Arquivo para setembro, 2008

Pedras Frias

Posted in Olhares on 27/09/2008 by Kilminster

Em meio às pedras frias, os homens em seus trajes medievais cantam suas liturgias em línguas mortas em louvor a um deus que já não é o mesmo nascido há milênios em terras distantes. Seu canto monótono em uníssono reverbera na grande nave, chocando-se nos vitrais e subindo pelas altas colunas e paredes opressoras onde estão retratadas suas lendas, há muito forjadas em sua cultura e que é mantida a todo preço, resistindo ao tempo e aos novos ventos que sopram arrastando nuvens mostrando novas luzes e novas cores.

E assim vão repetindo seus ritos antigos em seu templo que contrapõe extrema austeridade com ostentação e luxo de uma instituição que se pretende pobre e que foi criada com o propósito de cultivar o amor e a humildade. Estranha contradição.

As poucas luzes e o silêncio quebrado apenas por ecos que chegam das ruas acentuam a imponência de suas imagens, seus signos, por vezes místicos e muitas vezes sincréticos, que se misturam inusitadamente em todos os espaços possíveis e imagináveis. Cada detalhe entalhado é um código deixado apenas para os que são capazes de lê-los, ou sagazes para descobri-los. Detalhes que mostram que há mais envolvido ali do que uma única simples tradição. Marcas de poderes diversos se espalham.

A sobriedade do recinto e de seus ocupantes com seus trajes escuros e a quietude desconcertante dão ao local um aspecto sombrio. Curioso então que procuremos estes lugares em busca de conforto e alívio. Como se sua grandeza e imponência fossem suficientes para que nos convencer do quão pequenos somos e o quanto são desimportantes nossas mazelas diante da grandiosidade de sua existência. Mas ainda assim é o que fazemos.

Talvez seja o simples fato de lançarmos nossas vozes contra o eco nas pedras frias que nos traga alento.

Anúncios

Soluções Vikings Para Problemas Modernos.

Posted in Momento Sr. Saraiva on 26/09/2008 by Kilminster

Pode não ser sutil, mas é mais eficiente.

 – Para pessoas que seguram as portas do metrô: É só substituir aquelas borrachinhas das portas por duas lâminas afiadas. Nas primeiras mutilações poderia ocorrer alguma comoção, mas logo o povo ficaria esperto.

 – Para a Lei Seca: Mudar a denominação dos estabelecimentos de “Bares” para “Tavernas” e fazer com que os donos deixem os bêbados dormindo onde quer que caiam, assim não precisarão ir para casa e consequentemente não precisarão dirigir. Pensando melhor, o ideal seria decapitar o inventor da lei seca e expor sua cabeça em uma estaca para servir de exemplo.

 – Para as eleições: Basta que os candidatos sejam postos para duelar com espadas e escudos. O que sobreviver ganhou. Nos debates, antes de cada pergunta ou resposta, o candidato deverá tomar um chifre de cerveja. Será considerado o vencedor o que ainda conseguir falar ao final do programa

 – Para espertinhos que furam filas e invadem espaços como jogos de futebol e outros espetáculos: Abate sumário realizado por arqueiros estrategicamente posicionados. Os cadáveres deverão ser expostos próximos aos locais das ocorrências sob os dizeres “Quem fura a fila acaba assim”.

Manual de Instruções

Posted in Viagens on 23/09/2008 by Kilminster

Seria tão melhor se as pessoas viessem com manuais de instruções… A gente não perderia tanto tempo tentando entendê-las e nem ficaríamos perdidos sem saber como agir com elas.

Com a tecnologia disponível hoje, a consulta a estes manuais poderia ser realizada completamente on-line permitindo que a gente soubesse com antecedência com quem estamos lidando.

Imagine só que maravilha você que vai receber um parente distante para um jantar, ou mesmo aquele jantar que é meio de negócios. Você entraria na internet, google, digitaria lá “Manuais de Instruções Pessoais”, entraria com o nome do cidadão e pronto. Lá estaria o dossiê completo. Aí você iria até o tópico “alimentação” e descobriria  que ele não suporta ervilhas, tem alergia a noz-moscada e que prefere carne branca. Pronto. Seu jantar seria uma garantia de sucesso.

