A Estrada e o Vento

Era eu, a estrada e o vento. O sopro frio que entrava pelas janelas como um alento no dia quente. Anunciava também a chuva, que o tempo todo ameaçava cair.

Os pneus engoliam o asfalto velozmente rasgando a paisagem, por vezes monótona, por vezes deslumbrante, como o sol se pondo à minha direita, em tons de vermelho refletido nas nuvens.

A trilha sonora a todo volume, intensa e dramática: “…as the hours roll by, no one there to see me crying…”.

De vez em quando um outro carro passava no sentido oposto e raramente outro a ser ultrapassado. Uma certa melancolia tomava conta da paisagem vazia.

Agora a noite dominava o céu, com o negro afastando o azul e pontilhando-se de estrelas. Pequenas gotas de chuva chocavam-se contra o pára-brisa. O asfalto molhado chiava debaixo dos pneus e os alto-falantes “…my angels, my devils…”.

Era eu, a estrada e o vento.

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