Arquivo para julho, 2012

… and so remains…

Posted in Viagens on 31/07/2012 by Kilminster

“Dicen que la distancia es el olvido”, diz o velho bolero, mas logo em seguida vem o verso “Pero yo no concibo esta razón”.

Tal como está posto, tal como é. Distância não é esquecimento e nem será.

Certos laços não se medem em quilômetros, ou sequer em anos.

São tão complexos que pouco se pode explicar. São coisas que exemplificam perfeitamente o que se entende por “abstrato”.

Se há algo que não é palpável, não se pode ver ou tocar, são estes. Mas são fáceis de perceber.

Duram tanto quanto uma das pontas permanece presa. Uma apenas. Mesmo que a outra tenha sumido no tempo, se esvaído na distância ou se perdido por aí.

Sempre haverá um ponto de convergência no espaço-tempo onde tudo permanecerá.

Fica no Raso, Menino!

Posted in Momento Sr. Saraiva, Olhares on 25/07/2012 by Kilminster

Fica no raso, menino! Vai que você se afoga!

Fica no raso, porque no fundo é perigoso.

Fica no raso, porque senão o mar te leva.

Fica no raso, menino! Vai que você se afoga!

Vai que você chega no fundo e vê como lá é lindo.

Vai que descobre outras cores, outras visões.

Vai que descobre outra vida.

Fica no raso, menino! Vai que você se afoga!

Vai que o mar te leva e você percebe como teu mundo é pequeno.

Vai que você chega do outro lado e vê que lá é bom.

Vai que você chega do outro lado e vê que eu já não te basto.

Fica no raso, menino! Vai que você se afoga!

Vai que o mar te leva e você aprende a nadar.

Vai que liberta teus movimentos e tuas vontades.

Vai que escapa das minhas mãos.

Fica no raso, menino!

 

 

London Calling

Posted in Sons, Tem Que Ouvir with tags , , , on 23/07/2012 by Kilminster

Meu querido amigo Pistola “el Diablo” Concha sempre diz que acha este o melhor álbum dos anos 70.

De cara eu concordei, mas depois de pensar um pouco fui obrigado a mudar minha opinião. Simplesmente porque, apesar de ter sido lançado em 14/12/1979, London Calling não é um álbum dos anos 70.

Muito mais do que ser a síntese do som dos anos 70, o terceiro álbum do Clash inaugura os anos 80, da mesma forma que o emblemático Led Zeppelin II, lançado em 1969, fez nos anos 70. Tudo que é encontrado neste disco se faz muito mais presente na década seguinte do que na que foi lançado.

Punk, psychobilly, pós-punk, reggae, ska e a melancolia pop que fez a alegria da cena de Manchester estão espalhados pelas 19 faixas deste LP duplo.

London Calling ecoa em praticamente tudo que foi lançado nos anos seguintes e três décadas depois ainda soa relevante.

Por isso penso que este disco, muito mais do que representar a década de 70, mete o pé na porta e diz o que seria dali por diante.

É um dos melhores discos de todos os tempos e absolutamente obrigatório em qualquer coleção de rock que se pretenda minimamente respeitável.

Destaques: O disco todo, mas para ficar no básico, Lost in the Supermarket, Brand New Cadillac, Spanish Bombs, a faixa título e Train in Vain.

Blog em Férias

Posted in Uncategorized on 11/07/2012 by Kilminster

Intervenções esporádicas podem ocorrer, mas não é uma promessa!

Lei de Murphy

Posted in Olhares, Viagens with tags on 04/07/2012 by Kilminster


Tem dias em que não dá! Simplesmente não acontece. Você tenta, faz, pensa, corre, procura e não consegue fazer nada. Parece que é uma espécie de conspiração do mundo inteiro contra a sua pessoa. Tudo e todos fazem questão de estar contra você!


É o ônibus que sai um segundo antes de você chegar ao ponto, o metrô que fecha a porta na sua cara, os semáforos que ficam rindo da sua cara, vermelhinhos, vermelhinhos.


Já reparou que isso só acontece quando você tem as coisas mais importantes para fazer? É a Lei de Murphy que insiste em debochar de nossa cara! Diz o enunciado da dita cuja “Se existe a menor possibilidade de alguma coisa dar errado, ela dará”.

