Archive for the Olhares Category

Palestra Vomitacional

Posted in Olhares on 10/01/2014 by Kilminster
É fácil e constante. Sempre tem um por aí. Seja no seu trabalho, em um encontro de sei lá o que, na internet, na TV. Sempre alguém consegue um vídeo ou coisa parecida com alguém dando dicas de como se motivar para a vida.
Ok, sabemos que todos precisamos de motivação para tudo e que a psicologia pode nos ajudar em vários momentos e que se alguém souber como despertar em você este sentimento, vai ser bom.
O problema é que a grande maioria desses “motivadores” são repetidores de clichês e apelam para emoções baratas e retórica de professor de cursinho.
Todos dizem que o lado pessoal da sua vida deve ser valorizado, porém é do lado profissional que falam a maior parte do tempo. Do quanto você deve se dedicar, o que você deve buscar, como deve fazer, como não desanimar diante de dificuldades e o principal, é tudo culpa sua.
Nepotismos, favorecimentos, puxadas de tapete, panelinhas, nada disso conta. É você e só. Se conseguiu foi seu esforço, se não conseguiu, faltou esforço. Fatores externos são na verdade desculpas.
Gostaria de ver uma palestra motivacional realmente relevante. No geral, ladainhas intermináveis para lavagem cerebral.

It’s Oh So Quiet

Posted in Olhares with tags , , on 01/11/2013 by Kilminster
Mais uma vez ficou este pequeno espaço maltratado e legado ao abandono…
Daí me pergunto “Por que? Por que?”.
Simples, porque quando não se tem o que dizer, é melhor calar a boca. Afinal de contas eu vivo repetindo que em boca fechada não entra mosquito.
Também tem outra, às vezes a gente pensa, pensa, pensa e não consegue ver um meio de colocar as coisas de modo simples e inteligível, então pra que desperdiçar linhas e linhas para que ninguém consiga entender.
Envolver-se em polêmicas fáceis pode trazer mais encheção de saco do que conforto por expressar idéias.
Então tem horas que o silêncio vale mais.

Atlas

Posted in Olhares with tags , , on 08/10/2013 by Kilminster
Atlas, o Titã, segurava o mundo nas costas. Suportava-lhe todo o peso e garantia que os céus não caíssem sobre a Terra.
Após a Titanomaquia foi esta sua punição, imposta por Zeus. Garantia a existência do mundo conhecido eAtlas_Schloss_Linderhof toda a vida nele contida.
Assim foi por toda a eternidade até que o reino dos deuses se recolhesse ao reino das lendas. Apenas por poucos momentos o herói Heracles aliviou de seus ombros o peso de seu fardo.
Tal qual Atlas vivemos. Cada qual com seu mundo sobre os ombros. Bem sabemos que não podemos largar sob pena de que ele nos caia sobre a cabeça.
Não temos Heracles para nos aliviar. Cabe-nos, portanto, a árdua tarefa de arrumar forças para manter erguido o firmamento.
O peso do mundo nos curva as costas, arde os músculos e fadiga a alma, mas não há alternativa. Resta a força, a luta e a superação.

A Velha MTV

Posted in Olhares with tags on 01/10/2013 by Kilminster
Já era a velha MTV Brasil. Talvez tenha durado até mais do que deveria, tendo em vista as grandes mudanças pelas quais passou, em especial a partir dos anos 2000.
A internet e principalmente a chegada da banda larga no Brasil, que permitiu assistir a vídeos online com tranqüilidade, fizeram com que a emissora desviasse seu foco da música para a cultura jovem como um todo, por vezes beirando o popularesco. A partir daí nada mais foi o mesmo. E nem poderia ser.
Pra quem nasceu no meio da década de 90 e não sabe o que é o mundo sem o youtube, não faz idéia do que era ter uma emissora que passava videoclipes e que falava só de música o tempo todo.
Antes disso, era apenas um programazinho de clipes aqui, outro ali… Um Clip Trip ou Kliptonita… coisas assim. O Som Pop da Cultura já era um oásis.
De repente aparece a MTV, passando clipes de bandas que a gente nem sonhava em ver, clipes diferentes de bandas que conhecíamos. Era como se a janela do mundo fosse aberta bem na nossa frente.
E tome colocar araminho torcido aqui e ali para sintonizar mal e porcamente o canal 32UHF, porque é verdade, já vivemos sem TV a Cabo.
Linguagem jovem, vinhetas esquisitas, VJs com quem a gente se identificava, programas para todos os gostos, cobertura de shows, entrevistas, programas gringos… Finalmente a gente fazia parte do mundo.
Com o passar do tempo, passamos a ter acesso a tais coisas de outra forma, o que obrigou a emissora a partir para outras atrações, humor, reality shows e versões horrorosas do velho Namoro na TV do Sílvio Santos.
Enfim, passou o tempo e lá se vai a velha MTV. Não existe hoje espaço para o que ela um dia foi e não sei se alguma coisa causaria tal impacto. Digo hoje, talvez com alguns anos de atraso, descanse em paz.

