Arquivo para agosto, 2008

Música do Police

Posted in Sons, Viagens on 31/08/2008 by Kilminster

Minha vida é como uma música do Police. Parece bem simples, mas quando vai ver, tem minúcias e detalhes extremamente complexos.

A melodia é assoviável, mas é intrincada. Dá pra bater o pé no chão enquanto ouve, mas o tempo do baixo não casa com o vocal. A bateria quando parece que vai ficar reta, manda um contratempo. Algumas coisas se repetem como os delays da guitarra.

Mas o pior é a harmonia. Sempre têm aqueles acordes com 9ª que a gente não sabe se é maior ou menor e sempre chega uma hora em que a gente fica em dúvida sem saber qual acorde vai continuar aquela progressão.

Mas se você está ouvindo distraído, parece tudo fácil, que tudo tem começo meio e fim bem certinhos. Pode até ser, mas não é tanto assim. Às vezes o tom do vocal é agudo demais, às vezes o baixo é fora do tempo, às vezes não é uma palhetada, é um eco e às vezes a batida tem que mudar.

Spinning Wheel

Posted in Viagens on 20/08/2008 by Kilminster

As coisas vêm e vão o tempo todo. O que já se julgava extinto retorna logo adiante como se jamais tivesse ido. Às vezes é apenas uma pequena trégua, como se tivesse passado, mas ainda assim se pode perceber o grande olho oculto observando e esperando.

Aí o ciclo se fecha e o círculo inicia mais uma volta. Mas não é a mesma volta. A diferença é que ao menos houve chance de saber como o ponteiro se comporta. Fica mais fácil saber de que lado está o sol e se a sombra adiante é somente a nossa.

É assim, como as voltas intermináveis dos planetas em torno do sol. Sabemos que haverá o verão, o outono, o inverno e depois a primavera. O que está aqui vai embora mas depois pode voltar. Quando volta, parece óbvio que o faria. Quando volta parece que não foi.

Hora do Almoço

Posted in Olhares on 19/08/2008 by Kilminster

Quem trabalha sempre aguarda ansiosamente a segunda melhor hora do dia, a hora do almoço, (porque a melhor hora do dia é a hora de ir embora e pronto).

Essa hora é fundamental para dar aquela espairecida, dar uma olhada na cara da rua, saber como está o tempo e, fundamentalmente, é a hora de comer.

Alguns levam marmita, outros não têm essa (in)felicidade, então restam os restaurantes espalhados por toda a cidade.

Na maioria das vezes, as pessoas acabam optando pelos famosos “quilões”, porque são rápidos, relativamente baratos e dá pra montar o próprio prato de acordo com a fome e o que te anima no dia. Nem sempre franguinho grelhado emociona.

Mas o mais interessante é o comportamento das pessoas durante o horário de almoço.

Nos restaurantes observamos pessoas dos mais diversos modos. Há aquelas que chegam em grupo, falando alto e travando a fila. Estes normalmente saem da empresa juntos e passam o almoço comentando sobre o próprio trabalho e falando mal do chefe e de colegas ausentes, fazendo piadas sem graça e comentando manchetes da internet.

Outros, mais azarados, acabam indo almoçar com o chefe. Aí, o que era para ser um momento de descontração para quebrar o estresse do dia se torna uma reunião, ou pior, uma entrevista para uma possível promoção. O cara fica lá, calculando cada gesto, cada ato. “Será que pega bem se eu pegar couve-flor? Eu odeio couve-flor… ” Imagine só o cara ser preterido de uma oportunidade porque não come couve-flor ou separa os pedacinhos de cebola da comida!

Tem o casal que se encontra na hora do almoço e que resolve aproveitar a mesinha do restaurante como se estivessem em uma sexta-feira à noite. Ficam lá as bandejinhas com os pratos e talheres sujos e os pombinhos de mãos dadas por cima da mesa ignorando os outros pobres coitados que estão em pé com suas bandejas, com a comida principiando a esfriar, tentando achar um lugar

Há também os solitários. Esses são de dar dó, o cara fica lá sentado com seu prato em uma mesa para dois olhando para o nada enquanto mastiga lentamente. A impressão que dá é que aquela pessoa está extremamente carente, se sentindo tão sozinha e abandonada que sequer tem uma companhia para o almoço. Realmente almoçar sozinho é muito chato. Sem falar que quando a gente está sozinho, come mais rápido e acaba ficando com um tempão para andar a esmo, também sozinho, pela rua. É muito triste…

Mas o pior de tudo nesta história de almoço é termos negado o direito à sesta. Isso é o que faz falta. É uma dureza voltar do almoço direto para posto o trabalho sem a menor trégua. Se a gente parasse uma meia horinha que fosse encostado em algum lugar bem quietinho para dar uma fechada nos olhos, aposto que o rendimento à tarde melhoraria. E o humor também.

Claro! como não?