 

Exemplos práticos abundam ao nosso redor.


Alguém já teve que sair de um ônibus quebrado em um dia em que saiu para passear sem nenhuma pressa? Não! Isso não acontece! Mas se for no dia em que você tem uma entrevista para emprego, primeiro dia no emprego novo, reunião inadiável com aquele cliente chato que finalmente te deu uma chance, pode ter certeza: é todo mundo para fora do busão e toca esperar o próximo, que vai chegar lotado, é claro.


E trocar pneu vestido para um baile de formatura? Se estiver chovendo vale dois pontos. Eu jamais troquei um pneu depois do futebol, quando eu já estava sujo e suado, em compensação, quando estava pronto para ir trabalhar…

 

Isso fora outras menos importantes, mas igualmente irritantes, como por exemplo, em vez de transmitir o clássico envolvendo seu time do coração, a TV resolve exibir Arapiraca x Goiatuba, ou então um filme água com açucar, com a Meg Ryan ou Julia Roberts.


Tem também aquele professor que altera a data da prova no dia em que você não foi à aula e te pega de surpresa, sem saber de nada. Nem data nem matéria. Mais ou menos como o chefe que sorri para você na sexta e diz: “Preciso de você amanhã”.


E quando o coitado, que mora em um prédio de apartamentos, chega com as compras do mês e encontra na porta do elevador o aviso “Em Manutenção”?


Falando em compras, na sua frente, na fila do caixa, não tem sempre uma tiazinha com os folhetos de ofertas de duzentos outros supermercados fazendo com que o caixa tenha que conceder desconto para cada um dos itens dos dois carrinhos que ela encheu? Aí você fica olhando para o pote de sorvete que você comprou derretendo no seu carrinho.


Aí você resolve ir ao cinema e descobre que o filme que você escolheu também foi o escolhido por uma horda de adolescentes que estão cabulando aula, preocupadíssimos em serem populares e se lixando para o filme.


No fila do cinema, também acontece aquela coisa de ter um grupo de sete ou oito pessoas na sua frente que descobre que o filme que eles queriam ver está com a sala lotada. Aí ficam decidindo na boca da bilheteria qual outro eles querem ver. Será que o tempo todo que eles ficaram na fila não deu para escolher uma segunda opção?


É impressionante como a dita Lei de Murphy se manifesta o tempo todo! É impossível estar imune a ela. Ela pode até te dar uma trégua, mas não se rende jamais. Quando você menos esperar… Ela te pega!

Comprando no Escuro

Posted in Sons, Viagens with tags , , , on 03/07/2012 by Kilminster

Começaram as vendas para o festival Planeta Terra 2012.

Badalado nos últimos anos, em que foi realizado no Playcenter, o festival ganhou notoriedade por trazer grandes nomes, em especial da cena Indie Rock, e por sua organização, muito distante dos padrões conturbados dos demais festivais brasileiros

Até aí tudo bem, afinal de contas, o que é bom deve ter continuidade. O problema é que a exemplo do que acontece em festivais americanos e europeus e que já vem acontecendo no Brasil há algum tempo, os ingressos têm sido postos à venda sem que o line-up do festival esteja fechado

Em se tratando de um festival de música, supõe-se que quem comparecerá são fãs de música. Mas se o line-up não está fechado, como saber se este será do seu agrado

Ok, você pode achar que é uma oportunidade de conhecer coisas novas e ser surpreendido, mas é como comprar uma pizza e não saber qual será o sabor. Pode vir uma coisa que você gosta, uma que você não gosta, uma novidade que te agrada e ainda uma invencionice gastronômica à base de fígado de rã

Aí o que acontece, o festival fica cheio de gente que foi lá só pelo evento, como se fosse a uma balada, de muderrrninhos que não querem perder a chance de participarem de um evento descoladinho, enfim, de gente que não necessariamente sabe o que está fazendo ali, deixando vários fãs que gostariam de estar lá

Se você não tem dinheiro sobrando, não pode arriscar desse modo. Aí a organização do festival orgulhosamente anuncia sua banda favorita quando os ingressos já estão esgotados. E você fica a ver navios enquanto alguém que não dá a menor importância está lá dentro

Festival hoje em dia é comprar no escuro. Vai encarar?