Arquivo para fevereiro, 2009

Febre

Posted in Olhares, Viagens on 20/02/2009 by Kilminster

É essa febre agora… esse torpor estranho que desvia os sentidos fazendo com que não se possa perceber a precisão das coisas. Fica tudo meio aéreo e não se sabe se é real ou irreal, se é normal ou anormal. Uma fraqueza que vem não se sabe de onde e domina o corpo de modo inexorável retardando os movimentos, apagando os reflexos e minando as vontades.

A única coisa que faz sentido agora é desligar. Encostar em qualquer canto e lá ficar imóvel, entre a consciência, o sonho e o delírio, transpirando cada gota de insanidade para no momento seguinte voltar a si e perceber que apenas um minuto se passou e logo em seguida perder novamente o chão e flutuar pelo desconhecido entre a memória e o desejo, as preocupações e os anseios.

É apenas a respiração ofegante, o frio e a angústia. A boca seca, os olhos fundos e a cabeça latejante. A estranha sensação de ser uma criatura alienada do mundo, longe de seus fluxos normais, isolado em uma bolha mental que gravita em torno do nada.

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Inferno Astral

Posted in Viagens on 19/02/2009 by Kilminster

Inferno astral é aquele período que antecede nossos aniversários. Acredita-se que devido a combinações astrológicas misteriosas, esta é uma época de acontecimentos desfavoráveis, angústia, depressão ou azar para qualquer pessoa ou então pelo menos que não será a melhor época do ano para o infeliz que se encontra em tal fase.

Confesso que minha relação com horóscopos não é lá das melhores. Não sei exatamente o que pensar das previsões publicadas diariamente nos jornais ou na internet. Agora então que naquela TV do metrô tem horóscopo, todo cidadão paulistano que se vale te tal transporte coletivo pode ter sua previsão sem o menor esforço.

É fato que algumas vezes o que foi previsto bate exatamente com o que aconteceu, mas também há casos em que o prognóstico dá com os burros n’água. De uns tempos para cá, tenho notado também que as previsões para o meu signo tem sido inclusive muito engraçadas.

Eu também penso que horóscopos, especialmente esses mais genéricos, tem fazer previsões mais abertas, mostrando tendências para cada um dos signos do zodíaco. Tal fato permite ao leitor interpretar a seu próprio modo o que está lá escrito e acreditar ou não na previsão.

Mas voltando ao inferno astral, acho que faz algum sentido sim. Parece bobagem, mas a gente tende a se sentir um tanto mais cansado antes de nossos aniversários, mais ou menos como nos sentimos antes das férias. É como se tal situação fosse mudar radicalmente tão logo acrescentemos mais um número à nossa idade. Os astrólogos dizem que é porque estamos em um final de ciclo que se caracteriza pela desordem e inversão dos valores admitidos no seu início.

Acho que meu inferno astral esse ano me pegou justamente no aspecto da criatividade. Ando completamente sem imaginação para encontrar temas para postar aqui. E sabe como é, né? Blog que não é atualizado morre… Mas fazer o quê? Aí então, ao reclamar disso para uma colega de trabalho ouvi que deveria ser o inferno astral. E não é que inferno astral é um bom tema?

Resta agora esperar o aniversário e acreditar que com a chegada dele, este esvaziamento mental passe e eu possa retomar minha torrente normal de abobrinhas.

Moonbeam

Posted in Olhares, Viagens on 10/02/2009 by Kilminster

A single moonbeam flashes through the window.

A small opening in the window closed by the wind.

The blowing wind that chills outside there.

Blowing in a whirlwind twisting the fallen leaves.

The small flash of pale light peeps the room.

Softly licking a thin line of ground and forniture.

Only a small glimpse through the darkness.

A tiny sight into the unknown.

No sound inside, except the howling breeze trough the window.

A subtile smell of upcoming rain.

And a single thin line of pale into the dark greyish room.

A Vida Até Parece Uma Festa

Posted in Olhares, Sons on 03/02/2009 by Kilminster

O título deste post foi roubado do documentário produzido pelo glorioso Branco Melo sobre sua própria banda, os Titãs, que por sua vez é a primeira frase da canção “Diversão”, do fundamental álbum “Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas” de 1987.

O documentário em questão conta a história dos Titãs como se fosse um clipping de imagens de arquivo pessoal, reportagens e programas de TV, desde os primórdios da banda e seu desenvolvimento até os dias de hoje de uma forma muito intimista e divertida, mostrando cenas de bastidores, a banda compondo em casa, ensaiando, se divertindo entre um compromisso e outro, viajando e tudo mais que acontece na vida de uma banda de rock.

Mas o que se pode perceber ao final da exibição é que, de fato,  os Titãs foram a maior banda de rock nacional de sua geração. Nenhum outro grupo dos anos 80 experimentou tanto, se reinventou tanto, inovou tanto e evoluiu tanto. Do pop emepebista desconexo dos dois primeiros discos ao punk de “Cabeça Dinossauro”, a evolução em “Jesus Não Tem Dentes” e o pop perfeito de “Õ-Blésq-Blom”, a banda paulistana passou por diversos estilos flertando com diversas influências, trazidas por cada um de seus oitos integrantes. Tal variedade sonora possibilitou à banda fazer um som difícil de se rotular ou enquadrar em algum gênero. Talvez seja possível fazer isso com os discos, mas não com a obra completa da banda. E ainda assim a discografia titânica é consistente e concatenada.

Talvez os deslizes cometidos nos últimos trabalhos, (desde o álbum “Domingo” de 1995 a banda demostrou uma sensível perda de fôlego), as novas gerações não percebam a dimensão de seu trabalho, porém deve-se ressaltar que até “Titanomaquia” de 1993 os discos são no mínimo ótimos.

Em resumo, o filme é um retrato sincero, divertido e intimista da carreira daquela que é a maior banda brasileira da geração 80 e toda sua originalidade e influência. Apesar dos revezes que atingiram a banda, e que são mostrados no filme, a exibição mostra a trajetória do grupo com um olhar divertido, como se a vida parecesse mesmo uma festa. Obrigatório para quem viveu a época e altamente recomendável para qualquer outro.