Dormindo na Fila

Posted in Olhares, Viagens with tags , on 18/09/2013 by Kilminster

É só aparecer um show internacional em qualquer lugar que já começamos a ver pipocar matérias sobre gente que acampa na porta do local com sei lá quantos dias de antecedência.

Fico me perguntando qual a eficácia desta prática. Isso porque com minha larga experiência em shows de rock, sejam eles de grandes estádios até de casas menores, sempre fiquei nas primeiras filas quando quis, e não era de chegar horas e horas antes da abertura dos portões, que dirá dias!

A verdade é que quando as luzes apagam e o show começa, polidez e boas maneiras são deixadas de lado. Vale a lei do mais forte, ou daquele que consegue se enfiar nos mais ínfimos espaços.

Todo mundo que quer chegar mais perto empurra, aperta, se aproveita de qualquer vacilo para ganhar umas posições à frente.

E quer saber o que é pior, os empurradores dormiram em suas casas, fizeram uma bela refeição antes de ir para o show e quando chegam lá estão cheios de energia e disposição, enquanto aquele cidadão que dormiu dias a fio em uma barraca precária, na rua, sem banheiro decente, sem banho, comendo ruffles com coca-cola, estará um bagaço.

Fica óbvio quem levará vantagem em um empurra-empurra.

Isso sem falar que o cansaço do acampamento poderá gerar desmaios, quedas de pressão e outras indisposições que acometem pessoas no meio do bololô da grade.

Daí eu me pergunto… Por quê? Por que?

trouxas

 

 

Atualização 23/09/2012: Tô falando… http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2013/09/fas-de-justin-bieber-ja-fazem-fila-no-rio-para-show-em-novembro.html

Rock in Rio

Posted in Olhares, Sons with tags , , , , on 18/09/2013 by Kilminster

rockinrio1

Sabe qual é o problema do Rock in Rio?

É que ele é um festival um tanto longo. São muitos dias de festival. Por isso, fica bastante complicado manter um elenco apenas rock.

Se formos puxar pelos registros, veremos que sempre tivemos atrações pop e MPB… desde 1985. Elba Ramalho, B52’s, Ney Matogrosso, em 1991, Djavan… e por aí vai.

Os outros festivais de rock, acontecem no máximo em 3 dias, o que facilita bastante as coisas.

Temos que levar em conta também que as bandas de rock capazes de segurar a bronca em um show de multidão, são poucas e estão escasseando. Então, divas pop e afins acabam sendo necessários.

Mas o que importa é a festa, o barulho em volta do festival e a curtição de quem vai. E mais ainda, que ninguém é obrigado a ir ou assistir a todos os shows, então…

E como alento já basta observar as escalações de atrações por dia já fazem algum sentido.

Rock in Rio é um nome, uma marca, não um rótulo. Pode não ser o mais adequado, mas serve.

Ah, Mas Que Sujeito Chato Sou Eu…

Posted in Olhares, Viagens with tags , , , , , on 30/08/2013 by Kilminster

Daí eu olho a programação dos canais de filmes da TV a Cabo e chego à triste conclusão de que nada de interessante está passando. Nem hoje, nem amanhã e nem no outro dia. Ainda bem que não pago esses!

Depois ouço pessoas comentando o quanto é engraçado o novo programa humorístico daquela emissora… Parece um tanto com aquele já clássico, mas é muito engraçado, dizem. Eu vou assistir e sequer um sorriso consigo.

Em uma festa, tocam aquelas velhas músicas de sempre, do mesmo jeito, na mesma sequência. E vem um cidadão especialmente contratado para animar a festa e tudo que ele consegue é me aborrecer.

O Lúcio Ribeiro anuncia a banda do ano e eu vou ouvir e é o mesmo nhén-nhén-nhén de sempre.

No Buffet infantil, uma música insuportavelmente alta pontua toda a festa. Cada passo é cronometrado. As coisas acontecem em um encadeamento planejado e seguido com rigor. O parabéns, então, é um ritual interminável. Haja enfado.

