Arquivo para maio, 2009

Man in the Box

Posted in Olhares, Viagens on 26/05/2009 by Kilminster

Agora minha vida inteira está presa dentro de caixas. Grandes cubos pesados de papelão pardo espalhados pela casa. Tudo lá, minhas letras, minhas músicas, idéias, desenhos e devaneios. Até as insanidades estão encaixotadas.

Pouco a pouco vai sendo tudo selado com fita adesiva. Como se fosse possível trancar nossa essência em embalagens lacradas. Trancar pensamentos nunca foi tarefa simples, então eles continuam voando para lá e para cá. Em compensação, estes não precisam ser carregados para outros lugares. Eles vão para lá por si só, antes mesmo que as caixas.

O trabalho agora é de levar as caixas para onde estão os pensamentos. São muitas, são pesadas, mas são móveis. Não têm raízes nem estão presas ao chão, portanto elas vão.

Fora das caixas é que a vida vai. Fora delas é que tudo anda. Com cada pequena peça solta o todo se organiza melhor e cada coisa acha seu lugar. Dentro das caixas, tudo fica estático esperando. Dentro das caixas a vida aguarda o porvir.

Progressivo

Posted in Sons with tags , , , , , , , on 26/05/2009 by Kilminster

O estilo que todos adoram odiar. Os críticos descem a lenha quase que por esporte, os não fãs detestam sem sequer saber do que se trata.

Mas afinal o que é o progressivo?

As reclamações são muitas:

Por que as músicas tem que ter vinte minutos? R: E por que é que tem que ter três? Por acaso alguém olha a Guernica e acha o quadro “grande demais”? Arte é arte.

Ah, mas dá sono… R: E aquele glón, glón, glón do Sonic Youth não dá? Sei, sei…

Mas é muito pretensioso. R: Pretensiosos são os Strokes, o Oasis, o Prince e o Timbaland.

Por que tem que ser tudo tão grandioso? R: Por que que o legal tem que ser cantar olhando para o pé letras de nerd derrotado?

Por que tem que ter aquele monte de solos? Porque música não é só cantarolar letras e saber tocar é legal.

Fora isso, o progressivo tem várias subdivisões representadas pelos seus maiores expoentes. A saber:

Yes – Virtuose Hippie Cósmico: Músicos de primeira linha com longas canções super trabalhadas e letras com mensagens positivas e melodias etéreas. Sintetiza a obra: Roundabout (Fragile – 1972);

Pink Floyd – Intelectual Perfeccionista Existencialista: Tudo está interligado. Desde a capa do disco até o menor barulhinho gravado. Letras sobre as desventuras da mente humana em músicas onde tudo está em seu exato lugar. Sintetiza a obra: Time (The Dark Side of The Moon – 1973);

Genesis – Psicodélico Sombrio Teatral: Letras doidonas emolduradas por instrumental denso, complexo e sombrio. Isso até 1976, depois é outra história. A interpretação de Peter Gabriel dava o toque teatral com figurinos e tudo mais. Sintetiza a obra: The Carpet Crawlers (The Lamb Lies Down on Brodway – 1974);

Jethro Tull – Eletro Folk Místico Dorme Sujo: Letras de duendes e fadas, violões e flautas, mudanças estranhas de acordes e guitarras pesadas. Visual de mendigo. Sintetiza a obra: Aqualung (Aqualung – 1971);

Emerson Lake & Palmer – Super Virtuose: Compassos estranhos, harmonias complexas, dissonâncias, alterações de andamentos, sintetizadores, jazz contemporâneo, música clássica e rock e ainda assim assobiável. Sintetiza a obra: The Barbarian (Emerson, Lake & Palmer – 1970)

O post é longo? Claro. É um post progressivo.

Dehumanizer

Posted in Sons, Tem Que Ouvir with tags , , , , , on 15/05/2009 by Kilminster

Datado de 1992, esta é uma pérola do rock pesado. Foi lançado em uma época em que o Sabbath era considerado uma banda praticamente extinta que vinha sendo carregada apenas pelo guitarrista Tony Iommi, com formações que variavam disco a disco, que ainda que fossem bons, não estavam a altura do velho Black Sabbath.

DehumanizerMas eis que ressurge o line-up dos excelentes Mob Rules e Live Evil: o baterista Vinnie Appice, com seu estilo fortemente influenciado por John Bonham, o baixista e co-fundador do Sabbath Geezer Butler com suas linhas fantásticas conduzidas com a famosa “pata de urso” e o inacreditável Ronnie James Dio, na minha modesta opinião, o melhor vocalista do hard rock/metal de todos os tempos.

