Arquivo para chuvas de verão

Tempo Maluco

Posted in Olhares with tags , , on 27/02/2013 by Kilminster
Estranho, né? Tem semanas em que o tempo fica maravilhoso, o sol brilha no céu claro, com uma nuvem ou outra só pra decorar o azul com seu algodão branco.
Aí, vem aquele dia em que amanhece com sol mais maravilhoso de todos e a gente sai despreocupado, com pouca roupa pronto pra receber a brisa refrescante no rosto.
Mas aí o imponderável acontece. Aquelas inocentes nuvens brancas se tornam cinzas e espessas e crescem para tingir todo o céu de chumbo escondendo o sol.
A brisa se torna um vento frio e sua doce voz se transforma em impiedosas trovoadas.
E você inocente e despreocupado caminhando sob o sol de repente se vê envolto na tempestade e encharcado sem o menor aviso. Aí você logo pensa: “Droga! Quem ia adivinhar que um tempo ensolarado daquele ia virar uma chuva dessas!”.
Aí então, a tempestade dissipa, as nuvens clareiam novamente e o sol reaparece, mas você ficou molhado e há muitas poças no chão das quais você tem que desviar. Ainda que claro e ensolarado, o dia já não é mais o mesmo.
E você já não olha mais para as nuvens como enfeites no céu, mas como ameaças suspensas no ar e decide que não quer mais vê-las e reluta em sair de casa quando elas estão lá fora. Melhor assim, pelo menos até que as poças sequem.

Step by Step

Posted in Olhares, Viagens with tags , , , , , on 19/02/2013 by Kilminster

Seria este meramente o título de uma música dos gloriosos New Kids On The Block, reverenciados por toda adolescente do fim dos 80, começo dos 90, ou até de uma obscura canção do Alan Parsons Project, mas não é.

Para você, feliz morador da cidade de São Paulo, “Step By Step”, ou “degrau por degrau” pode ter sido a cruel descrição de uma insólita aventura vivida nos últimos dias.

Notícias nos portais de internet dão conta de que 104 árvores foram derrubadas pelas tempestades de verão. Isso quer dizer que em 104 locais diferentes, carros foram amassados, fachadas de prédios danificadas, ruas foram bloqueadas e fios arrancados, causando falta de energia elétrica.

Em uma cidade com o grau de verticalização de São Paulo, falta de energia elétrica significa elevadores fora de funcionamento e, por conseguinte, escadas.

Se você mora no 1º andar, ok… 2º, 3º ou 4º, tá valendo. 5º, 6º, 7º e 8º começa a complicar, e daí pra cima, digamos que vossa excelência está lascada!

Mas enfim, aconteceu. Você está lá embaixo e precisa subir. Então, intrepidamente, você respira fundo e vai.

No começo os degraus não pesam e vão numa boa, mas conforme começam se acumular atrás de você, as coisas vão ficando mais difíceis. Escalar o 265º degrau é infinitamente mais penoso do que subir o 1º, ainda que ambos tenham exatamente o mesmo tamanho.

Suas pernas começam a tremer, os pulmões já pensam em procurar o sindicato para reivindicar aposentadoria especial, os ombros caem e o cérebro começa a se desorganizar, fazendo a escada a frente dançar como se fosse uma serpente.

Você começa a se perguntar por que foi querer morar tão no alto, por que você não sabe voar e essas coisas. Uma vontade louca de desferir impropérios toma conta de seu coração, mas o fôlego já não permite. Por falar em coração, este dá sinais de sair pela boca.

Daí você chega em seu apartamento e a alegria toma conta do seu coração enquanto você se atira no sofá mais próximo… até lembrar que vai tomar banho de canequinha e esquentar comida no fogão…

… and she’s buying a stairway to heaven…

scalinatta infinta