Arquivo para janeiro, 2009

Pôr-do-Sol

Posted in Olhares, Viagens on 27/01/2009 by Kilminster

O pôr-do-sol na Cidade Universitária me parecia sempre melancólico. Terrivelmente lindo, mas ainda assim melancólico.

Mesmo naqueles dias de fim de verão em que a umidade causada pela chuva que acabara de cair fazia o céu se esvair em tons de vermelho e dourado. Mesmo com todo este deslumbre me causava melancolia.

Não sei se era o ar austero dos prédios grandes e velhos, com o caminhar incessante de alunos deste ou daquele curso que passavam com mais ou menos pressa pelo estacionamento, dirigindo-se para suas aulas, para o ponto de ônibus ou para qualquer outra coisa.

Talvez o fato de observar a cidade do outro lado do rio fosse a real razão do sentimento, aquela sensação de estar isolado, longe de tudo. Ou ainda a disposição dos prédios, separados por metros e mais metros de largas avenidas, rotatórias e árvores, que não permitiam que todos os alunos se agrupassem em um único local. Essa distância física, estrategicamente calculada por aqueles que construíram a cidade murada fazia dos outros, mais do que colegas, rivais, num estranho comportamento para aqueles de quem se espera sempre a união.

Um tom de solidão coletiva tomava conta daquele espaço enorme, encravado na loucura e no caos da metrópole.

E aos poucos, durante o pôr-do-sol, enquanto as aves silenciavam, a melancolia se instalava nos corações de quem por ali passava.

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A Estrada e o Vento

Posted in Uncategorized on 21/01/2009 by Kilminster

Era eu, a estrada e o vento. O sopro frio que entrava pelas janelas como um alento no dia quente. Anunciava também a chuva, que o tempo todo ameaçava cair.

Os pneus engoliam o asfalto velozmente rasgando a paisagem, por vezes monótona, por vezes deslumbrante, como o sol se pondo à minha direita, em tons de vermelho refletido nas nuvens.

A trilha sonora a todo volume, intensa e dramática: “…as the hours roll by, no one there to see me crying…”.

De vez em quando um outro carro passava no sentido oposto e raramente outro a ser ultrapassado. Uma certa melancolia tomava conta da paisagem vazia.

Agora a noite dominava o céu, com o negro afastando o azul e pontilhando-se de estrelas. Pequenas gotas de chuva chocavam-se contra o pára-brisa. O asfalto molhado chiava debaixo dos pneus e os alto-falantes “…my angels, my devils…”.

Era eu, a estrada e o vento.

Se amarro nessa…rsrsrsrs

Posted in Sons on 18/01/2009 by Kilminster

É estranho.

Posted in Olhares, Viagens on 17/01/2009 by Kilminster

E estranho escrever, porque às vezes as pessoas não entendem o que a gente quis dizer e aquilo que elas entendem, embora não tenha sido o que a gente escreveu, ainda assim faz sentido.
Aí eu me pergunto: o texto é de quem escreve ou de quem lê? Acho que é um pouco de cada. Cada um que lê vê ali o seu texto, mas não o texto que escreveu, mas aquilo que o texto falou para ele é só dele.
É confuso, apesar de que a gente não escreve para confundir, quero dizer, às vezes escreve. Às vezes a gente escreve para ninguém mais entender, às vezes para todos entenderem e às vezes para alguns entenderem. Às vezes é óbvio, mas não o óbvio ululante. Às vezes oculto, mas não totalmente. Às vezes complicado e às vezes bem fácil.
O problema é que no sótão de cada pessoa há macaquinhos diferentes. Alguns têm centenas de sagüis fazendo uma tremenda balbúrdia, outros apenas um gorilão que já dá conta de todo o estrago. Então, cada louco projeta sua loucura sobre tudo que vê, sobre tudo que lê. E muitas vezes os macacos de quem escreve não são compatíveis com os de quem lê. Muitas vezes babuínos não entendem língua de orangotango.
Aí, quem escreve tem que saber que o outro vai enxergar outra coisa e escrever com cuidado se quiser ter cuidado ou escrever de uma vez, doa a quem doer.

