Arquivo para dezembro, 2008

Feliz Natal!!!

Posted in Uncategorized on 24/12/2008 by Kilminster

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Two Minutes of Hate

Posted in Momento Sr. Saraiva, Viagens on 18/12/2008 by Kilminster

No famosíssimo e essencial livro de George Orwell, 1984, os dois minutos de ódio são um período diário ao qual os cidadãos se reunem para descarregarem suas frustrações e ódio contra os inimigos do “Partido”, a entidade governamental totalitária que controla o país fictício de “Oceania” que tem sua personalidade encarnada na figura do “Grande Irmão”.

Durante os “Dois Minutos de Ódio”, são exibidos vídeos do inimigo-mor do Partido e dos espectadores se espera que manifestem toda seu ódio em relação a tão repugnante figura.

Este procedimento tem como finalidade o controle das emoções dos cidadãos, cujas manifestações de repúdio a qualquer outra coisa são severamente vigiadas e reprimidas pelos mecanismos de controle do Estado. Sendo assim, os Dois Minutos de Ódio acabam por canalizar toda a energia negativa e reprimida para uma finalidade controlável pelo Grande Irmão.

Às vezes acho que todo cidadão deveria ter direito aos seus dois minutos de ódio. Afinal de contas, quem é que consegue ficar fazendo carinha de feliz todos os dias o dia todo? Eu não.

O que pode mudar é que o Estado não precisaria impor o objeto do ódio, afinal de contas isso aqui se pretende uma democracia. Aliás não haveria sequer a necessidade de se violar a privacidade das pessoas.

Seria o seguinte, haveria, espalhados em diversos locais, cabininhas individuais, onde cada cidadão entraria, com toda a privacidade, escolheria em uma tela semelhante aos caixas eletrônicos o tema para seus dois minutos e em seguida passaria dois minutos vociferando, xingando e o que mais lhe aprouvesse, contra as imagens na telinha. Bastava apenas contar com dispositivos de segurança que evitassem que o cara se matasse lá dentro, e pronto.

Passados dois minutos, a tela mudaria para uma paisagem bucólica e suaves melodias tocariam. Então o cidadão sairia de lá mais leve, feliz, contente, alegre e sorridente, com seu ódio descarregado e pronto para continuar seu dia calmamente.

Posted in Viagens on 15/12/2008 by Kilminster

                Na madrugada fria os homens estavam sentados à beira das fogueiras, a maioria dormia, ou fingia dormir. Podíamos ver as fogueiras dos inimigos do outro lado do vale. Sabíamos que pela manhã haveria uma batalha. Eu, um novato, ainda sem anéis de guerreiro, e sem sequer um escudo decente, ouvia um de nossos lanceiros mais velhos contar suas histórias.

– Já matou alguém, garoto? – Perguntou o velho lanceiro enquanto atiçava com uma faca a brasa da fogueira insuficiente para frio do outono – É uma sensação única. Nada se compara a isto. Você está lá no calor da batalha, sentindo somente ódio por aquele que está a sua frente. É só a cegueira e a raiva, o ímpeto de atacar potencializado pelo medo de ser ferido. Você olha o inimigo e só pensa em cortá-lo ao meio.

                O velho baixou os olhos e enfiou na boca um pedaço de pão duro. Seus olhos pareciam lacrimejar enquanto ele mastigava.

– Eu já matei muitos homens – continuou – E os deuses sabem o quanto eu quis matá-los e como urrei em triunfo cada vez que minha espada atravessou suas malhas, cada vez que parti seus elmos… cada vez que abri suas gargantas com um giro rápido e certeiro… Sempre fui bom em matar. Na verdade, é só o que sei fazer, por isso continuo, e continuarei até que um dia um garoto abusado como você consiga me derrotar.

                Eu não respondi. Apenas fiquei ali sentado tentando decifrar o que queria dizer aquele brilho em seus olhos, distantes, que refletiam o vermelho da fogueira. Aqueles olhos perdidos em seu rosto velho, entre as cicatrizes e rugas, o cabelo desgrenhado e a longa barba trançada.

                Ele, no que pareceu um esforço enorme, finalmente deixou sair o que estava pensando:

– E cada vez que eu matava, cada homem que eu mandava para o Valhalla, eu sentia que os deuses falavam através de minha espada. E hoje, quando me lembro desses homens, e juro por minha alma que me lembro de cada um deles – ele parou como se tentasse conter as lágrimas – Quando vejo suas imagens, com os olhares embaçados e as gargantas gorgolejando com o sangue e suas expressões de terror, só consigo entender que eles são como nós. Exatamente como nós. Que estiveram na noite anterior às batalhas sentados em volta de suas fogueiras, ouvindo os veteranos contarem suas histórias de glória e vitórias, que estavam com tanto medo quanto nós e que sentiam por nós o mesmo ódio. A guerra, filho, é como atacar nosso reflexo em um lago de águas paradas. Na guerra, matamos a nós mesmos.

