A Vida Até Parece Uma Festa

O título deste post foi roubado do documentário produzido pelo glorioso Branco Melo sobre sua própria banda, os Titãs, que por sua vez é a primeira frase da canção “Diversão”, do fundamental álbum “Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas” de 1987.

O documentário em questão conta a história dos Titãs como se fosse um clipping de imagens de arquivo pessoal, reportagens e programas de TV, desde os primórdios da banda e seu desenvolvimento até os dias de hoje de uma forma muito intimista e divertida, mostrando cenas de bastidores, a banda compondo em casa, ensaiando, se divertindo entre um compromisso e outro, viajando e tudo mais que acontece na vida de uma banda de rock.

Mas o que se pode perceber ao final da exibição é que, de fato,  os Titãs foram a maior banda de rock nacional de sua geração. Nenhum outro grupo dos anos 80 experimentou tanto, se reinventou tanto, inovou tanto e evoluiu tanto. Do pop emepebista desconexo dos dois primeiros discos ao punk de “Cabeça Dinossauro”, a evolução em “Jesus Não Tem Dentes” e o pop perfeito de “Õ-Blésq-Blom”, a banda paulistana passou por diversos estilos flertando com diversas influências, trazidas por cada um de seus oitos integrantes. Tal variedade sonora possibilitou à banda fazer um som difícil de se rotular ou enquadrar em algum gênero. Talvez seja possível fazer isso com os discos, mas não com a obra completa da banda. E ainda assim a discografia titânica é consistente e concatenada.

Talvez os deslizes cometidos nos últimos trabalhos, (desde o álbum “Domingo” de 1995 a banda demostrou uma sensível perda de fôlego), as novas gerações não percebam a dimensão de seu trabalho, porém deve-se ressaltar que até “Titanomaquia” de 1993 os discos são no mínimo ótimos.

Em resumo, o filme é um retrato sincero, divertido e intimista da carreira daquela que é a maior banda brasileira da geração 80 e toda sua originalidade e influência. Apesar dos revezes que atingiram a banda, e que são mostrados no filme, a exibição mostra a trajetória do grupo com um olhar divertido, como se a vida parecesse mesmo uma festa. Obrigatório para quem viveu a época e altamente recomendável para qualquer outro.

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