Atlas

Posted in Olhares with tags , , on 08/10/2013 by Kilminster
Atlas, o Titã, segurava o mundo nas costas. Suportava-lhe todo o peso e garantia que os céus não caíssem sobre a Terra.
Após a Titanomaquia foi esta sua punição, imposta por Zeus. Garantia a existência do mundo conhecido eAtlas_Schloss_Linderhof toda a vida nele contida.
Assim foi por toda a eternidade até que o reino dos deuses se recolhesse ao reino das lendas. Apenas por poucos momentos o herói Heracles aliviou de seus ombros o peso de seu fardo.
Tal qual Atlas vivemos. Cada qual com seu mundo sobre os ombros. Bem sabemos que não podemos largar sob pena de que ele nos caia sobre a cabeça.
Não temos Heracles para nos aliviar. Cabe-nos, portanto, a árdua tarefa de arrumar forças para manter erguido o firmamento.
O peso do mundo nos curva as costas, arde os músculos e fadiga a alma, mas não há alternativa. Resta a força, a luta e a superação.

A Velha MTV

Posted in Olhares with tags on 01/10/2013 by Kilminster
Já era a velha MTV Brasil. Talvez tenha durado até mais do que deveria, tendo em vista as grandes mudanças pelas quais passou, em especial a partir dos anos 2000.
A internet e principalmente a chegada da banda larga no Brasil, que permitiu assistir a vídeos online com tranqüilidade, fizeram com que a emissora desviasse seu foco da música para a cultura jovem como um todo, por vezes beirando o popularesco. A partir daí nada mais foi o mesmo. E nem poderia ser.
Pra quem nasceu no meio da década de 90 e não sabe o que é o mundo sem o youtube, não faz idéia do que era ter uma emissora que passava videoclipes e que falava só de música o tempo todo.
Antes disso, era apenas um programazinho de clipes aqui, outro ali… Um Clip Trip ou Kliptonita… coisas assim. O Som Pop da Cultura já era um oásis.
De repente aparece a MTV, passando clipes de bandas que a gente nem sonhava em ver, clipes diferentes de bandas que conhecíamos. Era como se a janela do mundo fosse aberta bem na nossa frente.
E tome colocar araminho torcido aqui e ali para sintonizar mal e porcamente o canal 32UHF, porque é verdade, já vivemos sem TV a Cabo.
Linguagem jovem, vinhetas esquisitas, VJs com quem a gente se identificava, programas para todos os gostos, cobertura de shows, entrevistas, programas gringos… Finalmente a gente fazia parte do mundo.
Com o passar do tempo, passamos a ter acesso a tais coisas de outra forma, o que obrigou a emissora a partir para outras atrações, humor, reality shows e versões horrorosas do velho Namoro na TV do Sílvio Santos.
Enfim, passou o tempo e lá se vai a velha MTV. Não existe hoje espaço para o que ela um dia foi e não sei se alguma coisa causaria tal impacto. Digo hoje, talvez com alguns anos de atraso, descanse em paz.

Dormindo na Fila

Posted in Olhares, Viagens with tags , on 18/09/2013 by Kilminster

É só aparecer um show internacional em qualquer lugar que já começamos a ver pipocar matérias sobre gente que acampa na porta do local com sei lá quantos dias de antecedência.

Fico me perguntando qual a eficácia desta prática. Isso porque com minha larga experiência em shows de rock, sejam eles de grandes estádios até de casas menores, sempre fiquei nas primeiras filas quando quis, e não era de chegar horas e horas antes da abertura dos portões, que dirá dias!

A verdade é que quando as luzes apagam e o show começa, polidez e boas maneiras são deixadas de lado. Vale a lei do mais forte, ou daquele que consegue se enfiar nos mais ínfimos espaços.

Todo mundo que quer chegar mais perto empurra, aperta, se aproveita de qualquer vacilo para ganhar umas posições à frente.

E quer saber o que é pior, os empurradores dormiram em suas casas, fizeram uma bela refeição antes de ir para o show e quando chegam lá estão cheios de energia e disposição, enquanto aquele cidadão que dormiu dias a fio em uma barraca precária, na rua, sem banheiro decente, sem banho, comendo ruffles com coca-cola, estará um bagaço.

Fica óbvio quem levará vantagem em um empurra-empurra.

Isso sem falar que o cansaço do acampamento poderá gerar desmaios, quedas de pressão e outras indisposições que acometem pessoas no meio do bololô da grade.

