Arquivo para 12/10/2010

SWU

Posted in Sons with tags , , , on 12/10/2010 by Kilminster

Podia muito bem ter se chamado Itu Rock Fest ou coisa que o valha, porque afinal de contas o papo todo de sustentabilidade ficou na teoria. Na prática, o que se via eram montanhas de lixo, preços abusivos, filas intermináveis e pessoas despreparadas para o atendimento ao público em um evento tão grande.

Não era permitido acessar ao recinto dos shows portando qualquer tipo de alimento, regra que qualquer um que já tinha ido a um show na vida conseguiu burlar. O problema é que para que fossem revistadas todas as bolsas e mochilas a fila na porta era de quase uma hora.

Lá dentro, cerveja a R$6, refrigerantes a R$5 e os demais preços seguindo a escala de extorsão. Os banheiros, para quem conhece o Zoológico de São Paulo, lembravam o recinto dos bisões. E sequer havia aquelas latas de lixo coloridas para reciclagem.

Sem falar que essa coisa de pista premium, banheiro premium, praça de alimentação premium é uma palhaçada.

Mas vamos ao que interessa, a música.

Fui só no 3º dia e entrei mais ou menos na metade do show do Yo La Tengo, que por sinal fez um show correto, mas que deixou claro que não é feito para grandes arenas. Muito hermético e cheio de improvisações, não caiu nas graças do público heterogêneo do festival.

Em seguida os irmãos Cavalera subiram ao palco com seu Conspiracy e mostraram com quantos brasileiros se faz um show de metal. Honrando a tradição iniciada com o lendário Sepultura, despejaram muito peso e carisma sobre a galera, mostrando grande domínio da platéia e que fazem inflar o orgulho nacional. Não faltaram clássicos da antiga banda dos irmãos e nem músicas do próximo álbum a ser lançado. Ponto negativo foi o guitarrista solo que parece ter ficado em algum momento no fim dos anos 80.

Na seqüência o Avenged Sevenfold fez o show mais chato da noite. Um metalzinho muito do mais ou menos, sem nenhuma novidade e nem nada especial. Sem falar que todas as músicas se parecem.

Depois o Incubus fez um bom show, alternando momentos mais calmos com agitação. Não é aquela banda que muda sua vida, mas a competência deles fez com que fosse uma boa atração no festival.

Depois de um belo atraso, subiram ao palco Josh Homme e os doentes do Queens of the Stone Age. Sem dó nem piedade baixaram o porrete de clássicos e peso encima da platéia atropelando quem estivesse na frente, fazendo sem dúvidas o melhor show da noite. Um rolo compressor mostrando do que o rock and roll é feito.

Para completar, o Pixies, que já pode ser considerado um dinossauro, (não lança nada desde 1991), fez um ótimo show, redondo e tendo Kim Deal como a responsável por conectar banda e público. Músicas executadas com precisão, energia e emoção agradando mesmo aos não fãs.

Já o Linkin Park eu não fiquei pra ver porque meu ouvido não é penico.

Vale ressaltar que o som estava ótimo em todas as apresentações e que o local era extremamente agradável. Uma arredondada na infra-estrutura e a humanização dos preços e teria sido perfeito.

O que faltou mesmo foi a sustentabilidade.

 

 Ir ao banheiro no SWU era o mesmo que entrar aí