Arquivo para abril, 2010

Improvisando

Posted in Viagens with tags on 23/04/2010 by Kilminster

Primeiro vem o tema. Toda a direção sai daí, os encadeamentos, a harmonia, o andamento… A partir daí nós já sabemos onde estamos e sobre quais bases caminhamos.

Então vem a liberdade: inversões, quebras, contratempos, melodias, dinâmicas…

O clima do dia é que vai ditar as regras. Se vai ser mais baixo, mais alto, mais alegre, mais triste, mais quente, mais frio… Os caminhos são muitos e as possibilidades infinitas. Não há limitações, apenas parâmetros e dentro deles o que vale e ir ao sabor da levada deixando sair cada sentimento, recriando o que já existe e fazendo do velho o novo, reciclando sabores, texturas e imagens.

No fim, era sempre o mesmo tema, mas de um jeito diferente.

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As Mentiras que Eles Contam

Posted in Olhares, Viagens on 13/04/2010 by Kilminster

“Somente para as dez primeiras pessoas que ligarem”

 “Você ainda leva, totalmente grátis,…”

 “Sucesso de vendas nos Estados Unidos e na Europa”

 “Os menores juros do mercado”

 “Aqui você fala mais por menos”

 “Mãos suavemente secas com apenas duas folhas”

Perigo!

Posted in Viagens with tags , , on 09/04/2010 by Kilminster

A vida moderna nos trás muitos perigos, assaltos, acidentes e catástrofes como terremotos, deslizamentos e inundações. Porém, há outros perigos que muitos negligenciam mas que muitos danos podem causar à nossa integridade física e até à vida!

É fato consumado que pouquíssimos cidadãos estão atentos ao perigo que representa caminhar em uma rua do centro, especialmente as de calçadão, nos dias de chuva. Além dos escorregões e mergulhos em poças, um desatento transeunte pode ser cegado pela vareta de um guarda-chuva dos milhares de assassinos em potencial que muito lampeiros saem às ruas com suas sombrinhas macabras. Ainda mais assustador é perceber que a maioria desses maníacos são velhinhas que não passam de um metro e meio de altura.

Não obstante estes ataques covardes em dias de chuva, estas mesmas crudelíssimas senhorinhas, atacam suas vítimas impiedosamente nas feiras livres atropelando os pés dos pobres fregueses com seus carrinhos cheios de mandioca, batatas e laranjas.

Acha pouco? O que dizer então dos ataques que elas perpetram nos transportes coletivos? A despeito de terem o dia inteiro livre para transitarem por onde bem entendem, estas anciãs dão preferência aos horários de pico e nunca estão desarmadas. Sacolas, bolsas e pacotes diversos, sempre em dimensões acima do aceitável, são arrastados para lá e para cá desequilibrando e atingindo as canelas daqueles que por infelicidade se encontram à sua volta.

É uma calamidade, senhoras e senhores. Nunca se deu atenção a este assunto tão polêmico e continuamos vulneráveis a tais agressões. A omissão das autoridades é impressionante. Contamos apenas com nós mesmos para nos defendermos. Mantenham-se em alerta!

Inofensiva?

Sem Saída.

Posted in Olhares, Viagens with tags , on 06/04/2010 by Kilminster

Estava tudo bem, tudo certo, tudo tranquilo, mas eis que de repente, sua garganta começou a raspar. Só um pouquinho, bem lá no fundo. Ok, até aí sem problemas, mas então você começou a sentir uma pressão estranha no nariz e nos olhos, respirou fundo e o ar não entrou como deveria, ainda por cima fez aquele chiadinho estranho. Mas intrépido como é, você ignorou e continuou seu dia normalmente.

Só que ao mesmo tempo em que sua garganta começou a arranhar mais, você passou a ter uma estranha sensação por toda a pele, uma coisa muito esquisita, como se você estivesse todo arranhado e qualquer coisa que esbarrasse daria aquela sensação incômoda de cutucar uma ferida.

E antes que você se desse conta, as têmporas já pareciam estar sendo apertadas por uma morsa e uma sensação de tontura batia como um martelo na cabeça cada vez que você tentava levantar.

Então, sentindo a boca seca você percebeu que seu nariz além de entupido, escorria incontrolavelmente. Levantando-se rapidamente, você correu até o banheiro e no espelho viu a própria cara inchada, de olhinhos caídos, avermelhados e brilhantes.

Finalmente você teve que admitir, estava com gripe. Ela te pegou, não adiantou nada fugir, ignorar e disfarçar. Ela chegou devagar, sorrateira, aos poucos e te dominou completamente. Agora, nada a fazer, a não ser esperar ela ir embora e de deixar de nariz assado, sono atrasado e com um monte de remédios no estômago.

