Arquivo para agosto, 2012

Encaixotando a Vida

Posted in Olhares, Viagens with tags , , , , on 30/08/2012 by Kilminster

Não é concreto como o que eu escrevi aqui, é mais profundo.

No texto anterior, disse que muita coisa tem que ser feita durante nosso dia, a maioria delas obrigações e tarefas inadiáveis inerentes à nossa rotina. Nosso tempo se esgota rapidamente e nada sobra para que façamos coisas que nos realmente fazem bem e nos dão prazer.

Daí brota a questão, como fazer tudo isso e ainda assim ser feliz? Dar conta de todas as responsabilidades, reduzir cada vez mais o tempo dedicado a nós mesmos e ainda assim achar que está tudo bem.

Acho que a solução é encaixotar a vida, sabe como é? Dividir sua vida em compartimentos, estabelecer a função de cada um e ir acionando conforme a necessidade.

Complicado? Então, é meio assim, você divide sua vida em caixinhas. A caixinha do trabalho, da casa, dos estudos, dos problemas… Umas caixinhas vão ficar mais cheias, outras mais vazias…

Aí você vai precisar criar a caixinha da felicidade onde você vai jogar tudo o que te agrada. Essa caixinha vai ter que ser impermeável, precisará de isolamento contra as caixinhas que aborrecem.

E esta caixinha vai ter que ter uma característica muito importante. Vai ter que ser uma caixa amplificada. As coisas que você colocar nela terão que receber de sua parte uma valorização bem maior que as outras. Tudo o que você colocar lá vai ter que parecer maior, mais intenso e sem dúvida mais importante.

Então, conforme você tiver que fazer as coisas, vai abrindo as caixinhas. Abre a caixinha do trabalho, vai, trabalha e fecha… Abre a dos estudos, vai, estuda e fecha.

Aí você abre sua caixinha de felicidade, onde estão todas as coisas que você gosta e como ela é amplificada, vai fazer mais barulho que as outras. E sua presença será mais sentida. Se der para não fechar após o uso, melhor ainda.

Aí está resolvido. Por mais que você tenha pouco tempo para sua caixa de felicidade, ela vai ter presença mais marcante na sua vida e você vai ter a impressão de que passa mais tempo com ela do que realmente passa.

Acho que só assim…

Agradecimento especial à Mari que fez a pergunta que originou esse texto.

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Incoerências da Vida

Posted in Olhares on 28/08/2012 by Kilminster

Vamos fazer uma conta simples. Em condições normais de temperatura e pressão, um dia tem 24 horas. Destas 24, passamos 8 dormindo (ou pelo menos deveríamos), restam 16.

Destas 16 em que estamos acordados, temos que trabalhar durante 8, com mais uma hora de almoço, 9. Restam 7. Das sete restantes, gastamos mais ou menos uma hora no trajeto casa-trabalho e outra no trajeto trabalho-casa, Restam 5.

Destas 5, gastamos 1 hora entre acordar, tomar banho escovar os dentes, preparar e tomar café, nos vestirmos e sairmos para o trabalho. Sobram quatro.

Destas quatro, levamos mais 2 para preparar uma janta rápida, jantar e lavar a louça.

Restam então, longas duas horas para descansar, ver TV, pegar um cinema, ir à academia, bater uma bola com os amigos, namorar, ler, fazer palavras cruzadas, aulas de violão, curso de fotografia, fazer caminhada, arrumar a casa, botar roupa para lavar, passar a roupa, consertar a tomada, fazer as unhas, ir ao cabeleireiro, fazer curso de inglês e espanhol, faculdade, pós-graduação, MBA, ir ao médico e ao dentista, dar uma varrida, fazer uma sobremesa, visitar um amigo ou parente, tomar uma cerveja e outras atividades do gênero.

Ao que me parece tem alguma coisa errada aí. Das 16 horas em que ficamos acordados, temos parcas duas horas para cuidarmos de nós mesmos e temos outras 14 dedicadas ao trabalho. Um desequilíbrio bastante sério, a meu ver. E isso porque a rotina descrita acima se refere a alguém sem filhos.
Dentro deste quadro, o que começa a acontecer? Reduzimos nossas horas de sono. Quem aqui dorme 8 horas por dia? Difícil, hein?

