Pôr-do-Sol

O pôr-do-sol na Cidade Universitária me parecia sempre melancólico. Terrivelmente lindo, mas ainda assim melancólico.

Mesmo naqueles dias de fim de verão em que a umidade causada pela chuva que acabara de cair fazia o céu se esvair em tons de vermelho e dourado. Mesmo com todo este deslumbre me causava melancolia.

Não sei se era o ar austero dos prédios grandes e velhos, com o caminhar incessante de alunos deste ou daquele curso que passavam com mais ou menos pressa pelo estacionamento, dirigindo-se para suas aulas, para o ponto de ônibus ou para qualquer outra coisa.

Talvez o fato de observar a cidade do outro lado do rio fosse a real razão do sentimento, aquela sensação de estar isolado, longe de tudo. Ou ainda a disposição dos prédios, separados por metros e mais metros de largas avenidas, rotatórias e árvores, que não permitiam que todos os alunos se agrupassem em um único local. Essa distância física, estrategicamente calculada por aqueles que construíram a cidade murada fazia dos outros, mais do que colegas, rivais, num estranho comportamento para aqueles de quem se espera sempre a união.

Um tom de solidão coletiva tomava conta daquele espaço enorme, encravado na loucura e no caos da metrópole.

E aos poucos, durante o pôr-do-sol, enquanto as aves silenciavam, a melancolia se instalava nos corações de quem por ali passava.

usp-sunset

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: