Archive for the Olhares Category

Verão de Outono

Posted in Olhares with tags , , on 14/02/2013 by Kilminster

Nunca tivemos um verão tão outono… pelo menos não me lembro de outro tão esquisito assim.

Dias frios, noites de cobertor, em vez da chuva de verão, garoa gelada. Muito estranho.

Nem sequer uma noite estrelada para um chope ao ar livre…

Como diria minha avó, tudo de pernas para o ar. Quando todos esperavam sol, bronzeados, piscina e praia, tiveram que se contentar com DVD, janelas fechadas e banhos quentes.

Gosto do frio. Gosto muito do frio, mas gosto também de saber que existe a época do frio. No verão, é bom que haja calor, haja sol. Para tirar o mofo da alma.

Aí, como já era de se esperar, passado o carnaval, o sol brilha forte e intenso, pra matar de calor quem tem que trabalhar e já não tem um feriado em vista.

Tudo de pernas para o ar!

Pause

Posted in Olhares, Viagens with tags , , , on 05/02/2013 by Kilminster

O mundo deveria ter a tecla “Pause”, igual aos aparelhos de DVD.

Na verdade, poderia até ser aquela dos videocassetes antigos, que deixavam a imagem tremendo. Bastava que fosse possível dar uma parada em tudo de vez em quando.

No filme “Click”, Adam Sandler tem um controle remoto que ele usa para avançar, retroceder, trocar a cor e o som de tudopause-button em sua vida. Acho que nem precisava tanto, só a chance de dar uma pausa nas coisas já era o suficiente.

Imagine que beleza, toda vez que acontece alguma coisa complicada, você ter a possibilidade de dar uma paradinha.

Quando algum problema aparece, você dá uma pausa e refresca as idéias, dá uma respirada, acalma os ânimos e depois continua. Se for uma decisão importante, você reflete um pouco mais, pondera outras coisas… E se for apenas um dia cheio, você descansa um pouco mais.

Seria fantástico poder acrescentar momentos preciosos de paz e calmaria em horas problemáticas.

Será que em vez de pesquisas espaciais a NASA não poderia pensar nisso?

SUV

Posted in Momento Sr. Saraiva, Olhares with tags , , , on 29/01/2013 by Kilminster
SUV – Sport Utility Vehicle. É sinal de status. É a garantia atual de que você é alguém. É o ponto em que você se destaca em meio à massa desimportante.
Quando você compra um SUV, você não compra um carro, você compra sua soberania e pode então sair garboso pelas ruas desfilando sua magnânima presença.
Ao volante de um SUV, você não precisa prestar atenção no trânsito. O trânsito prestará atenção em você.
Você está finalmente livre para fazer conversões, mudanças de faixa, ultrapassagens e travessias sem qualquer preocupação. Simplesmente vá! Afinal de contas, você tem um SUV.
Por que se preocupar com regras de trânsito? Ou mesmo com bobagens como civilidade e regras de convívio social? Você financiou em 60 meses sua alforria de todo esse fardo.
Liberte-se! Saia dirigindo alegremente seu impávido colosso e o resto que se lasque!
SUV

Heróis Improváveis

Posted in Esportes, Olhares with tags , , , , , , , , , on 11/01/2013 by Kilminster

O futebol é apaixonante por diversos motivos, primeiro por ser acessível e adaptável, pode ser praticado em quase qualquer lugar e pelo mais variado número de pessoas. Além disso, é um dos raros esportes que em um momento de superação o time mais fraco pode bater o mais forte. E também porque heróis se consagram em suas partidas.

Grandes jogadores se constituem como heróis de suas torcidas pelos seus feitos, por darem a cara do time e conduzi-lo a períodos de glória.

Mas um lance único, o gol do titulo, uma defesa milagrosa, um passe genial, um esforço extra, um insight em um campeonato importante pode garantir a um simples mortal a entrada no panteão do esporte bretão.

Vejam os casos de:

Belletti: Lateral direito esforçado e voluntarioso, chegou a ser satirizado pelo Casseta & Planeta que lançou pela Tabajara o DVD “Melhores Momentos de Belletti”, em que ele aparecia cobrando um lateral. Meses depois ele vai lá e, ao entrar na partida a poucos minutos do apito final, me faz o gol do título da Champions League para o Barcelona contra o Arsenal.