O disco é surpreendentemente moderno, sequer lembrando que tratamos então de uma banda então com quase 25 anos de carreira. Guitarras pesadíssimas, bateria e baixo formando uma muralha sonora, vocais perfeitos e composições inspiradas com um fôlego de fazer inveja a muita banda iniciante. As letras, em vez de bruxas e demônios, traziam temas universais, atemporais, realistas e absolutamente próximos das vidas das pessoas. Indispensável!

Destaque para Computer God, After All, TV Crimes, I,  e Time Machine.

 PS: Nesta sexta e sábado será possível conferir o quarteto veterano em ação em SP!

Let the Poke be Stoned

Posted in Viagens with tags on 15/05/2009 by Kilminster

Esses bonequinhos do orkut são até interessantes, você vai lá e faz ele ficar mais ou menos parecidinho com você e então pode interagir com seus amigos. Manda beijos, pega para passear, joga futebol, tira um som e até dá umas porradas, mas por outro lado, o pequeno poke apresenta uma série de limitações que impedem certas pessoas, entre elas me incluo, de expressarem sua real personalidade.

Entre as reclamações que tenho a registrar incluem-se o fato de que só estejam disponíveis para ele guitarras stratocaster, de ele não tocar baixo, não ficar pelado, tocar bateria sem esmurrar, não ficar bêbado, não fumar, não fazer festa de arromba, não fazer gestos obscenos e nem falar palavrões.

Tem dias que a gente quer colocar lá “Kilminster mandou todo mundo para pqp”, ou “Kilminster encheu a cara”, “Kilminster e os amigos tomaram multa do condomínio” ou “Kilminster está de ressaca”.

Ok, você pode dizer que algumas dessas coisas não são lá muito politicamente corretas, mas e dar uma porrada em alguém porque não gosta do jeito que ele pessoa canta é? E dar um soco?

Sinceramente eu prefiro alguém que fique de ressaca ou dê uma bela festa do que alguém que me dê um soco, ainda que virtual. Ou pelo menos, que se a pessoa estiver insatisfeita comigo por qualquer razão que seja, que simplesmente me mande para algum lugar menos recomendável. Agressão física é um tanto quanto exagerado.

E que mal faria ele ter uma Les Paulzinha? Hein? Hein?

Por essas e outras, iniciarei uma campanha para um Buddy Poke menos careta.

Let the Poke be Stoned

Two of us

Posted in Uncategorized on 10/05/2009 by Kilminster

…we’re comming hoooome….

Whitesnake – Ready An’ Willing

Posted in Sons, Tem Que Ouvir with tags , , , , , on 07/05/2009 by Kilminster

Formada pelo então ex-vocalista do Deep Purple David Coverdale, o Whitesnake caracterizava-se em seu início por um hard rock fortemente calcado no blues, pitadas de Deep Purple, com melodias sensuais, letras românticas e instrumental inspirado, muito diferente do “metal farofa” que a banda iria adotar em meados dos anos 80.

readyanwillingNeste quarto álbum, lançado em 1980, temos a banda em grande forma, contando em seu line-up com além de Coverdale, os também egressos do Deep Purple Jon Lord, (teclados), e Ian Paice, (bateria), o excelente baixista Neil Murray e a famosa dupla de guitarristas Mick Moody e Bernie Mardsen.

Excelentes timbres vintage, ótimos riffs, refrãos marcantes, vocais poderosos e sem exageros, backing vocals precisos, peso e balanço em equilíbrio e cozinha afiada é o que encontramos neste disco. É o apogeu do Whitesnake em sua primeira fase mostrando o seu melhor.

Daí em diante o grupo, sempre capitaneado por Coverdale, iria gradualmente abandonar as raízes blueseiras e partir para o glam e o “hard rock farofa virtuose”, que ainda que com grandes composições, pecou sempre pelos excessos, típicos dos anos 80.

Para quem quer conhecer o Whitesnake em sua essência, este é o álbum.

Destaques para a faixa título, “Fool For Your Lovin’” em sua versão original, “Blindman” e “Ain’t Gonna Cry No More”.

CH-CH-CH-Changes

Posted in Viagens on 05/05/2009 by Kilminster

Coisa nenhuma fica mesmo para sempre no mesmo lugar. Uma hora muda. Se não muda só, o mundo muda com ela.

Pode mudar porque quer, porque teve que mudar, porque não tinha outro jeito ou porque sim.

Ontem vira hoje, 12 vira 13, 89 vira 90, claro vira escuro e vice versa. O que estava aqui vai para lá, o que estava lá vem para cá. Até o que fica muda.

Muda o cabelo, muda a roupa, muda a tintura, muda o quadro, muda o trabalho, muda o tempo, muda o lugar, mudam as pessoas, muda a conta, muda o lado, muda o programa, muda a idéia, muda tudo.

Bom? Ruim? Quem saberá? É diferente ao menos.