Originalmente publicado aqui em 02/05/2008.

Feliz Aniversário

Posted in Olhares on 16/01/2009 by Kilminster

Capricorniana, doce, bem humorada, de riso fácil, meio tímida, inteligente, espirituosa, sonhadora, carinhosa, romântica, sensível, frágil, delicada, com um grau exato de loucura, com uma lógica engraçada, atrapalhada com o tempo, teimosa, inconformada, forte, compreensiva, musical, esportiva, falante, em italiano, cantante, quer abraçar o mundo, curiosa, interessada, responsável, ativa, conchete, fã, esposa, amiga, amante, companheira, namorada, amor, sorrisos, toques, beijos, abraços e os olhos… Ah, aqueles olhos…

Te Amo!

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Tecnologias

Posted in Olhares, Viagens on 15/01/2009 by Kilminster

Há não tantos anos assim, qualquer cidadão tinha a plena capacidade de viver normalmente, alegremente e sorridentemente sem coisas que hoje nos parecem vitais, sem as quais não existe a menor possibilidade de se dar andamento às menores tarefas de nossas vidas.

Internet e celulares por exemplo. Ninguém em sã consciência, nesta sociedade moderna, vive sem estes dois artigos e a falta deles causa transtornos inimagináveis.

É impressionante como em 1995 as pessoas conseguiam marcar encontros e efetivamente se encontrarem sem os celulares. Os dois indivíduos combinavam “tal hora em tal lugar” e o primeiro a chegar esperava o outro. Não tinha essa de chegar e já ir ligando: “Onde você está?”. E tinha a vantagem de se poder fugir de uma roubada sem ter que pensar em uma desculpa imediatamente. Às vezes só encontrávamos o pobre coitado que fora deixado esperando em vão semanas depois.

O próprio conceito de telefone celular é algo fantástico, de mero aparelho de telefone portátil, passou a uma unidade de alta tecnologia que concentra funções das mais diversas. Não me causaria espanto se um desses modelos de nova geração não fizesse mais chamadas. Pra quê? Tem rádio, TV, MP3, joguinhos, câmera… Se alguém ligar vai atrapalhar tudo!!!

E a internet? Quem imagina hoje que para saber a programação do teatro, cinema ou mesmo TV, as pessoas tinham que comprar um jornal? Ou até mesmo para ler o jornal.

Quando queríamos convidar a turma para qualquer coisa, cumpríamos o ritual de sentar ao lado do telefone com a agendinha de papel e ligar para cada um dos amigos para dar a notícia. Muito interessante a atividade, porque permitia entrar em contato direto com pessoas com as quais não falávamos há tempos. Confesso que sempre levava mais a sério os convites para festas quando eram feitos por telefone. Era a certeza de que você foi convidado de verdade, e não era apenas um nome em uma enorme lista de e-mails.

Mas seja como for as tecnologias estão aí e tem suas vantagens. Este pequeno texto, por exemplo, só poderia ser lido por outras pessoas se eu tivesse uma coluna em uma publicação qualquer. Com a internet, qualquer tonto, até mesmo eu, pode expor suas idéias para qualquer um que venha a se interessar.

Mas tudo isso porque eu fiquei sem internet um tempão e agora estou com textos acumulados, alguns até já fora de contexto, mas que serão publicados aos poucos por aqui.

