Arquivo para janeiro, 2010

A Avenida.

Posted in Olhares with tags on 30/01/2010 by Kilminster

São 2700 metros. 2700 metros que às vezes viram 5400.

Um profundo vale de asfalto de águas rápidas e iluminadas.

Ladeado por arranha-céus que se erguem em montanhas de vidro e concreto.

Do fundo do qual se avista o maravilhoso céu cortado em uma tira longa e azul.

2700 metros de luzes, cores, torres e movimentos frenéticos.

Um longo percurso de caminhadas, palavras, cafés e livros.

Uma longa extensão de idas e vindas entre gente que vai e vem.

Um desfile quase interminável de quase tudo que pode haver.

Uma grande mistura de visões, sensações e emoções.

Um mistério que nem as pequenas ruas do centro podem igualar.

Um encanto que se transforma e renova a cada caminhada.

Onde nada é o que parece ser ao mesmo tempo em que indubitavelmente é.

De ambigüidades e do desconhecido familiar.

Do novo sobre o antigo e do passado eterno.

2700 metros de solidão coletiva e de nervosa calma.

2700 metros de um milhão de histórias, saudades e memórias.

2700 metros de detalhes inolvidáveis.

Música Para quem Não Gosta de Música

Posted in Olhares, Sons with tags , , on 22/01/2010 by Kilminster

Uma sessão de massagens ao som da cantora irlandesa Enya me fez refletir: Como é que esta cidadã conseguiu vender 80 milhões de discos!!!

A música que ela faz é baseada em um milhão de efeitos, principalmente ecos e reverberações, e timbres ruins de sintetizador. Aqueles barulhinhos todos vão se sobrepondo e a voz dela cheia de eco vai se espalhando em efeitos de estéreo pelos alto-falantes e não chega a lugar nenhum. As melodias com um ar medieval, ou melhor dizendo, tolkieninano, são muito parecidas umas com as outras e a sensação é de que se está ouvindo uma música circular, daquelas que voltam sempre ao mesmo ponto.

A voz da moça é boa, ela é afinada, suave e tal, mas nada que justifique uma venda de discos só superada em seu país natal pelo U2.

Ela se enquadra na categoria que eu costumo chamar de “Música Para Quem Não Gosta de Música”. Mais ou menos como todos os outros artistas de música New Age, tipo Kitaro, Lorenna McKennit e Jean Michel Jarre, toda aquela dissidência da música progressiva que não usou drogas. Ou até aqueles CDs com o canto das baleias.

Mas por que música para quem não gosta de música? Porque é uma música que não faz mal a ninguém. Pode tocar por horas em um consultório de dentista, elevador ou sala de embarque de aeroporto que não vai fazer a menor diferença. Talvez possa ser como um barulho de geladeira, que a gente não nota até que pare.

Alguns defensores podem dizer que é relaxante, mas na verdade sonífero seria ao adjetivo mais adequado. Tudo aquilo quase sussurrado, com eco…eco…eco…eco….zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz…

Mas quem realmente gosta de música, com certeza prefere alguma coisa mais substancial a algo meramente relaxante. Quem gosta de New Age e Enya, não gosta de música, gosta de relaxar.

Ah, o Futebol…

Posted in Esportes, Olhares with tags , on 14/01/2010 by Kilminster

Os italianos costumam dizer que comer e beber são as melhores coisas que uma pessoa pode fazer vestida. Fato. Porém, no universo masculino, uma terceira atividade pode ser incluída, jogar futebol.

Sei que é difícil para as garotas compreender os porquês que levam seus maridos, namorados, irmãos, pais, primos e afins a se digladiarem no meio de seus amigos por causa de uma bola.

Eles ficam lá correndo como loucos, dando trombadas, discutindo, levando caneladas, escorregando, caindo, gritando, se empurrando e brigando. E então acaba o tempo e eles saem completamente exaustos, suados e felizes.

Na seqüência, um banho e cerveja. Aí ficam comentando os lances “incríveis” da partida, tirando um sarrinho uns dos outros e se vangloriando das próprias jogadas.

Mas por que?

Simples. É que quando o cidadão está jogando futebol, nada mais existe. É o jogo e nada mais. Não existe trabalho, não existem contas a pagar, não existem problemas, não existe nada. Existe só o jogo. E então a pelada toma ares de terapia. É uma descarga de energia, tanto física como mental que permite um relaxamento sem igual. O futebol permite canalizar a agressividade, descarregar adrenalina, esvaziar a mente, queimar um pouco de barriga, exercitar as pernas e confraternizar com a galera.

A galera não precisa nem ser de amigões, aqueles que você chama para ir a sua casa, basta apenas que sejam os caras do futebol. Aqueles que faça chuva ou faça sol ou até mesmo chova canivete, vão estar lá no dia e hora marcados para bater a tradicional bolinha.

Enfim, além de comer e beber, a melhor coisa que uma pessoa pode fazer vestido é entrar numa pelada.

Rapidamente

Posted in Viagens with tags , , , , , on 13/01/2010 by Kilminster

Júlio César foi eleito o 3º melhor goleiro do mundo, atrás de Casillas e Buffon. O que será que ele vai ter que fazer para ser considerado o primeiro? Só se ele parar de deixar o vento passar.

A função “aleatório” do tocador de MP3 do meu celular deve ter sido desenvolvida por um programador de emissora de rádio FM, porque ele sempre toca as mesmas músicas da lista.

Preta Gil fez uma versão em português de uma música da Beyoncée. Salve-se quem puder.

Começaram a serem vendidos os ingressos para o show do cover do Guns n’ Roses que o Axl Rose montou.

Os sinais da globalização: em vez das baianas em trajes típicos vendendo acarajé, temos agora no centro de São Paulo bolivianas em trajes típicos vendendo lenços e bordados.

O papa disse que o filme Avatar faz apologias ao culto da natureza em oposição ao cristianismo. E daí?

Chuvas de Verão

Posted in Olhares, Viagens with tags on 08/01/2010 by Kilminster

Um solzão de rachar a moleira, abafado, nenhum lugar é fresco o suficiente, a gente sua em bicas e tudo gruda. Mas eis que de repente, uma nuvem aparece. Outra se junta a ela e mais outras chegam do outro lado. Quando você menos espera, todas elas já se fundiram em uma só e daquele branquinho de algodão passaram para um cinza escuro. A ventania começa, tudo escurece, alguns raios cortam o céu, vem aquele estrondo e ela despenca.

A chuva de verão. Esse fenômeno que apesar de acontecer desde que o mundo é mundo, sempre pega a gente de surpresa. A gente nunca sabe quando ela vai atacar. Às vezes ficamos impedidos de voltar do almoço para o trabalho, outras, de ir embora para casa, de sair de casa… Nos encolhemos embaixo de marquises, beirais, toldos e qualquer outra coisa que possa oferecer um mínimo de abrigo, mas ela é implacável.

Pura ingenuidade tentar enfrenta-la com um guarda-chuvas de ‘cinco real’. Ela vem por todos os lados. Tem vezes que dá até a impressão de vir de baixo para cima. É muita água em pouco tempo e ela cai sem dó, não tendo para onde escoar.

As ruas viram rios com as enxurradas e você com sua sombrinha tem que dobrar a barra das calças até o joelho e ainda assim ficará ensopado. Isso para ficarmos  nos problemas menores, porque árvores caem, rios transbordam, ruas alagam, casas são destelhadas, encostas desmoronam… Mas o mundo já era assim quando nós achamos de molda-lo de acordo com nossas vontades. Não adianta ficar culpando a natureza.

Bom mesmo é quando chuva de verão significava ficar perturbando a vó para ela deixar a gente jogar sabão em pó no piso do quintal e ficar escorregando de barriga.

Ah, Faça me um Favor…

Posted in Momento Sr. Saraiva with tags , , on 04/01/2010 by Kilminster

Se existe uma coisa inútil neste planeta, esta coisa é Dubai. Aquela tranqueirada toda não passa de um enorme desperdício de dinheiro para abrigar quaquimilionários que também não sabem o que fazer com suas incalculáveis fortunas jogarem dinheiro fora.

Qual a real necessidade de um lugar assim? Nenhuma. Ninguém precisa se cercar de tanto luxo e tanta ostentação. Ainda mais quando vivemos num planeta em que tanta gente morre de fome ou vive em condições subumanas. Basta lembrar que lugares problemáticos e carentes de recursos se encontram a distâncias relativamente pequenas dali, por exemplo, o Iraque, Somália, Irã, Afeganistão, Paquistão e Sudão.

Agora, além de já ser um bom lugar para ser devastado por um tsunami, inauguraram em Dubai o maior edifício do mundo, com 828 metros de altura. Um enorme símbolo fálico no meio do Emirado. Uma desgraça. Isto para talvez compensar a falta de relevância do local.

Se esses caras não sabem o que fazer com o dinheiro, posso dar algumas pequenas sugestões. Eles poderiam por exemplo investir em saneamento básico na Índia, combater o narcotráfico nas Américas, aplicar em soluções para os conflitos na África, fazer substanciais depósitos na minha conta e de meus amigos, adquirir áreas enormes dos mais diversos ecossistemas e criar áreas de preservação, investir na restauração e preservação de monumentos históricos ao redor do mundo, subsídios para pesquisas nos mais diversos setores, enfim, um milhão de coisas, menos ficar criando um mundo de mentira para biliardários esnobes se afundarem na própria soberba.