Adriano Gabiru: Tal qual Belletti, entrou aos 31 do segundo tempo na final do Mundial de Clubes pelo Internacional de Porto Alegre, substituindo o capitão e ídolo colorado Fernandão e venceu o goleiro Valdés, fazendo 1×0 e garantindo o título ao time gaúcho contra o Barcelona de Iniesta, Ronaldinho, Deco, Eto’o e… Belletti.

Mineiro: Volante cumpridor, daqueles que não aparece para a torcida, mas que todo técnico adora. O coadjuvante por excelência. Mas eis que no Mundial de Clubes de 2005 ele arranca em direção à área do Liverpool como um meia atacante, recebe passe preciso de Aloísio Chulapa (!!!), inclina o corpo como se fosse tocar no canto direito do gol e bate no canto esquerdo, deslocando o goleiro Reina. Foi o gol do Tricampeonato Mundial do São Paulo Futebol Clube.

Ronaldo Luiz: Lateral esquerdo de boa técnica era coadjuvante no São Paulo do início da década de 90. Lá brilhavam Raí, Cerezo, Palhinha, Müller, Leonardo e Zetti. Ronaldo Luiz era daqueles que a gente demorava pra lembrar ao dar a escalação do time. Mas em uma final de Mundial de Clubes, contra o Barcelona, à época chamado de “Dream Team”, ele defendeu um gol encima da linha, quando o jogo estava empatado em 1×1. Ao final, o time brasileiro saiu vencedor por 2×1 e se sagrou campeão mundial pela primeira vez. Hoje, Ronaldo é lembrado por esse tipo de jogada.

Iarley: Meia atacante com certa habilidade, atuou por diversos clubes, incluindo o Real Madrid, porém sem grande destaque.  Seu grande momento foi pela Libertadores da América de 2003, em um jogo do modesto Paysandu contra o poderoso Boca Jrs. em La Bombonera, quando ele fez o gol que deu a vitória ao time paraense. Depois deste campeonato, Iarley acabou contratado pelo próprio Boca, elevando seu patamar como jogador, passando a atuar como titular em grandes clubes.

Bode Expiatório

Posted in Olhares with tags , on 05/11/2012 by Kilminster

Segundo verificado na popular Wikipédia:

“Dois bodes eram levados, juntamente a um touro, ao lugar de sacrifício, como parte dos Korbanot do Templo de Jerusalém. No templo os sacerdotes sorteavam um dos bodes. Um era queimado em holocausto no altar de sacrifício com o touro. O segundo tornava-se o bode expiatório, pois o sacerdote punha suas mãos sobre a cabeça do animal e confessava os pecados do povo de Israel. Posteriormente, o bode era deixado ao relento na natureza selvagem, levando consigo os pecados de toda a gente, para ser reclamado pelo anjo caído Azazel.

E assim vai. A sociedade continua fazendo uso do pobre bode, só que agora ele se transfigura em personagens humanos ou grupos a quem toda culpa por um fato é atribuída e através da execração do mesmo se dá a libertação de toda a sociedade.

É a persistência do ideário da caça às bruxas, pois estas são a causa do mal, portanto devem ser queimadas.

Com o passar das eras, a sociedade adquiriu contornos cada vez mais complexos, com nuances e minúcias que se não impedem completamente, dificultam qualquer tipo de generalização. Cada vez menos estereótipos podem ser aplicados.

Mas como sempre, a humanidade escolhe ir na contramão e para buscar explicações para tanta complexidade, escolhe acreditar nos modelos mais simplistas.

Daí a aclamação de heróis e exprobração de vilões, que são eleitos bodes expiatórios e execrados para levarem consigo os pecados de toda gente, para serem reclamados pelos anjos caídos.

Ser humano precisa fechar para balanço. Urgente!

Novelão e a Violência

Posted in Olhares with tags , , , , on 10/10/2012 by Kilminster

Assustador como temos assistido impassíveis, corroborando e até torcendo pela ascensão da violência nas novelas das 9:00.

Não sou um grande espectador de novelas, mas acompanhei os dois últimos folhetins da Globo com um pouco mais de atenção e pude observar que nessas duas tramas a violência assumiu um papel central nos protagonistas, notadamente nos ditos “mocinhos”.