Isso sem falar em inúmeros outros casos, como entrevistas de emprego, namoros, criação de sociedades, associações, eleições, enfim, tudo seria mais fácil.

Claro que há o risco dos homônimos, por isso recomenda-se que os manuais sejam ilustrados com fotos do dono.

Também seria de grande valia se pudéssemos consultar nossos próprios manuais. Por mais que a gente se conheça, sempre chega uma hora que pinta uma dúvida, uma hesitação, aquele “sei lá, entende”. Ai pronto. Você acessaria seu próprio manual, ou consultaria a versão impressa, e iria ao tópico “enroscos” e tava resolvido. Sem dramas. Instruções lidas, caso encerrado.

Mas não, né? Tudo tem que ser complicado. Alguém decidiu que temos que aprender as coisas na base da cabeçada e é assim que a gente vai. Tropeçando lá e cá, caindo, levantando, caindo de novo… Custava nada ter um manualzinho.

Death Magnetic

Posted in Sons on 17/09/2008 by Kilminster

Finalmente saiu! Um disco que era esperado desde que acabou a turnê do “Black Album” de 1991.

Tá tudo ali, certinho! Músicas rápidas e longas, peso, riffs e mais riffs, solos, guitarras dobradas, mudanças de andamento, uma música instrumental e até um certo ar de novidade. Mas acima de tudo lá está o Metallica. O velho e bom Metallica que disse ao mundo o que queria dizer o termo “Heavy Metal”.

Até acho que “Load” e “Reload” são bons discos, mas não poderiam ser de uma banda chamada Metallica. Qualquer outra banda que tivesse lançado estes discos teria sido aclamada por crítica e público, mas do Metallica se esperava mais. Muito mais.

Tivesse este “Death Magnetic” saído em 1996 no lugar de “Load” e todos diriam maravilhas do quarteto californiano até hoje, sem contestar isso ou aquilo e etc. e tal e acusar os caras de tudo quanto é coisa.

Já “St. Anger” é um caso à parte. É um disco que a banda gravou para si mesma e só funciona inserido em um contexto. Muito cru, muito direto, tenso e inseguro, como estava a banda na época, o que pode ser comprovado no documentário “Some Kind of Monster”.

Em “Death Magnetic” estão elementos destes três mal falados discos e também dos cinco clásicos anteriores. O disco apresenta uma evolução e expansão de novos rumos, mas sem perder a identidade e nem renegar as raízes. É o equilíbrio finalmente chegando ao Metallica do século XXI.

Os destaques são as toneladas riffs de James e Kirk e o baixo do estreante Robert Trujillo, um dos baixistas mais brilhantes do mundo, mas que soube entender perfeitamente seu lugar na banda, contendo suas insanidades e tocando de forma a não descaracterizar o som da banda.

Enfim, para os fãs, Death Magnetic é a redenção. Era o disco que precisávamos. Para ouvir e se sentir de alma lavada. Eles estão de volta. Ouça já!!!

The Great Gig in the Sky

Posted in Sons on 16/09/2008 by Kilminster

Richard Wright agora toca o grande concerto no céu…

Apenas ouça.

R.I.P.

Paciência

Posted in Olhares on 12/09/2008 by Kilminster

Tá certo que eu ando chatão por esses dias, mas já há algum tempo tenho notado que já não tenho muita paciência para certas coisas. Sei lá, só sei que não consigo mais aturar coisas que antes eu gostava. 

Janis Joplin: Cara, não agüento mais aquela gritaria toda! É lógico que não é uma coisa assim tão radical. Há coisas boas na obra dela tipo “Try” ou “Me and Bobby McGee”, mas hoje em dia a introdução de Kozmic Blues me dá arrepios. Ou então “Cry Baby” com aqueles metais estridentes. E nas versões ao vivo das músicas em que ela começa a falar sem parar…Putz! E olhe que eu era de pôr o disco pra rolar e esquecer. Prefiro a Amy Winehouse, que é doidona igual e não grita.

