Cobain x Dunga

Completos vinte anos do lançamento do agora lendário Nevermind do Nirvana, chega a hora de olharmos para trás e tentar entender qual foi o legado que este disco nos deixou, passado todo esse tempo e considerando o impacto que ele teve sobre o rock and roll e principalmente sobre a mídia envolvida no assunto.

O que consigo perceber é que levando-se tudo em consideração, o efeito do Nirvana e seu Nevermind no rock, é mais ou menos o mesmo do Dunga, (não como técnico, mas como jogador), no futebol brasileiro.

Depois das Copas de 82 e 86, onde apesar de apresentar um futebol vistoso a seleção brasileira acabou derrotada, o volante Dunga passou a simbolizar o novo perfil de jogador. Pragmático, raçudo, de talento limitado, acabou sendo o líder do time campeão de 1994 na única final de Copa do Mundo a terminar 0 x 0.

Desde então, o futebol brasileiro passou a valorizar técnicos e esquemas táticos, aplicação e disciplina em detrimento do talento, irreverência e improviso, tão peculiares ao futebol tupiniquim e que sempre encantaram o mundo. Tudo em nome do resultado, o fim justificando os meios. Tirou-se do futebol sua razão de ser, a diversão.

Com o rock pós-Nirvana a mesma coisa. Solos de guitarra viraram quase um insulto. Se a banda capricha nas partes instrumentais é desdenhada. Alto volume para disfarçar falhas virou item obrigatório. Bandas que não conseguiam reproduzir ao vivo suas próprias músicas, (Nirvana incluso), viraram o ‘cool’.

Em vez do artista excêntrico, que ousava fazer o que ninguém mais poderia e que parecia estar em outro patamar, passou a se dar valor para caras que eram exatamente iguais à platéia. Um comum, que fazia música comum de um jeito comum.

Resultado, milhares de bandas comuns fazendo sons comuns se sucedendo no gosto da crítica que passou a apontar uma salvação do rock por semana.

Ninguém veio de verdade para chutar a porta. Temos agora uma enxurrada de bandas que quase pedem desculpas por existirem, ou então que se esmeram demais em desarrumar cuidadosamente os cabelos para parecerem despretensiosos. O blasé é o hit do momento.

Rockstars são e devem ser pretensiosos, uma vez que devem querer ser dignos de nota. Devem ser arrogantes, pois ninguém que acha que deve ser notado é verdadeiramente humilde. E devem gostar ou ao menos saberem aturar os holofotes, câmeras, microfones, paparazzis e tudo que vem com a fama. Caso contrário, bibliotecário talvez seja uma profissão mais indicada.

Muito em comum...

3 Respostas para “Cobain x Dunga”

  1. Faz todo o sentido do mundo! rs… \m/

  2. Benjamin Bruno Says:

    Falou tudo que eu queria falar, mas não conseguia. De agora em diante vou plagiar este texto para falar do nevermind.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: