Arquivo para dezembro, 2009

O Que Você Quer Ser Quando Crescer?

Posted in Olhares, Viagens with tags , , , , on 30/12/2009 by Kilminster

Essa é uma perguntinha que toda criança ouve algumas vezes ao longo de sua infância. É engraçado porque os adultos que proferem tal questão são os mesmos que dizem aos petizes para estes não terem pressa de crescer porque esta é a melhor fase da vida e, no entanto já ficam querendo que os pequenos já comecem a fazer idéia do que querem ser quando se tornarem adultos.

Já as crianças, dão as respostas mais interessantes possíveis. Eu me lembro de dizer durante a infância que para mim, a profissão ideal seria a de “Piloto de Provas de Colchões”. Era simples, o colchão ficaria pronto na fábrica e eu dormiria sobre ele para avaliar e atestar a qualidade do produto para em seguida elaborar um relatório apontando os pontos fortes e fracos e pontos a serem melhorados. Genial não? Ainda hoje se me oferecerem tal vaga, aceitarei de bom grado.

As meninas normalmente querem ser professoras, atrizes, apresentadoras de TV, bailarinas, cantoras e médicas. Os moleques querem ser astronautas, pilotos de avião, jogadores de futebol, pilotos de Fórmula 1, bombeiros ou… médicos.

O triste, é que na maioria das vezes estes tão felizes infantes acabam por se tornarem bancários, corretores, consultores, auditores, programadores, analistas, vendedores, gerentes disso e daquilo, enfim, aquele monte de profissões sem graça que a maioria das pessoas acaba por ter.

Em vez de estádios lotados, platéias eufóricas, salvamentos heróicos, aparições televisivas, carrões super velozes, bancadas com microcomputador e muito papel. Isso sem contar o insuportável telefone no ouvido o dia inteiro.

A maior exceção a esta regra são os professores e as professoras. Só que em vez da classe que presta atenção, responde em coro e traz presentinhos para a mestra, àqueles que se dedicam ao nobre exercício do magistério, sobra uma sala com quarenta projetinhos de Bin Laden cheios de energia e encarando a professora como se esta fosse uma das Torres Gêmeas.

Acho que se hoje me perguntassem o que eu queria ser quando crescesse, responderia “Ganhador da Mega-Sena”. Não tem graça trabalhar porque na maioria das vezes somos um talento desperdiçado em uma empresa qualquer fazendo um trabalho que não gostamos apenas para ganhar dinheiro. Fico sempre imaginando que excelente “Piloto de Provas de Colchões” eu seria. Então, já que é só pra ganhar dinheiro, prefiro o prêmio da loteria.

Adeus Ano Velho

Posted in Viagens with tags , , , , on 30/12/2009 by Kilminster

Aí eu resolvo escrever mais um post de fim de ano. Tudo bem, mas é que no fim das contas, acabo escrevendo sempre a mesma coisa: que a gente se propõe a um milhão de coisas, não faz nada do que se propôs e que no fim das contas, após a virada do ano é só amanhã e aquela coisa toda de sempre.

Mas ao mesmo tempo é difícil evitar cair naquela famosa onda de retrospectivas. Ainda mais quando nos referimos ao ano em que morreram Michael Jackson e o Lombardi. Sim, logo eles a quem eu julgava imortais. Um ano em que MJ morre, e que o Silvião fica no vácuo ao proferir seu bordão mais famoso é um ano estranho. Um triste ano sem céu.

E então o que posso escrever? Foi um ano como todos os outros e único, também como todos os outros. Muitas coisas mudaram, outras ficaram como antes. Algumas deverão ser esquecidas, outras farei questão de lembrar. Quis decapitar algumas pessoas, outras quis com a cabeça bem no lugar. Fiz algumas pequenas maluquices e outras bem grandes. Encaixotei minha vida e depois botei tudo no lugar.

E mais um ano passou, como todos os outros e como nenhum outro. E eu ainda sou o mesmo, embora tenha mudado bastante.

Merry Christmas…oohhhhhhh!

Posted in Uncategorized on 24/12/2009 by Kilminster

Come Taste The Band

Posted in Sons, Tem Que Ouvir with tags , on 24/12/2009 by Kilminster

Come Taste The Band

 De 1975, o mais atípico álbum do Deep Purple, foi o último lançamento da banda antes do hiato que duraria até 1984 quando a banda ressurgiria com sua formação mais clássica.

A grande novidade aqui era a ausência de Ritchie Blackmore, o lendário guitarrista e em cujos riffs o som da banda se calcara até então. Insatisfeito com os rumos que a banda estava tomando, especialmente com os flertes cada vez mais constantes com a música negra americana, Blackmore caiu fora e foi montar seu Rainbow.

Com o caminho aberto, Glenn Hughes, que já dava claros sinais de estar assumindo o direcionamento musical da banda, pode enfim dar vazão a todo o balanço que queria. Recrutado o guitarrista Tommy Bolin, surgiu então uma pequena coleção de músicas muito próximas do funk e do soul, sem perder o peso roqueiro de sempre.

A cozinha continua precisa com Ian Paice e o baixo de Hughes, os vocais de David Coverdale estavam em grande forma e a guitarra de Bolin é marcante, mas é quando Glenn Huges assume os vocais que o disco ganha seu maior brilho.

Como álbum do Deep Purple, é considerado uma obra menor, mas se carregasse o nome de outra banda, com certeza figuraria entre os grandes clássicos dos anos 70.

Destaques: Gettin’ Tighter, Love Child, You Keep On Movin’ e a fantástica This Time Around/Owed to “G”.

No Tranco

Posted in Viagens on 22/12/2009 by Kilminster

De vez em quando eu acho que o cérebro deveria ter aquele sistema de acionamento igual aos motores de popa que vemos em barquinhos por aí. Sabe, aquele que a gente tem que puxar uma cordinha para dar partida no motor?

Isso porque não é todo dia que a gente acorda com ele funcionando. Tem dias em que a gente acorda sem acordar, levanta igual a um zumbi e faz as coisas no piloto automático, faz só porque tinha que fazer. No fundo, no fundo a gente gostaria mesmo é de ficar deitado em qualquer lugar macio, olhando para o teto sem pensar em nada. Só esperando baixar o grau de doidera e as idéias voltarem para os seus devidos lugares.

Mas as exigências da vida moderna, este conceito imbecil que os homens inventaram em que temos que trabalhar para alimentar um tal sistema, que ninguém conhece, ninguém viu, não nos permite recarregar as baterias em paz. Então, por mais desconectado do mundo que estejamos, temos que cumprir com sua parte para o nosso belo quadro social*.

Por isso digo, se tivesse como dar um tranco no cérebro nestes dias, a gente conseguiria passar mais fácil por essas coisas. Uma vez que somos obrigados a sair de casa e ir trabalhar, melhor então conseguir fazer direito, porque vamos combinar, trabalho letárgico não rende e faz o relógio andar devagar.

 *como diria Raul.

Jingle Bells…

Posted in Olhares, Viagens with tags , , , on 15/12/2009 by Kilminster

Como diria a cantora Simone, ♫Então é Natal…♪… E está aberta a temporada de caça ao presente. O freio do consumismo é solto e todo mundo sai desesperadamente atrás de mimos para a família inteira. Aquela maravilha!

Os shoppings ficam lotados. Tudo vira uma epopéia, desde encontrar uma vaga no estacionamento até conseguir um vendedor capaz de te atender em meio a multidão que se acotovela dentro das lojas.

Isso quando algum menos avisado decide levar as crianças às compras. Elas ficam logo entediadas quando percebem que os presentes não serão só para elas. Aí é choro, manha, gritos, sem contar o tradicional “mãe compra isso, mãe compra aquilo”. Derrubam sorvete, pipocas e algodão doce nos outros, perdem-se de seus pais… uma tragédia.

Então, você sabiamente decide evitar os shoppings e parte para as lojas de rua. Pega o metrozão, desce na São Bento e descobre que para descer a Ladeira Porto Geral é mais ou menos o mesmo que participar da procissão do Círio de Nazaré. Todos andam lentamente, parecendo pingüins em marcha, balançando pateticamente para um lado e outro e dando aqueles passinhos milimétricos enquanto os camelôs berram nos ouvidos das pessoas tentando vender qualquer porcaria.

Depois, você não consegue entrar nas lojas. Os mais experientes, já levam um parente que vai ficar na fila do caixa enquanto o outro vai pegando as compras. E tome bonequnhos de plástico, carrinhos Made in Taiwan, jogos de toalhas, pequenas xícaras de café e muito, muito suor.

E por fim, a aventura final: O metrô na hora do rush carregando um monte de sacolas. O mais curioso é que estes aventureiros das ruas de comércio populares têm um perfil bem definido: mulher, casada com filhos, 35 a 70 anos, baixinha e gordinha, geralmente acompanhada de um filho ou dois com idade entre 7 e 12 anos e sem o menor costume de andar de metrô.

É sensacional ver estas criaturas tentando sobreviver entre os habituées do metrô com suas sacolas, (sempre do tamanho delas ou mais), e rebentos. Elas empurram, acotovelam, caem sobre os outros, brigam com as crianças… Ficam tentando permanecer em pé ao mesmo tempo que tentam segurar os moleques e as sacolas. Um tormento, especialmente para os passageiros ao lado que trabalharam o dia todo e só queriam voltar para casa em paz.

Enfim, é o espírito natalino. Hora de celebrar a vida, o amor entre as pessoas, o Menino Jesus e o abençoado que inventou as compras pela internet.

Desejo de Matar

Posted in Viagens with tags , on 10/12/2009 by Kilminster

Não, este não é um post sobre os incríveis filmes estrelados pelo glorioso Charles Bronson e seu bigodão. É um post sobre nossos instintos mais obscuros, guardados nos recônditos mais profundos e redundantes de nossos seres, no âmago de nossas almas.

Nem todo mundo chega a concretizar, mas todos nós já tivemos em algum momento de nossa existência o tão falado Desejo de Matar. Seja um irmão, um primo, uma amiga, o marido, a esposa, o cunhado, um pedreiro, um idiota que te deu uma fechada no trânsito, o chefe, um colega de trabalho, a mulher do guichê de uma repartição pública, um caixa de banco ou até a si próprio.

É claro que em condições normais de temperatura e pressão, este matar não é aquele matar de fato, que resulta em rabecão e cemitério. É um matar temporário, por alguns instantes. O indivíduo objeto do homicídio ficaria alguns segundos nesta condição de morto e pronto. Logo em seguida ressuscitaria, inteiro e vivinho da silva, sem qualquer seqüela.

É que o Desejo de Matar em questão não é aqueeeeeela coisa toda, é só uma descarga de raiva em reação a alguma coisa que nos aconteceu ou que nos fizeram. Talvez um boneco com a cara do objeto merecedor do suplício fosse suficiente… ou talvez não, mas no fim das contas, todo mundo já disse um dia “Eu mato este (acrescente seu xingamento favorito)…”

 

 

 

 

 

 

 

 

Com ele não tinha conversa.