Nos últimos capítulos da novela Avenida Brasil, a personagem Carminha, a vilã, vem sendo sistematicamente surrada por qualquer que seja seu antagonista em cena. Tufão, Muricy, Monalisa, tudo que é personagem achou jeito de dar uns tapas na malvada. O personagem Max também levou algumas surras durante a novela.

Na trama anterior, Fina Estampa, a personagem Griselda Pereirão não hesitava em partir para as vias de fato com sua inimiga Tereza Cristina. Foram várias cenas desse tipo.

Será que a sociedade está a ponto de aceitar que o mais correto é fazer justiça com as próprias mãos? Será que ao se sentir lesado, por quem quer que seja, um cidadão deve partir para cima do outro e resolver a coisa no tapa?

Pior, a atitude violenta por parte dos personagens bonzinhos da trama reflete o desejo da população pela a justiça “olho por olho”?

Imagine se tudo passar a ser decidido na pancada!

Obviamente que com certa freqüência temos vontade de sentar a mão em determinadas pessoas, mas os anos de civilização que nos separam da Idade Média nos impedem de fazê-lo na grande maioria das vezes.

Não é reconfortante imaginar que estamos dispostos a tal retrocesso. Qual seria o próximo passo? Duelos a tiros como no Velho Oeste Norte-Americano?

Se a arte imita a vida e/ou vice-versa, Houston, we have a problem.

Propaganda Eleitoral

Posted in Momento Sr. Saraiva, Olhares with tags , on 01/10/2012 by Kilminster

Se existe um jeito de não conhecer um candidato é assistindo à propaganda eleitoral.

Nestes programetes enfiados goela abaixo do eleitor/telespectador, cada candidato tenta vender o seu peixe da forma que puder. Seja ela exaltando suas qualidades e escondendo defeitos ou exacerbando defeitos e ocultando qualidades dos adversários.

Pense em nas empresas de telefonia brasileiras, elas batem recorde após recorde de reclamações em PROCON e ações em tribunais de pequenas causas. Porém você jamais vai ver isto em uma propaganda. O que se vê é sempre um monte de gente feliz, falando ao telefone e acessando a internet como se isso não demandasse um trabalhão enorme com atendentes despreparados. O mesmo serve para operadoras de TV a cabo.

Propaganda é feita para convencer. Ninguém se mostra por inteiro. O que se vê é o que se quer que seja visto. Por isso nada pior do que o horário eleitoral para apresentar um candidato.

By The Dawn.

Posted in Olhares, Viagens with tags , , on 25/09/2012 by Kilminster

Madrugada é quando chega emendada na noite,

Quando ela é invadida sorrateiramente em meio à música, conversas, copos e risos.

Dormir e acordar antes do sol nascer não vale.

Ela é de quem vem do começo.

Do meio pra frente não é mais hoje, é amanhã.

Só vale quando o sol nascendo é hora de ir pra cama.

Nada de acordar e ver o sol nascer.

Madrugada só conta quando vem no embalo.

Pegando no tranco é dia.

Encaixotando a Vida

Posted in Olhares, Viagens with tags , , , , on 30/08/2012 by Kilminster

Não é concreto como o que eu escrevi aqui, é mais profundo.

No texto anterior, disse que muita coisa tem que ser feita durante nosso dia, a maioria delas obrigações e tarefas inadiáveis inerentes à nossa rotina. Nosso tempo se esgota rapidamente e nada sobra para que façamos coisas que nos realmente fazem bem e nos dão prazer.

Daí brota a questão, como fazer tudo isso e ainda assim ser feliz? Dar conta de todas as responsabilidades, reduzir cada vez mais o tempo dedicado a nós mesmos e ainda assim achar que está tudo bem.

Acho que a solução é encaixotar a vida, sabe como é? Dividir sua vida em compartimentos, estabelecer a função de cada um e ir acionando conforme a necessidade.

Complicado? Então, é meio assim, você divide sua vida em caixinhas. A caixinha do trabalho, da casa, dos estudos, dos problemas… Umas caixinhas vão ficar mais cheias, outras mais vazias…

Aí você vai precisar criar a caixinha da felicidade onde você vai jogar tudo o que te agrada. Essa caixinha vai ter que ser impermeável, precisará de isolamento contra as caixinhas que aborrecem.

