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Pernilongo

Posted in Olhares, Viagens on 06/12/2008 by Kilminster

Aí você está lá, dormindo o sono dos justos, sonhando com os anjos e de repente surge ele, intrépido, ousado e imbuído de toda a crueldade para te importunar. Sim, o pernilongo!

É impressionante como uma criatura de dimensões tão reduzidas pode infernizar de maneira tão completa a vida de um ser humano.

Começa com a tortura psicológica, ele geralmente escolhe dias quentes, quando você deixa uma frestinha da janela aberta e demooooora para achar uma posição para dormir, mas finalmente você está relaxado e aí vem aquele barulhinho bem no seu ouvido: bzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz.

Pronto! Acabou seu sono tranqüilo. Você vai virar para lá e para cá, tentar acertá-lo no escuro, perder o sono e a paciência, e o pior… você será irremediavelmente picado.

A picada é uma sacanagem à parte, pois você dificilmente sentira no momento em que está sendo atacado para poder liquidar o mardito em plena ação, você só sentirá a coceira momentos depois. E como coça!

O pernilongo, por sua vez, escolhe os lugares mais inconvenientes para as picadas: orelhas, pálpebras, sola dos pés, ou algum ponto no meio das suas costas que você não consegue alcançar de jeito nenhum.

Então, você cheio de raiva, tonto de sono e com comichões espalhadas pelo corpo, toma coragem e levanta da cama e acende a luz para a perseguição do inimigo.

Tudo bem, sabemos que ele é diminuto, mas nessas horas, tudo leva a crer que ele é na verdade invisível. Não tem jeito, ele some. Você afasta móveis, sacode as cortinas, os tapetes, olha em cada canto, mas não encontra nada. Aí você desiste, apaga a luz e deita de novo. Bzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz.

Lá está ele como se risse da sua cara. Mais algumas picadas e você acende novamente a luz. Dessa vez, você o enxerga e começa a sessão de aplausos. Você tenta de todos os modos esmagá-lo entre as mãos, mas ele sempre escapa, e você lá, clap, clap, clap, clap… e ele faceiro bzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz.

Mas eis que a sorte muda e você acerta o malfeitor. Hahaha! Triunfo! Você olha para suas mãos e contempla junto com o cadáver de seu algoz uma boa quantidade de seu próprio sangue. Bleargh! Isso sim é um vampiro sanguinário! Mas você não liga, porque afinal se livrou da praga. Vai até o banheiro, lava as mãos e volta feliz para o quarto, deita e bzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz. Sim… pernilongos têm família, e eles são vingativos.

Repete-se o ritual, mais aplausos, e enfim, você, completamente exausto, dorme, cansado demais para continuar a batalha.

No dia seguinte, olheiras e coceira para todos os lados.

mosquito