Posted in Olhares, Sons, Viagens on 13/12/2008 by Kilminster

Campeonato roubado?

Posted in Esportes with tags on 09/12/2008 by Kilminster

Sim. Foi mesmo.

Nós subornamos o Grêmio para perder do Vitória, empatar com o Figueirense em casa, tomar três do Cruzeiro e perder da Portuguesa.

Também foram armaçõe sãopaulinas as derrotas do Palmeiras para o Grêmio em casa, para o Flamengo e Fluminense.

Ah! Também armamos a derrota do Cruzeiro para o Goiás, Atlético Paranaense e a goleada para o Náutico.

Aí ficou fácil… Só ficar 18 jogos sem perder e pronto…HEXACAMPEÃO!!!

CHOOOOOOOOOORAAAAAA TORCIDA ADVERSÁRIA!!!

spfc

Vão me acusar de ser repetitivo…

Posted in Esportes on 08/12/2008 by Kilminster

Mas tá aí de novo…HEXACAMPEÃO!!!! HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!!!

hexa

Pernilongo

Posted in Olhares, Viagens on 06/12/2008 by Kilminster

Aí você está lá, dormindo o sono dos justos, sonhando com os anjos e de repente surge ele, intrépido, ousado e imbuído de toda a crueldade para te importunar. Sim, o pernilongo!

É impressionante como uma criatura de dimensões tão reduzidas pode infernizar de maneira tão completa a vida de um ser humano.

Começa com a tortura psicológica, ele geralmente escolhe dias quentes, quando você deixa uma frestinha da janela aberta e demooooora para achar uma posição para dormir, mas finalmente você está relaxado e aí vem aquele barulhinho bem no seu ouvido: bzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz.

Pronto! Acabou seu sono tranqüilo. Você vai virar para lá e para cá, tentar acertá-lo no escuro, perder o sono e a paciência, e o pior… você será irremediavelmente picado.

A picada é uma sacanagem à parte, pois você dificilmente sentira no momento em que está sendo atacado para poder liquidar o mardito em plena ação, você só sentirá a coceira momentos depois. E como coça!

O pernilongo, por sua vez, escolhe os lugares mais inconvenientes para as picadas: orelhas, pálpebras, sola dos pés, ou algum ponto no meio das suas costas que você não consegue alcançar de jeito nenhum.

Então, você cheio de raiva, tonto de sono e com comichões espalhadas pelo corpo, toma coragem e levanta da cama e acende a luz para a perseguição do inimigo.

Tudo bem, sabemos que ele é diminuto, mas nessas horas, tudo leva a crer que ele é na verdade invisível. Não tem jeito, ele some. Você afasta móveis, sacode as cortinas, os tapetes, olha em cada canto, mas não encontra nada. Aí você desiste, apaga a luz e deita de novo. Bzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz.

Lá está ele como se risse da sua cara. Mais algumas picadas e você acende novamente a luz. Dessa vez, você o enxerga e começa a sessão de aplausos. Você tenta de todos os modos esmagá-lo entre as mãos, mas ele sempre escapa, e você lá, clap, clap, clap, clap… e ele faceiro bzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz.

Mas eis que a sorte muda e você acerta o malfeitor. Hahaha! Triunfo! Você olha para suas mãos e contempla junto com o cadáver de seu algoz uma boa quantidade de seu próprio sangue. Bleargh! Isso sim é um vampiro sanguinário! Mas você não liga, porque afinal se livrou da praga. Vai até o banheiro, lava as mãos e volta feliz para o quarto, deita e bzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz. Sim… pernilongos têm família, e eles são vingativos.

Repete-se o ritual, mais aplausos, e enfim, você, completamente exausto, dorme, cansado demais para continuar a batalha.

No dia seguinte, olheiras e coceira para todos os lados.

mosquito

Chinese Democracy

Posted in Sons on 04/12/2008 by Kilminster

Aos berros Axl Rose há dezessete anos desafiava o mundo, quando os então aguardadíssimos “Use You Illusions I e II” do Guns n’ Roses, a então maior banda do mundo, foram lançados. Na época, formaram se filas durante a madrugada para esperarem nas portas das lojas pela oportunidade de ter em mãos a tão aguardada bolacha. Ainda não vivíamos tempos de internet quando todas as músicas de todos os discos vazam bem antes do lançamento.

Hoje, uma expectativa diferente se formou em torno do ultra aguardado, comentado, adiado, exagerado e outros adjetivos mais, “Chinese Democracy”. É o fim de um hiato, de um mistério e de uma lenda. O álbum prometido há mais de uma década finalmente foi lançado.