É totalmente sem sentido levarmos uma vida tão voltada ao trabalho quando na verdade o trabalho deveria ser o meio e não o fim. É como aquela história: “Você trabalha para quê? – Trabalho para comer. – E para que você come? – Para ter força para trabalhar”.

Isto tem reflexo direto nos finais de semana, que a CLT chama de descanso semanal remunerado. Descanso de quem? Nosso é que não é. Final de semana é hora de fazer tudo que ficou pendente da semana inteira. E aí ainda entra outra, trabalhamos cinco dos sete dias da semana, (isso para quem tem a sorte de um emprego de segunda-feira à sexta-feira), para termos dois de descanso, apenas.

Resultado: a maior parte de nossos dias e horas são dedicados ao que deveria ser apenas nosso meio de vida! Se trabalhamos demais e não temos tempo para dedicar a nós mesmos, não temos vida, temos meramente uma sobrevida.
Qual e o sentido de viver apenas para se manter vivo? Como já dizia Arnaldo Antunes, “a gente não quer só comida, a gente quer bebida, diversão e arte”!

Como aceitamos viver em um mundo em que o homem existe em função do trabalho? O trabalho é que deveria existir em função do homem. Mais uma vez a humanidade foi para o lado errado.

Involução

Posted in Viagens on 22/08/2012 by Kilminster

A humanidade tem tendência a rejeitar a evolução. Os ciclos históricos alternam momentos de maior liberdade com momentos mais austeros em que um controle maior se abate sobre as sociedades.

Quando se percebe que as coisas estão caminhando para um ponto onde as pessoas terão mais opções, liberdades de escolha e principalmente de pensamento, imediatamente uma corrente de restrições e reprimendas toma força.

Não necessariamente forças estritamente políticas ou autoridades estabelecidas por poderes militares ou paramilitares, mas esta contra-corrente coercitiva pode vir das mais diversas maneiras.

Religiões, seitas, correntes ideológicas, interesses desse ou daquele grupo, manipulação de informações, desde o ensino formal, até à imprensa, restrição do acesso à educação, sucateamento da mesma, sensacionalismo, dogmatismos e desestímulo ao senso crítico são formas de restrição de liberdades.

Muito mais desumana que uma ditadura estabelecida, que dá as caras e mostra quem ela é, é a restrição de liberdades que se dá na raiz do pensamento humano, aquela que faz com que o indivíduo não perceba ou sequer sinta ter sua liberdade limitada.

Aqueles que detêm o poder relutam em abandoná-lo ou compartilhá-lo, então usam todas as formas que podem para evitar serem contestados. Como os tempos atuais já não admitem com facilidade imposição física e brutalidades, então trabalham de modo muito mais profundo e muito mais grave.

Multidões são simplistas, manipuláveis e inflamáveis. Por isso é assim que se faz. Sempre com as massas.

Mas a humanidade tem tendência à involução, portanto este processo sempre ocorre.

E a falta de espelhos ajuda bastante.

Resposta Para Tudo

Posted in Viagens on 15/08/2012 by Kilminster

 

Quem me dera ter resposta para tudo. Saber o que vai na cabeça dos outros e principalmente na minha, mas não é assim. Há muitas coisas que escapam às minhas limitações e se tornam um buraco negro no cérebro.

Mas quem é que sabe de tudo, não é verdade? Todos têm lá no fundo suas dúvidas, incertezas e medos. Todos, mais dia menos dia se vêem sentados à beira da estrada tentando decidir para qual lado seguir.

Tá aí uma coisa difícil… saber sempre o que fazer. Às vezes é melhor andar a esmo pelo caminho pra ver se lá na frente as coisas são mais claras, se a direção é mais óbvia. Às vezes não adianta se precipitar.

