Arquivo para março, 2010

Enquanto Isso, na Bárbara Idade Média

Posted in Olhares with tags , , on 30/03/2010 by Kilminster

Em um vilarejo bávaro, uma camponesa de nome Geisy se dirige ao mercado com um inapropriado traje vermelho.

Além de o decote exibir boa parte de seu colo, as saias são extremamente curtas deixando à vista suas canelas.

A população indignada e enfurecida grita: Bruxa! Prostituta! Prostituta! Queimem-na! Queimem a bruxa!

Os guardas logo aparecem e a arrastam para a Igreja onde o bispo e os padres a interrogarão segundo os preceitos da Santa Inquisição.

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No sul da Itália, um comerciante de nome Nardoni e sua mulher são acusados de matar uma criança, filha do primeiro casamento dele.

Reclusos nas masmorras há quase dois anos, ambos são levados a julgamento diante de todas as autoridades locais.

O populacho se acotovela às portas do palácio do duque, onde se dá a sessão e gritam: Enforquem-nos, enforquem-nos! Escória! Possuídos pelo demônio! Vamos expurgar o mal do mundo. Enforquem-nos agora! Justiça, justiça! Enforquem-nos diante de nossos olhos!

Deslocando

Posted in Viagens on 24/03/2010 by Kilminster

É impressionante a vocação do ser humano para a inadequação. Parece que sempre chegamos atrasados. Nunca sabemos o que e como fazer nas horas em que precisamos.

Passamos a infância inteira pensando em que vamos ser quando crescer, fazendo planos disso, daquilo, querendo ser um monte de coisas e esquecendo de ser crianças.

Aí viramos adolescentes e chegam todas aquelas inseguranças, dúvidas, decisões que precisam ser tomadas, escolhas de cursos, faculdades, empregos…

Depois adultos, e casa, carro, contas, financiamentos, trabalho, dinheiro, escola dos filhos, um milhão de preocupações que nos fazem não prestar atenção em nossos avós dizendo que o importante da vida são as pequenas coisas, os detalhes.

É uma pena que nós sempre estejamos prontos para uma fase quando esta já passou. Estamos sempre tentando viver um passo à frente e nunca sabemos de verdade o que fazer no agora.

Fico pensando como teria sido se na adolescência já tivéssemos consciência de determinadas coisas. Talvez pudéssemos ser um pouco mais inconseqüentes e irresponsáveis, não nos levado tão a sério como é tão comum nesta época em que buscamos afirmação.

Ou então termos, quando crianças, a capacidade de responder “nada, não penso nisso” quando nos perguntam o que queremos ser quando crescermos.

E na vida adulta a capacidade de aceitarmos que o mundo não acaba com a gente e que não podemos e nem devemos tentar resolver todos os sofismas da humanidade, sabendo que às vezes os mais velhos ou os mais novos é que saberão determinadas respostas.

Impressionante a vocação do ser humano para sempre complicar sua vida ao máximo.

Drop

Posted in Viagens on 20/03/2010 by Kilminster

Uma pequena gota de água manchada de vermelho escorre.

Vai descendo e diluindo em tons de rosa.

Segue calmamente o relevo, desvia em cada contorno.

Às vezes se espalha, ás vezes se junta.

E segue a descida, ora lentamente, ora mais rápido.

Por vezes ameaça pingar, mas se retém.

Tensa e trêmula ensaia o salto, indecisa.

Finalmente cai, encontra o destino e volta a escorrer.

Junta-se a muitas outras gotas e vai embora.

Segue seu caminho em busca do mar.

Adeus, Glauco!!!

Posted in Olhares with tags , , , on 12/03/2010 by Kilminster

Desenho por Fábio Rex.

Slowly Passing By

Posted in Olhares, Viagens on 11/03/2010 by Kilminster
Não era a chegada, era o caminho.
Não era espaço, era tempo.
Não eram luzes, eram cores.
Não era paisagem, era cenário.
Não eram gestos, era dança.
Não eram palavras, era música.
Não era vida, era arte.
Não era, é.

Ah…..

Posted in Momento Sr. Saraiva, Olhares on 10/03/2010 by Kilminster

Chega a ser irritante como uma coisa teoricamente pequena pode causar tamanho descompasso. Uma coisa que era para ser de um jeito, passa a ser de outro e o resto todo fica comprometido. Não sei se chega a ser um “efeito borboleta” mas com certeza desencadeia uma série de fatos, mais ou menos importante e mais diretamente ou indiretamente que podem comprometer um encadeamento de situações de uma forma absurdamente séria.