Como eu havia previsto aqui, (http://cronicasabsurdo.blig.ig.com.br/2006/01/sexo-drogas-rock-and-roll.html), a maior parte da crítica caiu matando encima do disco, mas isso é fácil. Fácil porque desde que o Guns n’ Roses atingiu o topo do mundo, seguido da superexposição de suas exentricidades e os grunges com sua postura loser, (muito mais parecidos com os críticos musicais), assumiram o controle das paradas de sucesso, o maior divertimento da imprensa especializada é falar mal de Axl Rose.

Porém, vamos ao disco:

Chinese Democracy não tinha mesmo como superar as expectativas depositadas encima de seu lançamento, afinal de contas, a banda se desmantelou, Axl, solitário, foi se tornando uma espécie de Michael Jackson do hard rock e muito tempo se passou.

O disco de fato se perde em algum lugar entre a tentativa de soar moderno e de manter a vibe característica da banda. O problema, é que um disco que vem sendo trabalhado há treze anos não tem como soar moderno! Muita água passou por debaixo da ponte nesse tempo todo. Há coisas lá que só poderiam ter sido lançadas no meio da década de 1990, soando datadas nesta primeira década do novo milênio.

O excesso de produção é outro problema. Os arranjos, por vezes carregados demais, não deixam que a música capture o ouvinte.

A longa duração das faixas também é um ponto contra fazendo com que várias delas se pareçam e cansando um pouco. “Better”, por exemplo, com um minuto a menos seria um hit instantâneo.

E Axl berra. Berra muito e muito agudo. Agudo como poucas vezes fez nos discos anteriores, e olhe que isso não é pouco!

O lado positivo do disco está nas faixas mais “estranhas”, por assim dizer, principalmente as baladas como “Sorry” e “If the World” onde o excesso de produção não afeta tanto o lado orgânico das canções.

Como saldo final, temos um disco apenas médio, bastante pop, cheio de baterias eletrônicas, cinco guitarristas diferentes e que não lembra em nada o velho Guns. A ausência da guitarra clássica de Slash é um buraco difícil de se preencher assim como a veia punk de Duff McKagan que sempre deu à banda aquela pulsação energética vinda das ruas, tão característica nos outros álbuns.

Tivesse sido lançado como um disco solo de Axl, talvez “Chinese Democracy” contasse com uma maior indulgência do público e da crítica, porque não há nada de Guns n’ Roses no álbum, a não ser o próprio nome na capa e os berros de Axl nas faixas.

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Jai Sri Krishna

Posted in Sons on 02/12/2008 by Kilminster

Ele era o mais novo, o mais quieto, o mais místico, o mais misterioso, o mais irônico, com o senso de humor mais ácido e era o que tinha maior capacidade de autocrítica, esta até demasiada.

Conseguiu impressionar os garotos mais velhos e convencê-los de que com ele seria melhor. Tinha um talento que faltava aos outros. Uma dedicação que fez dele o melhor instrumentista.

Passou anos sufocado entre o canhoto à sua direita e o destro á sua esquerda. Sequer tinha um microfone seu. Alternava-se de um lado a outro conforme a música e além de não ter a personalidade forte destes, não tinha também o carisma de seu companheiro do fundo do palco.

Mas tinha uma musicalidade e uma precisão fora do comum. Uma noção exata do que tinha que fazer e quando fazer. Soube ser o melhor sem ser o mais espalhafatoso. Soube dizer tudo em poucas palavras. Concentrar em uma nota o que a maioria não consegue em dezenas de escalas.

Nos poucos espaços que lhe deixavam ele encaixava pérolas de brilho raro e incomum. Suas canções eram do mesmo nível e por vezes melhores que as dos gênios que o rodeavam.

Entendeu que o verdadeiro mote da existência é a alma, e não a matéria. Voltou seus olhos para o leste e descobriu novas formas de enxergar o mundo. Influenciou seus companheiros e mais metade do mundo. Criou coisas novas e jogou aos olhos dos incultos um universo completamente novo.

Percebeu logo também que a maioria só tinha capturado meia mensagem e se distanciou, aprofundando-se em sua busca.

Não buscava o centro do palco, nem os holofotes, mesmo quando saiu da sombra dos dois gigantes que mantinha ao seu lado

Em sua habitual discrição inventou modestamente os concertos beneficentes e o jeito de usar o que sabia fazer de melhor para algo mais relevante. 

Em sua modéstia, muitas vezes superou aqueles que o ofuscaram por anos mostrando uma arte maior em seu caminho solitário.

Não usou de seu passado glorioso para fortuna e fama, usou sua fortuna e fama para seu próprio futuro. Viveu sua vida como queria e partiu, há sete anos, sabendo que apenas começava a viver.