Arquivo para fevereiro, 2013

Tempo Maluco

Posted in Olhares with tags , , on 27/02/2013 by Kilminster
Estranho, né? Tem semanas em que o tempo fica maravilhoso, o sol brilha no céu claro, com uma nuvem ou outra só pra decorar o azul com seu algodão branco.
Aí, vem aquele dia em que amanhece com sol mais maravilhoso de todos e a gente sai despreocupado, com pouca roupa pronto pra receber a brisa refrescante no rosto.
Mas aí o imponderável acontece. Aquelas inocentes nuvens brancas se tornam cinzas e espessas e crescem para tingir todo o céu de chumbo escondendo o sol.
A brisa se torna um vento frio e sua doce voz se transforma em impiedosas trovoadas.
E você inocente e despreocupado caminhando sob o sol de repente se vê envolto na tempestade e encharcado sem o menor aviso. Aí você logo pensa: “Droga! Quem ia adivinhar que um tempo ensolarado daquele ia virar uma chuva dessas!”.
Aí então, a tempestade dissipa, as nuvens clareiam novamente e o sol reaparece, mas você ficou molhado e há muitas poças no chão das quais você tem que desviar. Ainda que claro e ensolarado, o dia já não é mais o mesmo.
E você já não olha mais para as nuvens como enfeites no céu, mas como ameaças suspensas no ar e decide que não quer mais vê-las e reluta em sair de casa quando elas estão lá fora. Melhor assim, pelo menos até que as poças sequem.
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Schadenfreunde

Posted in Uncategorized with tags , , on 21/02/2013 by Kilminster

Originária do alemão, esta palavrinha estranha e difícil de falar tem um significado muito interessante, ‘”schadenfreunde” nada mais é que “o prazer pela desgraça de alguém desprezível”.

Curioso é que apesar de não haver no português uma palavra correspondente, este é um sentimento que todos temos em algum momento. Não necessariamente para com pessoas de nosso convívio, mas também por personagens de ficção. Quem nunca, diante de um último capítulo de novela não exclamou “Bem feito! O otário se ferrou”.

E isso desde a nossa mais tenra idade. Sentimos schadenfreunde quando a bruxa da Branca de Neve despencou do precipício, quando o Capitão Gancho foi devorado pelo crocodilo, quando o Lobo Mau foi aniquilado pelo caçador e quando determinado zémané foi eliminado do BBB.

Sentiremos schadenfreunde quando determinadas figuras públicas tiverem a contrapartida do que fizeram e quando roubarem o som do carro daquele seu vizinho que compartilha seus funks com quem estiver num raio de 5km.

Sentimos quando o touro pega o toureiro, quando o ladrão fica entalado na janela e, (perigo, perigo), quando a polícia estoura os miolos de algum “bandido”.

Sentimos schadenfreunde quando a bruxa arde na fogueira do inquisidor!

Como diria Schopenhauer:

“Neid zu fühlen ist menschlich, Schadenfreude zu genießen teuflisch.”  – É humano sentir, deleitar-se com a Schadenfreude é diabólico.

Step by Step

Posted in Olhares, Viagens with tags , , , , , on 19/02/2013 by Kilminster

Seria este meramente o título de uma música dos gloriosos New Kids On The Block, reverenciados por toda adolescente do fim dos 80, começo dos 90, ou até de uma obscura canção do Alan Parsons Project, mas não é.

Para você, feliz morador da cidade de São Paulo, “Step By Step”, ou “degrau por degrau” pode ter sido a cruel descrição de uma insólita aventura vivida nos últimos dias.

Notícias nos portais de internet dão conta de que 104 árvores foram derrubadas pelas tempestades de verão. Isso quer dizer que em 104 locais diferentes, carros foram amassados, fachadas de prédios danificadas, ruas foram bloqueadas e fios arrancados, causando falta de energia elétrica.

Em uma cidade com o grau de verticalização de São Paulo, falta de energia elétrica significa elevadores fora de funcionamento e, por conseguinte, escadas.

Se você mora no 1º andar, ok… 2º, 3º ou 4º, tá valendo. 5º, 6º, 7º e 8º começa a complicar, e daí pra cima, digamos que vossa excelência está lascada!

Mas enfim, aconteceu. Você está lá embaixo e precisa subir. Então, intrepidamente, você respira fundo e vai.

No começo os degraus não pesam e vão numa boa, mas conforme começam se acumular atrás de você, as coisas vão ficando mais difíceis. Escalar o 265º degrau é infinitamente mais penoso do que subir o 1º, ainda que ambos tenham exatamente o mesmo tamanho.

Suas pernas começam a tremer, os pulmões já pensam em procurar o sindicato para reivindicar aposentadoria especial, os ombros caem e o cérebro começa a se desorganizar, fazendo a escada a frente dançar como se fosse uma serpente.

Você começa a se perguntar por que foi querer morar tão no alto, por que você não sabe voar e essas coisas. Uma vontade louca de desferir impropérios toma conta de seu coração, mas o fôlego já não permite. Por falar em coração, este dá sinais de sair pela boca.

Daí você chega em seu apartamento e a alegria toma conta do seu coração enquanto você se atira no sofá mais próximo… até lembrar que vai tomar banho de canequinha e esquentar comida no fogão…

… and she’s buying a stairway to heaven…

scalinatta infinta

Verão de Outono

Posted in Olhares with tags , , on 14/02/2013 by Kilminster

Nunca tivemos um verão tão outono… pelo menos não me lembro de outro tão esquisito assim.

Dias frios, noites de cobertor, em vez da chuva de verão, garoa gelada. Muito estranho.

Nem sequer uma noite estrelada para um chope ao ar livre…

Como diria minha avó, tudo de pernas para o ar. Quando todos esperavam sol, bronzeados, piscina e praia, tiveram que se contentar com DVD, janelas fechadas e banhos quentes.

Gosto do frio. Gosto muito do frio, mas gosto também de saber que existe a época do frio. No verão, é bom que haja calor, haja sol. Para tirar o mofo da alma.

Aí, como já era de se esperar, passado o carnaval, o sol brilha forte e intenso, pra matar de calor quem tem que trabalhar e já não tem um feriado em vista.

Tudo de pernas para o ar!

Pause

Posted in Olhares, Viagens with tags , , , on 05/02/2013 by Kilminster

O mundo deveria ter a tecla “Pause”, igual aos aparelhos de DVD.

Na verdade, poderia até ser aquela dos videocassetes antigos, que deixavam a imagem tremendo. Bastava que fosse possível dar uma parada em tudo de vez em quando.

No filme “Click”, Adam Sandler tem um controle remoto que ele usa para avançar, retroceder, trocar a cor e o som de tudopause-button em sua vida. Acho que nem precisava tanto, só a chance de dar uma pausa nas coisas já era o suficiente.

Imagine que beleza, toda vez que acontece alguma coisa complicada, você ter a possibilidade de dar uma paradinha.

Quando algum problema aparece, você dá uma pausa e refresca as idéias, dá uma respirada, acalma os ânimos e depois continua. Se for uma decisão importante, você reflete um pouco mais, pondera outras coisas… E se for apenas um dia cheio, você descansa um pouco mais.

Seria fantástico poder acrescentar momentos preciosos de paz e calmaria em horas problemáticas.

Será que em vez de pesquisas espaciais a NASA não poderia pensar nisso?