Caetano Veloso: Sempre tive ressalvas quanto a Caê, mas de uns tempos para cá, não tenho nem conseguido ouvir as coisas boas que ele fez. Sei que sua obra vai muito além do “Eta, eta, eta” mas mesmo assim não dá. Eu me lembro da cara dele tremendo o queixo para fazer os vibratos e me dá aquele desespero. Chega de Caetano.

Jô Soares: O gordo teve seus dias de glória no humorismo e principalmente como entrevistador. Nos primórdios de seu talk show, Jô arrancava leite de pedra fazendo entrevistas interessantes de pessoas aparentemente sem graça. Com isso, os elogios vieram e com ele a empáfia. Jô passou a fazer do entrevistado apenas um pretexto para que ele desfilasse toda sua capacidade, inteligência e cultura. Hoje, eu só assisto o programa dele se o entrevistado for o Ovelha ou o Serguei.

Séries televisivas, novelas, e qualquer coisa que passe em capítulos: Não consigo assistir nada que demore demais para acabar. Com muito esforço vejo o Lost, mas só porque consigo ter os capítulos todos da temporada à disposição para a hora que eu quiser. A vida já é tão cheia de horários e compromissos que ter que estar em frente à TV em tal dia e tal hora me aborrece logo de saída.

Mesas Redondas de Futebol da TV Aberta:  Como todo aficionado por futebol, eu sempre gostei de assistir debates sobre a rodada, afim de obter informações e ouvir opiniões sobre a situação de cada equipe no campeonato. Mas como sempre tem um mas, esses programas passaram a ser uma mera desculpa para toneladas de merchandising e para que os comentaristas fiquem disputando quem sabe mais e quem é o dono da verdade absoluta. Ressalvas feitas ao Cartão Verde e ao Rock Gol de Domingo,

Músicas Para Acordar

Posted in Sons on 12/09/2008 by Kilminster

Aí o rádio relógio desperta tocando “Love Shack” dos B52’s.

Então eu me pergunto: quem merece acordar com uma coisa dessas? Quem é que já esta nessa felicidade toda na hora de acordar? O que se passa na cabeça de um programador de FM para achar que as pessoas vão gostar de B52’s antes das sete da manhã?

Tá, nem precisa ser com os chatões do B52’s, pode até ser “Panama” do Van Halen, ou “Rock and Roll All Nite” do Kiss, ou “You Shook Me “All Night Long” do AC/DC. É muita empolgação para sair da cama.

Decerto o cara imagina que você vai jogar as cobertas para o lado e sair dançando alegremente em direção ao banheiro, feliz e sorridente, louco para chegar logo no trabalho.

Seria quase a mesma coisa que acordar com “Dyers Eve” do Metallica. O cara ia cair da cama!

Não, não! Por favor! Isso não! O sujeito tem que acordar aos poucos, nada de solavancos. Tem que ser uma musiquinha mais, digamos assim, viajante. Sei lá… tipo uma balada de Southern Rock, como “Melissa” dos Almann Brothers, ou “Thorn In My Pride” do Black Crowes. Ou então alguma coisa como “Brothers In Arms” do Dire Straits que começa quase silenciosa e aos poucos vai preenchendo os espaços paulatinamente até que o cidadão que sonha com os anjos volte à Terra.

Talvez fosse melhor deixar na Alpha Fm, né? Sei não… De repente você pode ser agraciado com alguma pérola dos anos 80 como “Always Something There To Remind Me” do Naked Eyes, ou ainda com o Gilberto Gil todo feliz cantando “Realce”. Socorro! Ninguém acorda para trabalhar em ritmo de festa. Só o Silvião, talvez…

Acho que nos cursos para profissionais de rádio deveriam constar informações que permitissem aos programadores conhecerem melhor quais as horas as pessoas querem ouvir determinados tipos de música. B52’s para acordar é a mesma coisa que João Gilberto para sair de balada na sexta à noite. Não dá!

Acho que a melhor música para acordar deve ser “Stairway To Heaven”. Ela começa devagar, com guitarra e mellotron, depois vem um vocal tranquilo, e aos poucos a música vai crescendo e demora uns cinco minutos para ficar barulhenta. Dá para ir despertando aos poucos sem se estressar.

Bom Diaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!