Em gênero, número e grau…

Posted in Olhares, Sons with tags , , , , on 01/04/2010 by Kilminster

Por Régis Tadeu

 O Pink Floyd está certo!

 

Embora tenha sido bastante anunciada nos meios de comunicação dentro da internet – e estou incluindo os blogs nisso -, pouca gente deu importância à vitória que os integrantes do finado Pink Floyd conseguiram há duas semanas na Alta Corte de Londres contra a sua própria gravadora, a EMI, com quem a banda tem contrato desde 1967, quando lançou o mítico álbum The Piper at the Gates of Dawn.

Em um julgamento por conta de uma disputa sobre direitos autorais e venda de música na internet, o juiz Andrew Morritt acatou a argumentação dos advogados do grupo de que a EMI não pode mais “esquartejar” (este termo é meu!) os álbuns dos caras e vender cada uma das faixas isoladamente a quem esteja interessado em adquirir apenas determinadas canções.

Com a decisão da corte, a gravadora é obrigada a respeitar o contrato assinado com a banda, que contém uma cláusula que determina que os discos em configuração original, visando preservar a integridade artística dos mesmos. Ainda na mesma ação, o juiz também deu ganho de causa ao grupo na questão de direitos autorais pagos aos integrantes pela EMI, que alegavam que a gravadora “errava nos cálculos desses pagamentos”, um eufemismo para “somos roubados há décadas e agora chega”.

Sim, eles venceram…

Confesso que fiquei abismado com a justificativa da gravadora, que dizia ter o direito de fazer isso porque o contrato só valia para os discos “físicos”, em um exercício inacreditável de cinismo e cara-de-pau. Isso dá mais um exemplo de como as gravadoras – em especial a EMI – ainda não entenderam o que está acontecendo no mundo.

E saiba que os caras do Pink Floyd não estão sozinhos. Paul McCartney, Ringo Starr e as viúvas de John Lennon e George Harrison também ameaçaram processar a EMI caso a gravadora venha a vender on-line e individualmente as canções do Beatles. A mesma coisa fez o pessoal do AC/DC.

Você ainda tem dúvidas de que foi essa postura da EMI – fazer o que bem entender sem o consentimento de seus contratados – que levou os Rolling Stones, o Paul McCartney e o Radiohead a darem uma “banana” para a gravadora inglesa? Não por acaso, a EMI entrou em um aparentemente infinito “inferno astral” desde que foi comprada pela Terra Firma. Os burocratas e novos donos chegaram mesmo a anunciar que o estúdio Abbey Road seria demolido! A gritaria contra foi tamanha que os caras tiveram que voltar atrás, com o rabo entre as pernas…

Mas o que chamou mesmo a minha atenção foi a disposição da banda em não permitir que a EMI continuasse a vender downloads de músicas isoladas pela internet e trechos de canções para ringtones de celulares. Sabe por quê? Porque os caras do Pink Floyd estão certos.

Todo mundo que tenha morado neste planeta nos últimos cinquenta anos sabe que o grupo sempre estabeleceu diretrizes conceituais em seus discos, notadamente nos antológicos Dark Side of the Moon e The Wall. É mais do que justo que um artista ou banda deseje manter um controle artístico sobre a sua própria obra e é absurdamente correto que uma gravadora consulte os seus contratados antes de tomar qualquer atitude referente aos destinos comerciais da parte mais interessada – no caso, os próprios artistas.

E há um outro aspecto a ser considerado, que é a maneira como as pessoas ouvem músicas hoje em dia. Alguém pode me explicar qual é a vantagem de você ter 4.974 canções dentro de um iPOD e não prestar atenção a nenhuma delas? Qual é a vantagem de colocar essa mesma quantidade de canções para rodar com a função “shuffle”, que permite você ouvir Radiohead e Fábio Junior na seqüência?

Ok, você pode argumentar que essa “mistureba” tem hoje a mesma função do rádio no passado, mas desde quando a gente realmente conhecia o trabalho de um grupo ou artista unicamente pelas canções que tocavam no rádio? Você tomava contato com a obra de uma banda ouvindo os seus discos em sua totalidade, com cada faixa estrategicamente colocada ao longo do LP.

Sim, você pode achar que sou um tiozinho saudosista – o que não é verdade -, mas tem que reconhecer que hoje a molecada “escuta música”, não “ouve música”. É preciso que as pessoas entendam que as canções sempre fazem parte de um todo. Você compraria apenas alguns capítulos de um determinado livro ou somente certas cenas de um filme? É claro que não! Pois com os discos é a mesma coisa. Acredite.

A não ser que você seja um debilóide fã de Hanna Montana ou da Gaiola das Popozudas, você deve estar neste exato momento pensando naquilo que acabei de escrever…