E esta caixinha vai ter que ter uma característica muito importante. Vai ter que ser uma caixa amplificada. As coisas que você colocar nela terão que receber de sua parte uma valorização bem maior que as outras. Tudo o que você colocar lá vai ter que parecer maior, mais intenso e sem dúvida mais importante.

Então, conforme você tiver que fazer as coisas, vai abrindo as caixinhas. Abre a caixinha do trabalho, vai, trabalha e fecha… Abre a dos estudos, vai, estuda e fecha.

Aí você abre sua caixinha de felicidade, onde estão todas as coisas que você gosta e como ela é amplificada, vai fazer mais barulho que as outras. E sua presença será mais sentida. Se der para não fechar após o uso, melhor ainda.

Aí está resolvido. Por mais que você tenha pouco tempo para sua caixa de felicidade, ela vai ter presença mais marcante na sua vida e você vai ter a impressão de que passa mais tempo com ela do que realmente passa.

Acho que só assim…

Agradecimento especial à Mari que fez a pergunta que originou esse texto.

Incoerências da Vida

Posted in Olhares on 28/08/2012 by Kilminster

Vamos fazer uma conta simples. Em condições normais de temperatura e pressão, um dia tem 24 horas. Destas 24, passamos 8 dormindo (ou pelo menos deveríamos), restam 16.

Destas 16 em que estamos acordados, temos que trabalhar durante 8, com mais uma hora de almoço, 9. Restam 7. Das sete restantes, gastamos mais ou menos uma hora no trajeto casa-trabalho e outra no trajeto trabalho-casa, Restam 5.

Destas 5, gastamos 1 hora entre acordar, tomar banho escovar os dentes, preparar e tomar café, nos vestirmos e sairmos para o trabalho. Sobram quatro.

Destas quatro, levamos mais 2 para preparar uma janta rápida, jantar e lavar a louça.

Restam então, longas duas horas para descansar, ver TV, pegar um cinema, ir à academia, bater uma bola com os amigos, namorar, ler, fazer palavras cruzadas, aulas de violão, curso de fotografia, fazer caminhada, arrumar a casa, botar roupa para lavar, passar a roupa, consertar a tomada, fazer as unhas, ir ao cabeleireiro, fazer curso de inglês e espanhol, faculdade, pós-graduação, MBA, ir ao médico e ao dentista, dar uma varrida, fazer uma sobremesa, visitar um amigo ou parente, tomar uma cerveja e outras atividades do gênero.

Ao que me parece tem alguma coisa errada aí. Das 16 horas em que ficamos acordados, temos parcas duas horas para cuidarmos de nós mesmos e temos outras 14 dedicadas ao trabalho. Um desequilíbrio bastante sério, a meu ver. E isso porque a rotina descrita acima se refere a alguém sem filhos.
Dentro deste quadro, o que começa a acontecer? Reduzimos nossas horas de sono. Quem aqui dorme 8 horas por dia? Difícil, hein?

É totalmente sem sentido levarmos uma vida tão voltada ao trabalho quando na verdade o trabalho deveria ser o meio e não o fim. É como aquela história: “Você trabalha para quê? – Trabalho para comer. – E para que você come? – Para ter força para trabalhar”.

Isto tem reflexo direto nos finais de semana, que a CLT chama de descanso semanal remunerado. Descanso de quem? Nosso é que não é. Final de semana é hora de fazer tudo que ficou pendente da semana inteira. E aí ainda entra outra, trabalhamos cinco dos sete dias da semana, (isso para quem tem a sorte de um emprego de segunda-feira à sexta-feira), para termos dois de descanso, apenas.

Resultado: a maior parte de nossos dias e horas são dedicados ao que deveria ser apenas nosso meio de vida! Se trabalhamos demais e não temos tempo para dedicar a nós mesmos, não temos vida, temos meramente uma sobrevida.
Qual e o sentido de viver apenas para se manter vivo? Como já dizia Arnaldo Antunes, “a gente não quer só comida, a gente quer bebida, diversão e arte”!

Como aceitamos viver em um mundo em que o homem existe em função do trabalho? O trabalho é que deveria existir em função do homem. Mais uma vez a humanidade foi para o lado errado.