Posted in Sons on 17/08/2008 by Kilminster

Morrissey pediu para que as pessoas não comprem seu novo DVD. http://igpop.ig.com.br/principal/2008/08/16/morrissey_pede_aos_fas_que_nao_comprem_seu_novo_dvd_1568490.html

Ele pode contar comigo!

João Gilberto

Posted in Sons on 15/08/2008 by Kilminster

Um show único em São Paulo com ingressos esgotados em apenas uma hora e meia levaram os holofotes novamente a João Gilberto, o grande ícone da música brasileira. O homem que revolucionou a chamada MPB ao misturar a sofisticação do jazz americano à cadência do samba criando a Bossa Nova. O gênio, o mestre, o perfeccionista, o guru e acima de tudo, o chato.

Sshhhhhhhhhhhhhhhhhh! É o que mais se ouve de nosso caro João. Ou então quando ele critica a platéia por acompanha-lo com palmas. “O artista sou eu”, clama João! Ele reclama também da acústica de todo e qualquer lugar onde toca.

Aí ele senta lá, com aquele violãozinho inaudível e sua voz sussurrante e logo os bocejos começam. Que desânimo aquele cara cantando baixínho as mesmas músicas de sempre, com harmonias sofisticadíssimas  e tempos complicados e melodias intrincadas… João Gilberto é um poema parnasiano. É ele por ele mesmo. Gira, gira, gira e não sai do lugar. Um preciosismo e um virtuosismo absolutamente desnecessários.

O Piu, um grande amigo meu, diz que toda canção da bossa nova começa com o cantor(a) cantando sussurradamente a palavra “Vocêêêêêê…..”. Só pra cantar esse “Vocêêêêê”, João Gilberto toca dezoito acordes. Um exagero!

Certa vez, o jogador de futebol Neto, no auge de sua carreira no Corinthians, foi assistir a um show de João Gilberto, provavelmente influenciado pelo hype em torno no músico, e foi entrevistado ao sair: “E aí Neto, gostou do show”, “Ah! Gostei, mas eu prefiro Chitãozinho e Xororó”. Foi genial ouvir uma opinião sincera em meio à multidão de baba-ovos que saía da casa de espetáculos.

Não nego sua importância e sua influência sobre a música brasileira e até internacional, mas que ele é chato ele é. E muito. Não acredita? Bota um disquinho dele pra rodar? Aposto como você dormirá antes que ele termine o primeiro “Vocêêêêê…”.

Da herança gilbertiana, eu fico com a singela homenagem abaixo, prestada pelo genial Língua de Trapo.

Bassman

Posted in Sons on 14/08/2008 by Kilminster

Os baixistas são seres incompreendidos. Muita gente sequer sabe por que a “guitarra daquele ali” só tem quatro cordas. Ninguém compreende exatamente o que é ser um baixista. Ok, o baterista faz o ritmo, o vocalista canta e os guitarristas fazem o resto. Até os tecladistas têm sua função compreendida, mas o baixista…

Geralmente o baixista é aquele cara mais quieto, que se mexe pouco no palco e que faz os backing vocals, mas ser um baixista é muito mais que isso. Ser baixista é ser o cara que segura a onda. É ser aquele que faz a ponte entre a percussão e a harmonia, quem casa o ritmo com a melodia, quem pulsa e segura o peso da música.

Como eu sempre gostei de comparar, se uma banda fosse um carro, o baixo seria a suspensão. Você pode até não ficar pensando nela o tempo todo, mas se ela falhar, vai ser um tranco só. Se fosse um time de futebol, seria o volante que toma a bola e sai para o jogo. Não aparece muito para a torcida, mas o técnico jamais abre mão dele.

Tocar baixo é saber que a música está em suas mãos, que você pode inverter a harmonia, alterar a pulsação, baixar a dinâmica e sustentar o ataque.

Tocar baixo é não poder falhar, porque se falhar, aparece um buraco imenso. É manter o tempo enquanto a bateria vira, amaciar as passagens de acordes e segurar a bronca enquanto a guitarra sola.

Dizem que as mulheres não olham para os baixistas. As desinteressantes não olham mesmo.

Wyrd Bið Ful Aræd

Posted in Viagens on 12/08/2008 by Kilminster

Tudo é como tem que ser. Se não for agora, será depois. Se não for de um jeito, será do outro. As coisas acontecem porque tem que acontecer.

Às vezes por caminhos tortos, às vezes mais diretos, às vezes pelo lado errado, nem sempre do jeito mais fácil.

Às vezes dá para prever, às vezes vem de surpresa. Nem sempre como queremos, nem sempre quando queremos. Às vezes é a coisa certa na hora errada, às vezes nós não entendemos a hora e às vezes não entendemos as coisas.

Os sinais estão por todos os lados, mas geralmente não conseguimos ou não queremos lê-los, ou então lemos ao nosso modo sem pescar o que realmente eles querem dizer. Aí, depois do espanto,  a constatação do óbvio.

Se foi assim, é porque tinha que ser. Se tivesse sido diferente, seria porque sim.

Nem tudo é para ser explicado, nem tudo é para ser entendido, mas se foi, é porque tinha que ser.