Não que vá haver mais explicações aqui, mas é impressionante como a falta de noção de um indivíduo pode obrigar outro a passar por uma pequena série de inconvenientes que podem causar no mínimo uma onda de mal humor na vítima.

Será que é tão difícil assim enxergar as coisas de um modo mais amplo e sem atropelar o cenário à frente? Entender que os outros não são satélites gravitando envolta do astro-mor?

Agora cada um que se resolva para fazer o que tinha que ter feito antes e não pode por decisão de um iluminado qualquer. E que também que arque com as conseqüências na sua vida, porque a dele continua da mesma forma.

No Mínimo Curioso

Posted in Momento Sr. Saraiva, Olhares with tags , , , on 05/03/2010 by Kilminster

No mínimo curioso. 

Em Cingapura é  proibido mascar chicletes. O governo local alega que o uso de goma de mascar pode provocar sujeira nas cidades e que é difícil de limpar. Seguindo este raciocínio, qualquer comida pode provocar sujeira, portanto em breve será proibido comer em Cingapura.  Se você for para lá e levar um chicletinho, poderá ser considerado um traficante! 

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 Uma mãe e seus filhos resolveram se divertir no rigoroso inverno americano e esculpiram uma “Vênus de Milo” na neve. Um vizinho ofendido com os seios da escultura de gelo chamou a polícia que obrigou a família a cobrir a indecência, o que eles fizeram com parte de cima de um biquíni e uma canga. É impressionante o quanto pode ser pornográfico um boneco de neve, não acham? Ah! O país da liberdade…

Chuva

Posted in Olhares with tags , on 03/03/2010 by Kilminster

Gosto quando chove. Acho que quando a chuva cai uma doce melancolia toma conta do mundo. Ele parece ficar mais poético. Um tanto mais triste, mas com uma beleza toda peculiar. É engraçado ver a cara das pessoas se escondendo dos pingos. Todas fazem aquela cara meio aborrecida com um olhar distante enquanto olham a água que bate no chão. Parece que a chuva faz pensar.
Chuva de verão é rápida, pesada e forte. Vem e vai de repente lavando tudo de uma vez. Pega todo mundo desprevenido no meio da rua sem dó nem pena. Já a chuva de outono é fina, constante, persistente. Molha aos poucos, e molha sempre.
Gosto de ver a chuva na cidade. O asfalto molhado brilha e os carros quando passam fazem um barulho curioso, como que um chiado. As luzes da rua se espalham pelos pingos de chuva nos vidros das janelas e à noite formam desenhos luminosos como estrelas no céu escuro. Do alto dos prédios dá para ver o balé dos guarda-chuvas, em sua maioria pretos, sempre com um colorido no meio para fazer o solo.
Quando chove no campo, primeiro vem o cheiro de terra molhada, que os interioranos chamam de cheiro de chuva, e logo podemos avistar ao longe os raios e ouvir os trovões. Ás vezes dá para ver a chuva vindo de longe deixando as plantas verdes e felizes e fazendo com que os rebanhos se agrupem com as cabeças baixas. Quando a tempestade vai dissipando e o sol começa a dar o ar de sua graça, o arco-íris deita suas cores pelo céu cinzento.
Quando chove no mar, ele vira um espelho cinza do céu e as ondas nervosas tentam competir com as águas que caem. Fica perigoso e fascinante. Poucas coisas são tão belas e assustadoras quanto o reflexo dos raios nas águas turbulentas do mar em tempestade.
Barulho de chuva dá vontade de ficar na cama, mesmo que não seja pra dormir. É só ficar lá fazendo nada e ouvindo a chuva bater no chão enquanto pensa na vida, ou pensando em nada. Especialmente pela manhã. Não tem nada mais difícil do que ter que levantar quando amanhece chovendo. Aliás, com chuva, não dá vontade de sair, a não ser naquelas chuvas de verão em dias muito quentes. Principalmente se você é criança, porque adulto brincando na chuva é sempre olhado com desconfiança pelos demais, todos invejosos.
Chuva é tão poético que não dá para contar quantas músicas já foram feitas com este tema. Muitas vezes a chuva é associada às lágrimas. Deve ser por causa da melancolia que eu falei no começo. Se você já está propenso a chorar, a chuva com certeza facilita.
E além de tudo os dias chuvosos valorizam os dias de sol. É como se depois de cada tempestade tudo começasse de novo do zero. Depois da melancolia o sorriso.

Originalmente publicado aqui em 01/12/2006.