Arquivo para agosto, 2013

Ah, Mas Que Sujeito Chato Sou Eu…

Posted in Olhares, Viagens with tags , , , , , on 30/08/2013 by Kilminster

Daí eu olho a programação dos canais de filmes da TV a Cabo e chego à triste conclusão de que nada de interessante está passando. Nem hoje, nem amanhã e nem no outro dia. Ainda bem que não pago esses!

Depois ouço pessoas comentando o quanto é engraçado o novo programa humorístico daquela emissora… Parece um tanto com aquele já clássico, mas é muito engraçado, dizem. Eu vou assistir e sequer um sorriso consigo.

Em uma festa, tocam aquelas velhas músicas de sempre, do mesmo jeito, na mesma sequência. E vem um cidadão especialmente contratado para animar a festa e tudo que ele consegue é me aborrecer.

O Lúcio Ribeiro anuncia a banda do ano e eu vou ouvir e é o mesmo nhén-nhén-nhén de sempre.

No Buffet infantil, uma música insuportavelmente alta pontua toda a festa. Cada passo é cronometrado. As coisas acontecem em um encadeamento planejado e seguido com rigor. O parabéns, então, é um ritual interminável. Haja enfado.

Ah, mas que sujeito chato sou eu que não acha nada engaçado macaco, praia, carro, jornal, tobogã… eu acho tudo isso um saco…” –  Raul Seixas

Por Cinco Minutos

Posted in Momento Sr. Saraiva on 20/08/2013 by Kilminster
Queria silêncio, vento na cara, sair da cidade, do país, do planeta…
Entrar em órbita e observar esta imensa bola azul e entender o que se passa.
Queria me libertar das amarras que me prendem a coisas inúteis, me livrar desse barulho insuportável e dessas pessoas que fazem com que as pequenas mazelas de suas vidas se tornem enormes problemas para elas e para os outros.
Dessa mediocridade imensa que impera por todos os lados, da incapacidade total que se tem de enxergar qual é seu papel no mundo, de perceber que este não é um mero palco para seu desfile de absurdos e existências medíocres, e que tampouco são os outros meros coadjuvantes.
Queria ouvir as mesmas provocações estando em igualdade de condições com quem as profere.
Queria dizer o que penso sem ser mal interpretado.
Saber por que certas coisas não acontecem simplesmente de uma vez, mas ficam se arrastando eternamente em delongas intermináveis, desgastantes e sem sentido.
Queria saber por que sou obrigado a investir tanta energia em coisas inúteis

Mas Como Assim?

Posted in Viagens with tags , , , , on 13/08/2013 by Kilminster

Quando assistimos aqueles filmes de aventura e ação, onde temos heróis fantásticos com muitas habilidades e inteligência e sagacidade acima do normal, ficamos impressionados com a maneira em que estes personagens conseguem passar por todo e qualquer aperto, improvisando e tirando ases da manga a todo tempo.

Porém, existe algo de muito contraditório em um James Bond, por exemplo.

Bond é extremamente inteligente, passou pelos treinamentos mais sofisticados possíveis, tem equipamento de altíssima tecnologia à sua disposição e mesmo assim vive caindo nas mais diversas ciladas. Vira e mexe o Bond pisa em falso e se vê à mercê de seus inimigos.

Às vezes vemos os heróis de ação se metendo em situações onde é mais do que claro que não vão funcionar. Não é possível que eles não saibam que estão caminhando para as garras dos vilões, mas mesmo assim eles vão, felizes e contentes.

Isso acontece com o James Bond, com o Xander Cage, Frank Martin, com o Indiana Jones, com o Conan…

Na verdade, isso acontece só para que nosso intrépido herói saia da enrascada da maneira mais espetacular e espetaculosa possível e assim mostrarem o quanto são geniais.

Maaaas, se os caras são bons, mas tão bons mesmo, por que é que se metem em tantas pataquadas?

heroes

Dois Gumes

Posted in Olhares on 08/08/2013 by Kilminster

E diante da certeza de que tudo seria como sempre foi, ele apontava o dedo firmemente e gritava e vociferava todos os tipos de impropérios a seus inimigos.

Verdades, meias verdades, não tão verdades eram cuspidas como fogo em direção àqueles que olhavam pasmados, às vezes sentindo o golpe, às vezes indignados por ouvir tais calúnias.

No amplo espaço da sala, sua voz reverberava forte e logo percebeu que havia ganhado adeptos. Aliados, comparsas e até desconhecidos, hipnotizados por sua fala, iam se colocando atrás dele para gritar “Isso mesmo”, “Malditos”, “Execráveis”, ao fim de cada frase sua.

Empolgado com a plateia, aumentou o tom de voz e a intensidade das acusações. Seus olhos pareciam querer saltar das órbitas e ele cuspia com cada palavra, gesticulando freneticamente, fazendo com que o suor escorresse de sua testa.

Mas em dado momento alguém reagiu. Do outro lado, um estranho passou a responder com a mesma intensidade.

Ele não reconhecia aquele inimigo, mas ficou impressionado com sua raiva e selvageria e também com a petulância de falar encima todas as vezes em que ele abria a boca.

Ele subiu o tom e seu inimigo também o fez imediatamente. Ele começou a ficar incomodado com o monte de verdades que ouvia. Aquelas acusações todas… Não estava acostumado a ser rebatido dessa maneira.

Conforme ouvia cada palavra, seu ódio aumentava e ao passo que gritava com seu oponente, sentiu o sangue subir e perdeu completamente a razão, armou o braço e desferiu o soco mais potente que podia. Sua mão se dilacerou em sangue e seu inimigo se desfez a sua frente.

Tomado de dor, viu os cacos no chão e aturdido percebeu que tinham colocado um espelho à sua frente.