Ah, mas que sujeito chato sou eu que não acha nada engaçado macaco, praia, carro, jornal, tobogã… eu acho tudo isso um saco…” –  Raul Seixas

Dois Gumes

Posted in Olhares on 08/08/2013 by Kilminster

E diante da certeza de que tudo seria como sempre foi, ele apontava o dedo firmemente e gritava e vociferava todos os tipos de impropérios a seus inimigos.

Verdades, meias verdades, não tão verdades eram cuspidas como fogo em direção àqueles que olhavam pasmados, às vezes sentindo o golpe, às vezes indignados por ouvir tais calúnias.

No amplo espaço da sala, sua voz reverberava forte e logo percebeu que havia ganhado adeptos. Aliados, comparsas e até desconhecidos, hipnotizados por sua fala, iam se colocando atrás dele para gritar “Isso mesmo”, “Malditos”, “Execráveis”, ao fim de cada frase sua.

Empolgado com a plateia, aumentou o tom de voz e a intensidade das acusações. Seus olhos pareciam querer saltar das órbitas e ele cuspia com cada palavra, gesticulando freneticamente, fazendo com que o suor escorresse de sua testa.

Mas em dado momento alguém reagiu. Do outro lado, um estranho passou a responder com a mesma intensidade.

Ele não reconhecia aquele inimigo, mas ficou impressionado com sua raiva e selvageria e também com a petulância de falar encima todas as vezes em que ele abria a boca.

Ele subiu o tom e seu inimigo também o fez imediatamente. Ele começou a ficar incomodado com o monte de verdades que ouvia. Aquelas acusações todas… Não estava acostumado a ser rebatido dessa maneira.

Conforme ouvia cada palavra, seu ódio aumentava e ao passo que gritava com seu oponente, sentiu o sangue subir e perdeu completamente a razão, armou o braço e desferiu o soco mais potente que podia. Sua mão se dilacerou em sangue e seu inimigo se desfez a sua frente.

Tomado de dor, viu os cacos no chão e aturdido percebeu que tinham colocado um espelho à sua frente.

Tráfego de Guarda-Chuvas

Posted in Olhares with tags , , on 01/07/2013 by Kilminster

Se você já andou por alguma rua do Centrão em dia de chuva sabe o drama que é a circulação de milhares de pessoas com seus guarda-chuvas abertos.

Urgentemente a CET precisa criar um código que regulamente o tráfego destes acessórios, que por trás da máscara de sua função primária, pode ser letal.

Seguem sugestões para regular o comportamento dos pilotos de guarda-chuvas:

1- Coberturas e marquises devem ser cedidas às pessoas sem guarda-chuva.

2- Pilotos não devem cobrir a visão com seu guarda-chuva, se for necessário por conta da direção da precipitação pluviométrica, deverá reduzir a velocidade evitando colisões.

3- Ao mover-se lateralmente, e fundamental olhar atentamente para evitar acertar a cabeça ou ombro de outro piloto. Convém lembrar que as varetas podem ser letais.

4- Ao cruzar outro guarda-chuva, o piloto mais alto deve erguer o seu enquanto o mais baixo inclina o seu suavemente para evitar os olhos outro. Em caso de pilotos de mesma estatura, cada um deve tomar a iniciativa de erguer o guarda-chuva, sempre atento à movimentação do colega.

5- Ao entrar em um local coberto, o piloto deverá parar, se possível ainda na soleira da porta, virar-se em direção à rua e fechar seu guarda-chuva, sacudindo-o para que o excesso de água não emporcalhe o chão.

6- Ao sair de um local coberto, o piloto deverá aproximar-se ao máximo da saída, erguer o braço o mais alto que puder e abrir o guarda-chuva, evitando fazê-lo de frente, atingindo demais transeuntes.

7- Para entrar em ônibus e demais transportes coletivos, o guarda-chuva deve ser fechado antes. Embora o piloto vá se molhar por alguns instantes, evitará desconfortos aos demais passageiros.

8- Carregue sempre um saco plástico para embalar o guarda-chuva usado.

guardachuvas

Silêncio

Posted in Olhares on 24/06/2013 by Kilminster

Quando de tem idéias demais na cabeça, fica difícil falar, ou mesmo escrever.

Parece que fica tudo afunilado e não sai tudo que queremos dizer.

É porque é tanta coisa ao mesmo tempo, que se vai saindo fracionado não funciona.

Seria bom poder pegar o pensamento inteiro, como um bloco, e inserir na cabeça dos outros para deixar tudo bem claro.

Às vezes as palavras não são claras o bastante e pra piorar, cada um que lê, lê de um jeito.

Então se tem muitas idéias na cabeça, é melhor o silêncio.