Em 2008 aprendi…

Posted in Viagens on 15/01/2009 by Kilminster

 

  •  Que não vou mesmo ganhar nada em bingos, apostas, rifas, ou mega-sena, (muito embora nesta eu continue tentando);
  •  Que a Amy Winehouse faz sentido;
  •  A prestar mais atenção nas letras de certas músicas;
  •  Sobre inefabilidade da relatividade do tempo;
  •  Que acredito nas “Three Spinners”. Wyrd Bið Ful Aræd, Wyrd Bið Ful Aræd!
  •  Que algumas coisas ficaram mais difíceis de cantar;
  •  Sobre a falta de lógica dos acontecimentos;
  •  Que mesmo quem não concorda sujeito e verbo pode ter alguma sorte na vida;
  •  Que andar em círculos, além de esforço, demanda técnica;
  •  Rock and Roll salva!!!

Megashows

Posted in Olhares, Sons on 06/01/2009 by Kilminster

Os indies podem espernear o quanto for, dizer que shows intimistas são melhores, que música para massas não tem substância, (o que nem sempre é verdade, assim como a grande maioria das bandinhas indies era melhor nem existir), mas não há como um grande show. Seja em estádios ou em outros espaços tão grandes quanto.

É nesses espaços que os shows ganham suas maiores proporções e que transcendem a própria música, fazendo com que muitas outras coisas tenham que ser levadas em conta para garantir que mesmo o cara que está lá longe ainda possa curtir o que se passa no palco com a mesma intensidade.

Me lembro ainda com muita intensidade da sensação de entrar no estacionamento do Anhembi em uma noite chuvosa de dezembro e ver o palco enorme da Use Your Illusion Tour, do Guns n’ Roses. Lembro também de como foram explosivos, logo depois do anúncio, (From Los Angeles, California…Guns n’ Fuckin’ Roses), os primeiros acordes de Nightrain. Ou então o Parque Antártica inteiro cantando “Die, by my hand…” na lendária turnê do Black Album do Metallica. Ou o Morumbi inteiro entoando Shine on You Crazy Diamond no impecável show de Roger Waters.

Festivais também são muito legais. Me lembro com saudades das maratonas dos Hollywood Rocks e dos Monsters of Rock, nos quais estive presente em todas as edições. Era bem legal aquela coisa de chegar cedo e ficar ouvindo as bandas menos conhecidas sentado lá no fundão para ir para perto do palco na hora de suas favoritas.

Nas horas de espera também podemos ver coisas engraçadas acontecerem, como por exemplo, o público de trinta mil pessoas que aguardava o show do Judas Priest, logo depois de ter visto o Whitesnake, cantando em uníssono o refrãozinho em falsete “Touching youuuuuuuuu…” de I Believe in a Thing Called Love do The Darkness.

Nesses festivais se percebia quais bandas tinham condições de encarar um estádio e quais não. Era nítido que as grandes, como Paul MacCartney, Aerosmith, Metallica, Guns n’ Roses, Ozzy, Alice Cooper, AC/DC, Black Sabbath e Page & Plant, entre outros, sabiam bem o que fazer no palco imenso, outras, nem tanto. Lembro-me que o Faith no More sofreu um tanto no Monsters of Rock, apesar de ter detonado no Rock in Rio II.

Os cenários, o alto volume, as performances mais teatrais, tudo em grandes proporções, telões, bonecos, mega sistemas de PAs, luzes estonteantes, enfim, toda a mega produção que acontece em shows de estádio leva ao público uma sensação única.

A platéia enorme também contribui para o espetáculo. É bem diferente assistir a um show com três mil e com oitenta mil pessoas presentes. A catarse coletiva é bem maior, e portanto, maior é o impacto de um bom refrão.

Talvez shows em lugares menores sejam mais intensos, onde a interação entre banda e público seja maior, mas nas grandes arenas, as bandas têm que mostrar a sua força, e as músicas também. Dominar multidões é para poucos, e a distância do ídolo é que faz com que o admiremos. Se você olha um cara no palco e acha que pode fazer o que ele está fazendo, ele perde a magia. Não serve. O Rock and Roll Dream é para poucos.

B. Good, Richie…

Posted in Viagens on 06/01/2009 by Kilminster

Me deu a louca de ouvir Chuck Berry hoje.
Bom sinal…

Feliz 2009