Sala de Impaciência

É sempre igual, onde quer que seja. Pode ser do médico, do dentista, da agência de turismo, da repartição pública… Independente de ser mais sofisticada ou mais simples, ou mais ou menos confortável, as salas de espera são sempre a mesma coisa.
Todo mundo chega, passa pela recepção, às vezes pega uma senha, procura o lugar mais afastado dos outros e senta. Quando tem televisão, todo mundo fica olhando, prestando só meia atenção. Senão, folheiam revistas velhas, especialmente as de fofocas ou as de entidades de classe que os médicos adoram deixar por ali.
Ademais, ficam reparando uns nos outros, tentando imaginar o que o outro veio fazer ali, se vai demorar. Imaginam que aquela moça poderia fazer o menino parar quieto em vez de ficar subindo na mesa de centro e que a velhinha aposentada poderia deixar o primeiro horário da manhã para as pessoas que vão sair dali direto para o trabalho. E tem sempre aqueles que tentam puxar as conversas mais sem graças possíveis.
As pessoas sempre ficam com aquela sensação incômoda de estarem sendo observadas e avaliadas. Os gestos ficam engessados, calculados, artificiais. Ninguém quer se tornar o centro das atenções.
Quando as pessoas começam a serem chamadas, começam as ondas de indignação. Porque um chegou primeiro, o outro tinha hora marcada, e não sei quem tem que ir trabalhar, e aquele lá está passando mal… Uma maluquice.
Apesar de estarem todos em uma sala de espera, ninguém quer esperar de fato. Sala de espera é sala de impaciência.

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