo fuééééénn dos saxofones, mundo afora. Mas há outra marca registrada que a música pop deixou nos 80’s, as Power Ballads.

Os anos 1970 já davam sinais deste fenômeno que chegou a perdurar pelos 1990, mas foi na década de 1980 que ele se consolidou e se expandiu para o mundo.

Em que consiste uma power ballad? Simples, é uma música romântica, por vezes bem melosa, geralmente de cortar o coração, mas que tem características de hard rock.

Meio que como tentando expandir o público, sabe qual é? Fazer as meninas gostarem da barulheira…

São aquelas músicas capazes de arrancar suspiros de corações recém apaixonados e lágrimas de corações recém partidos.

Daí começava com um dedilhadozinho, ou um teclado, sempre em tom dramático.

Depois a tensão ia aumentando, uma bateria explosiva e guitarras distorcidas no refrão, emoldurando o vocal agudo e sofrido e em seguida um solo cortante.

Pronto “os metaleiros também amam”.

A epítome das power ballads é a famosíssima “Still Loving You” dos Scorpions, (1984), Aliás, se tem algo que os Scorpions fazem com extrema competência, são as power ballads. Tudo o que uma destas tem que ter está aqui. É a Prima Donna da categoria.

Outro fantástico exemplar desta categoria é ‘I Want to Know What Love Is”, do Foreigner, (1984). Essa, além de todos os atributos descritos acima, ainda conta com um coro impressionante, consistindo em um dos melhores “everybody now” de todos os tempos.

O Whitesnake também é pródigo nesta categoria, tendo atingindo seu auge com “Is This Love”, (1987). Tudo lá: clima etéreo, dissonâncias, baixo pulsante, solo matador, vocal rouco e Coverdale fazendo cara de lindo. Perfeito para motéis.

O elemento que faltava veio com o Europe e sua “Carrie”, (1986), o nome de mulher. Quantas meninas não sonharam em ser a tal Carrie, hein?

No cerrar das cortinas da década de 80, o intrépido Winger lançou “Miles Away”, (1990), acrescentando uma pegada estradeira às power ballads. Não pode faltar em nenhuma coletânea do gênero.

E por fim, como falar deste assunto sem citar o Bon Jovi? Com “Never Say Goodbye”, (1987), e “I’ll Be There For You”, (1988), os americanos de New Jersey ganharam o mundo e os corações da mulherada. Quem resiste às Harmonias de Jon Bongiovi e Ritchie Sambora?

A título de curiosidade, cito aqui um caso de oportunismo, em que uma banda aplicou a fórmula para fazer uma power ballad e conseguiu soar tão autêntica quanto uma nota de R$3,50. O horrendo Century e sua “Lover Why”, (1985). Reparem como os franceses seguem cada passo de “Still Loving You”.

Whitesnake – Ready An’ Willing

Posted in Sons, Tem Que Ouvir with tags , , , , , on 07/05/2009 by Kilminster

Formada pelo então ex-vocalista do Deep Purple David Coverdale, o Whitesnake caracterizava-se em seu início por um hard rock fortemente calcado no blues, pitadas de Deep Purple, com melodias sensuais, letras românticas e instrumental inspirado, muito diferente do “metal farofa” que a banda iria adotar em meados dos anos 80.

readyanwillingNeste quarto álbum, lançado em 1980, temos a banda em grande forma, contando em seu line-up com além de Coverdale, os também egressos do Deep Purple Jon Lord, (teclados), e Ian Paice, (bateria), o excelente baixista Neil Murray e a famosa dupla de guitarristas Mick Moody e Bernie Mardsen.

Excelentes timbres vintage, ótimos riffs, refrãos marcantes, vocais poderosos e sem exageros, backing vocals precisos, peso e balanço em equilíbrio e cozinha afiada é o que encontramos neste disco. É o apogeu do Whitesnake em sua primeira fase mostrando o seu melhor.

Daí em diante o grupo, sempre capitaneado por Coverdale, iria gradualmente abandonar as raízes blueseiras e partir para o glam e o “hard rock farofa virtuose”, que ainda que com grandes composições, pecou sempre pelos excessos, típicos dos anos 80.

Para quem quer conhecer o Whitesnake em sua essência, este é o álbum.

Destaques para a faixa título, “Fool For Your Lovin’” em sua versão original, “Blindman” e “Ain’t Gonna Cry No More”.