Daí eu me pergunto… Por quê? Por que?

trouxas

 

 

Atualização 23/09/2012: Tô falando… http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2013/09/fas-de-justin-bieber-ja-fazem-fila-no-rio-para-show-em-novembro.html

Rock in Rio

Posted in Olhares, Sons with tags , , , , on 18/09/2013 by Kilminster

rockinrio1

Sabe qual é o problema do Rock in Rio?

É que ele é um festival um tanto longo. São muitos dias de festival. Por isso, fica bastante complicado manter um elenco apenas rock.

Se formos puxar pelos registros, veremos que sempre tivemos atrações pop e MPB… desde 1985. Elba Ramalho, B52’s, Ney Matogrosso, em 1991, Djavan… e por aí vai.

Os outros festivais de rock, acontecem no máximo em 3 dias, o que facilita bastante as coisas.

Temos que levar em conta também que as bandas de rock capazes de segurar a bronca em um show de multidão, são poucas e estão escasseando. Então, divas pop e afins acabam sendo necessários.

Mas o que importa é a festa, o barulho em volta do festival e a curtição de quem vai. E mais ainda, que ninguém é obrigado a ir ou assistir a todos os shows, então…

E como alento já basta observar as escalações de atrações por dia já fazem algum sentido.

Rock in Rio é um nome, uma marca, não um rótulo. Pode não ser o mais adequado, mas serve.

Humpf…

Posted in Momento Sr. Saraiva on 10/09/2013 by Kilminster
Sobre o que escrever em momentos de mau humor incontrolável?
Difícil decidir… é um tal de começa e apaga, começa e apaga. Nada parece bom o suficiente, ou então fica lamurioso demais.
Qualquer observação, qualquer assunto acaba ficando aborrecido. Em vez de escrever impressões sobre algo, acaba-se escrevendo um monte de reclamações sobre este mesmo assunto.
E isso não é só quando queremos escrever, conversas também ficam assim.
Alguém puxa um assunto e você logo está se lamentando sobre alguma coisa. Azeda geral.
As pessoas talvez devessem usar aqueles sinais iguais aos de churrascaria, para identificar se querem ou não conversar, “Verde – ok, pode falar”, “Vermelho – ah…dá um tempo”.
Depois é só esperar o vento soprar de outro lado.
churrascaria (1)

Ah, Mas Que Sujeito Chato Sou Eu…

Posted in Olhares, Viagens with tags , , , , , on 30/08/2013 by Kilminster

Daí eu olho a programação dos canais de filmes da TV a Cabo e chego à triste conclusão de que nada de interessante está passando. Nem hoje, nem amanhã e nem no outro dia. Ainda bem que não pago esses!

Depois ouço pessoas comentando o quanto é engraçado o novo programa humorístico daquela emissora… Parece um tanto com aquele já clássico, mas é muito engraçado, dizem. Eu vou assistir e sequer um sorriso consigo.

Em uma festa, tocam aquelas velhas músicas de sempre, do mesmo jeito, na mesma sequência. E vem um cidadão especialmente contratado para animar a festa e tudo que ele consegue é me aborrecer.

O Lúcio Ribeiro anuncia a banda do ano e eu vou ouvir e é o mesmo nhén-nhén-nhén de sempre.

No Buffet infantil, uma música insuportavelmente alta pontua toda a festa. Cada passo é cronometrado. As coisas acontecem em um encadeamento planejado e seguido com rigor. O parabéns, então, é um ritual interminável. Haja enfado.

Ah, mas que sujeito chato sou eu que não acha nada engaçado macaco, praia, carro, jornal, tobogã… eu acho tudo isso um saco…” –  Raul Seixas

Por Cinco Minutos

Posted in Momento Sr. Saraiva on 20/08/2013 by Kilminster
Queria silêncio, vento na cara, sair da cidade, do país, do planeta…
Entrar em órbita e observar esta imensa bola azul e entender o que se passa.
Queria me libertar das amarras que me prendem a coisas inúteis, me livrar desse barulho insuportável e dessas pessoas que fazem com que as pequenas mazelas de suas vidas se tornem enormes problemas para elas e para os outros.
Dessa mediocridade imensa que impera por todos os lados, da incapacidade total que se tem de enxergar qual é seu papel no mundo, de perceber que este não é um mero palco para seu desfile de absurdos e existências medíocres, e que tampouco são os outros meros coadjuvantes.
Queria ouvir as mesmas provocações estando em igualdade de condições com quem as profere.
Queria dizer o que penso sem ser mal interpretado.
Saber por que certas coisas não acontecem simplesmente de uma vez, mas ficam se arrastando eternamente em delongas intermináveis, desgastantes e sem sentido.
Queria saber por que sou obrigado a investir tanta energia em coisas inúteis