Arquivo para novembro, 2008

On Stage

Posted in Olhares, Sons on 25/11/2008 by Kilminster

“Figth Fire With Fire”.

É assim que funciona. O que acontece aqui encima, se repete lá embaixo. É como encarar uma fera. Não pode ter medo, tem que ganhar a confiança. Tem que mostrar logo quem dá as cartas, mas não pode parecer imposição. Tem que convencer que suas cartas são as melhores. Tem que mostrar quem domina o jogo e fazer achar que assim é que é o certo.

“Hay que endurecer, pero sin perder la ternura”.

Se mostrar fraqueza ela te engole. Se for muito rude ela foge. Se estiver desinteressado, ela se desinteressa. Se for divertido, ela se acaba. Tem que olhar no olho, mas não pode encarar. Tem que desafiar, mas pedir cumplicidade. Tem que trazer para perto, mas manter a distância. Tem que comandar, mas tem que entender seus desejos. Tem que perceber seu humor e tem que saber revertê-lo.

O que acontece aqui encima, acontece lá embaixo. É só saber o que fazer e fazer como se deve.

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Riffs

Posted in Sons on 14/11/2008 by Kilminster

O que vem a ser um Riff? Para quem não é lá muito ligado em roquenrou, o conceito de riff não é lá muito familiar. Também não é algo que se explique assim tão fácil. Um riff é um padrão que se repete durante um certo tempo em uma música. Se a música for do Metallica, pode ter vários deles em uma só, se for do Doors, pode ser um só durante a música inteira.

Enfim, sabe aquela introdução da “Day Tripper” dos Beatles? Ou facilitando ainda mais, aquela da “Smoke On the Water”? Então, são exemplos muito bem acabados de riffs.

Mas onde quero chegar com tudo isso? É que no rock, um bom riff é tudo. Ele pode salvar uma música “mais ou menos”, carregar uma melodia mais pobre ou ainda fazer mais sucesso que o refrão, (é o caso da Smoke On The Water, ou não?).

Os grandes mestres da arte do riff são muitos e se destacam por diversas razões. Para mim, o maior deles é o Jimmy Page, mas Tony Iommi não fica atrás, assim como Blackmore, Angus Young, James Hetfield, Dave Mustaine, Jimi Hendrix entre muitos outros. Cada um deles é capaz de arrancar da guitarra aquele riff ganchudo que faz com que você goste da música imediatamente. Alguns casos são o que em inglês se chama “outstanding” de tão bons. Listarei alguns dos meus favoritos:

The Beatles – Hey Bulldog: Cara! Quem resiste àquela seqüência de ritmo quebrado com 5ª menor? E no final quando modula para F#? Impossível sair ileso

AC/DC – Let Me Put My Love Into you: Não qualquer riff, mas o da ponte, um pouco antes de entrar o refrão. O que é aquilo minha gente! É de quebrar qualquer pescoço! Pesa uma tonelada sem exagerar no drive. É puro rock and roll.

Led Zeppelin – Friends: Page e seu violão em divisões rítmicas inspiradas na música oriental com um monte de cordas soltas. É denso, hipnótico, extasiante e bonito!

Metallica – Lepper Messiah: Na verdade é o terceiro riff, ainda no começo da música um pouco antes do vocal entrar. É só um power chord mizão com “palm mute’ em colcheias, sem firula nenhuma. O baixo vem no contraponto. Mas é como se um tanque de guerra saísse dos alto-falantes. A consolidação da “pata de urso” do Hetfield. Muito peso e nenhum truque.

Black Sabbath – Electric Funeral: É tenebroso, lento, arrastado, com um timbre que só o Iommi consegue e wah-wah. É o Heavy Metal nascendo e já mostrando as garras.

Deep Purple – Lazy: A música é praticamente uma jam, mas o riff principal é arrasador. É um típico blues sacana, só que com um pouco mais de pimenta. Impossível escutar e não ficar o resto do dia com ele na cabeça.

Cenas de Cinema

Posted in Olhares, Viagens on 04/11/2008 by Kilminster

Às vezes eu queria ter uma câmera para registrar alguns momentos cinematográficos que ocorrem no dia a dia. Situações por vezes comuns, por vezes inusitadas, que a gente presencia por aí, principalmente no transporte público, mas que de algum modo ficariam muito interessantes se registradas e colocadas na telona.

 Cena 1 –

 A lotação parte e ela está em pé. Com o braço esquerdo ela segura uma pequena sacola, com o direito, segura-se na barra de ferro no alto. No rádio da van começa a tocar “Razões e Emoções” do NX0. Ela delicadamente inclina a cabeça apoiando-a no braço erguido. Com o olhar distante, começa a acompanhar com os lábios, sem som algum, a letra da canção. Ela vai recitando palavra por palavra com uma certeza impressionante. E assim até que chega o refrão quando uma lágrima solitária escorre por seu rosto bonito.

 Cena 2 –

 O metrô pára na estação Brás e entra um cidadão baixo, vestindo roupas simples, carregando uma bolsa grande e nos ouvidos um já antiquado walkman. O volume é tão alto que os demais passageiros podem perceber que ele está ouvindo o rádio sintonizado na Alpha FM. Ele entra e se encosta nas portas assim que estas fecham. Começa tocar “Never Tear Us Apart” do INXS. E ele permanece imóvel. Na estação seguinte, algumas pessoas descem e já é possível ver a outra ponta do vagão. Lá, uma mulher usando um vestido florido e fones de ouvido canta junto a mesma música.

 Cena 3 –

 Metrô vazio às 22:00. Ele entra e se senta ao lado de uma garota bonita que usando roupas diferentes, daquelas que se encontra na Galeria Ouro Fino, desenha sem parar em um caderno. Ela tem um traço firme e desenha bonequinhos, como aqueles dos gibis japoneses. Ela mesma parece um desses personagens. Ela sorri e virando-se para ele oferece o caderno e a caneta dizendo laconicamente “Desenhe alguma coisa”. Ele acha inusitado, mas mesmo assim pega o caderno e desenha uma bonequinha, com traços mais rústicos que os dela, mas ainda assim com alguma graça. Ela pergunta “Quem é?”, ele diz “É você”. Ela sorri em aprovação e pegando de volta o caderno, olha o desenho por alguns segundos, agradece e volta a desenhar sem dizer mais nada.

 Cena 4 –

 Dia complicado no metrô aquela manhã. O vagão está lotado e as pessoas se espremem tentando não se mexerem muito e nem fazerem barulho demais. Porém um grupo que não pode ser visto dali insiste em cantar hinos evangélicos em vozes femininas e estridentes. A afinação não é lá das melhores e a grande maioria das pessoas que se espreme lá dentro preferiria não ouvir aquilo, mas mesmo assim ninguém se manifesta. Elas cantam “Ele fez o morto ressuscitar, ele fez o cego enxergar, ele andou sobre o mar, ele fez paralíticos andar…(sic)”. Nesse momento, um pobre coitado, que já devia estar com o saco na lua, solta em alto e bom som: “Andarem, sua vaca!!!”.