Se tudo na vida fosse óbvio, as coisas seriam mais fáceis e seriam muito mais chatas também. O que se pode aprender neste mundo se a gente chegar aqui já sabendo sempre o que fazer. Temos que dar algumas cabeçadas de vez em quando e sabedoria é o nome que se dá à habilidade de se evitá-las.

Sabedoria não quer dizer erudição, erudição pode ser às vezes um disfarce para as fraquezas, precisar sempre de uma referencia para expressar o que você mesmo sente…

Não tenho resposta para tudo. Nem pra mim nem pra ninguém. Queria ter… mas talvez o mais divertido seja buscar as respostas aos poucos e olhar pra trás e dizer: como eu não percebi antes!!!

Talvez o incômodo das incertezas seja o impulso para que o mundo mude de lugar

Quem Inventou a Preguiça, Hein?

Posted in Olhares, Viagens on 13/08/2012 by Kilminster

 

Quem inventou a preguiça, hein? Como essa sensação tem o dom de nos dominar com tanta facilidade e tão rápido que faz com que sejamos capazes de trocar nossos reinos por uma rede em uma varanda ensolarada?


Ou então um sofazinho com um filme bem bobo, daqueles que a gente pode dormir mais da metade que ainda assim dá pra entender o final.


Tem dias que não tem jeito, o despertador toca, você levanta, lava o rosto, se estica todo, joga água na cara outra vez, se troca, toma café e mesmo assim, ela continua instalada dentro de nosso ser. Os braços ganham um peso absurdo e ficar em pé no ônibus ou no metrô é um sacrifício.


Aí você chega no trabalho e compreende boa parte do que se convencionou chamar “baianidade”. Tu olha pra pilha de sérviço e diz: viiiixi!

 

Mas não tem jeito então você se atira à papelada. E o que acontece? Nada. A gente fica lá, mexe as coisas pra cá, mexe pra lá, se ajeita de novo na cadeira, olha fixo pra tela do computador, e olha, e olha, e olha… Aí o telefone toca! Que susto! Demora uma eternidade só pra gente entender o que está acontecendo.


Aí as horas passam e a gente começa a se sentir cansado, mas a papelada continua lá, intacta. Talvez até um pouco aumentada, mas está lá, olhando pra nossa cara e se a gente reparar direito, até parece que ela está rindo. Desaforo.


Nesses dias de preguiça crônica, o relógio não anda, o café não adianta, o fim de semana fica looooonge, mesmo na sexta, e o chefe parece que fica atacado! Lamentável.


Quem será que inventou a preguiça? Essa sensação é até legal, mas só se a gente pode ficar em casa, se as obrigações e afazeres da vida moderna nos impelem a sairmos de nossas caminhas, quentes e macias, é uma droga…

 

Aí têm aqueles remedinhos da TV pra gente ficar mais disposto e feliz e dar conta de tudo com um sorrisão no rosto. Sinceramente eu preferia que alguém inventasse um remedinho para diminuir o serviço. Maravilha! Um comprimido antes de cada refeição e está resolvido. A papelada se organiza automaticamente, se compila em relatórios e gráficos e pronto! Isso sim me traria aquele sorrisão do comercial! Aí, com o tempo que sobrasse, a gente poderia fazer alguma coisa realmente relevante e interessante para a humanidade.

O Menor Mês do Ano.

Posted in Viagens with tags , , on 06/08/2012 by Kilminster

Fevereiro?  Que nada, o menor mês do ano é o seu mês de férias, seja ele qual for.

Impressionante como ele passa rápido e você não consegue fazer tudo que queria ter feito, nem descansar tanto quanto gostaria de ter descansado. Foi um mero piscar de olhos e já chegou o dia de voltar.

Pode comparar, um mês entre um salário e outro demora muito mais a passar, já as férias…

Aí a volta é um martírio. Até entrar no ritmo, se adaptar, tomar pé do que está acontecendo, absorver mudanças, lembrar senhas de sistema, ler e-mails atrasados… Ao fim de uma semana, você já está mais cansado do que estava antes de sair.

Enfim, este é o triste destino daqueles que não são rockstars, apresentadores de programa de turismo e ganhadores da mega-sena.

E tome mais um ano de trabalho árduo.