O Mar

Postado em Olhares, Viagens com as tags , , em Setembro 23, 2009 por Kilminster

Das minhas janelas vejo o mar. Não o mar líquido. Vejo o mar sólido de metal e concreto.

Vejo seu movimento de ondas lineares que não avançam e recuam com as marés, mas que vem e vão em movimentos lineares, por vezes serpenteando em seus canais negros.

Ao cair da noite, não é negro como o mar de água, mas se colore de luzes em milhares de pontos amarelos, brancos, vermelhos e verdes. É quando seu movimento fica mais evidente, e mais bonito.

O vidro da janela o faz silencioso, quase tranquilo, mas a aproximação revela seu caos de infinitos sons e músicas, docemente enlouquecendo aqueles que nele mergulham.

Somente imersos em suas profundezas é que podemos encontrar seus encantos e seus tesouros. Não é óbvio. Requer ciência para compreender sua beleza. Por isso mesmo são infinitas suas recompensas.

No mar nos perdemos todos os dias e acompanhamos seu eterno movimento. No mar vai a vida. No mar vamos nós.

Pick up yours…

Postado em Olhares, Viagens em Setembro 23, 2009 por Kilminster

Ou pensa, ou repete.

Ou entende, ou escorrega.

Ou lê nas entrelinhas, ou obedece.

Ou olha para os dois lados, ou é atropelado.

Ou sabe, ou grita.

Ou argumenta, ou xinga.

Ou enxerga, ou esbraveja.

Ou aprofunda, ou morre na praia.

Homeless

Postado em Viagens em Setembro 19, 2009 por Kilminster

Saudades dos meus livros, das minhas músicas. Saudades do espaço, do tempo. Saudades da sozinhez, do silêncio, do escuro. Saudades dos aromas, dos sabores. Saudades da TV desligada, da música soando, do nada fazer. Saudades do relógio próprio, dos acordes encadeados ao acaso, dos improvisos sem razão. Saudades da desconexão, do desalinho, da meditação. Saudades do que é e do que nunca deveria ser e da batalha de todo sempre. Saudades do café forte, das tardes perdidas e dos chocolates amargos.

4000

Postado em Viagens em Setembro 17, 2009 por Kilminster

Quanto tempo leva para passar quatro mil dias?

Leva, é claro 4000 dias. Ou 96000 horas, ou ainda 10,958904109 anos.

De qualquer modo é muito tempo. Um tempo maior do que talvez devesse ser, ou talvez apenas uma parte de um todo maior.   

Em quatro mil dias dá para acontecer muita coisa. São quase três mandatos presidenciais, duas Copas Do Mundo, duas Olimpíadas, dez Campeonatos Brasileiros…

Em quatro mil dias tantas coisas podem mudar tanto a pondo de no dia 4000 não conseguirmos lembrar como eram no primeiro.

Quatro mil dias atrás celulares eram enormes e caríssimos, não existiam MP3 e IPods, computadores eram lentos e de pouca memória e a glória era conseguir gravar coisas em CDs.

Quatro mil dias são um tantão de tempo.

Back In Black

Postado em Tem Que Ouvir com as tags , , , , em Setembro 16, 2009 por Kilminster

Disco que marca a volta do AC/DC e a estréia do vocalista Brian Johnson, meses depois da morte do carismático Bon Scott, este é um exemplar que vem representar toda uma discografia. Enquanto bandas e mais bandas se esfalfam para acdc_back_in_blackserem as mais rápidas, mais alternativas, mais virtuosas, mais pesadas e mais cabeçonas, o AC/DC faz o som que gosta e se enquadra na categoria dos “mais legais”.

É tudo básico. Simples direto, sem rodeios e sem frescuras. Bateria e baixo retos e concisos, guitarras monstruosas e vocais metálicos e rasgados. Os riffs são diretos e cortantes, o ritmo tem um balanço cafajeste, as levadas despejam testosterona e a produção do disco cheira a cerveja.

É diversão da primeira a última faixa, para ouvir sem pular nenhuma. Clássico encima de clássico em uma aula de rock and roll. Deveria ser matéria obrigatória nas escolas.

Destaques: Só para não ficar no óbvio ululante, ”Rock And Roll Ain’t Noise Pollution”, “Hells Bells” e a maravilhosa “Let Me Put My Love Into You”.

E ela se preocupa com as fotos da Playboy…

Postado em Olhares, Viagens com as tags , , em Setembro 10, 2009 por Kilminster

A julgar pelas roupas que ela usava, ter fotos pelada circulando por aí não é nada…

Xuxa

Quem Merece Este Governo?

Postado em Momento Sr. Saraiva, Olhares com as tags , , , em Setembro 4, 2009 por Kilminster

Teoricamente os presidentes, governadores, prefeitos, deputados, senadores, vereadores e ministros estão ocupando suas respectivas posições com o intuito de representarem e executarem a vontade do povo, se não em sua totalidade, pelo menos da maioria, ou seja, daqueles que os elegeram. Desta forma deles se espera que tomem atitudes que sejam condizentes com os cargos que ocupam, tendo como meta o bem estar geral da nação e dos cidadãos.
Na prática, o que se vê é um total desmando, com os políticos envolvidos em um contínuo jogo de poder onde o que menos interessa é o tal bem estar da nação. Membros de todos os partidos, que fique bem claro: “TODOS”, usam e abusam de suas posições para enriquecerem e se perpetuarem no poder. Não existe no Brasil situação e oposição, direita e esquerda. Existem apenas os que detém o poder e os que querem tomar o poder.
Aí vem a pergunta: Quem merece este governo? E quem merecia o anterior? E o anterior? Por acaso você acha que os governos anteriores eram menos corruptos que o atual? Ou eles apenas sabiam melhor como manter os inimigos calados? Não podemos ser ingênuos a ponto de acreditar que uma rede de corrupção tão grande tenha sido montada nos últimos três anos.
Mas voltando a pergunta do título, pode se dizer que: se você trafega pelo acostamento quando o trânsito pára na rodovia, se na hora de entrar no metrô você corta a fila pelos lados, se você acha mais gostoso quando seu time ganha roubado, se não devolve quando o troco vem a mais, se você compra mercadorias contrabandeadas nos promocenters da vidas, se compra produtos receptados de roubos em feiras “do rolo”, se não faz questão de nota fiscal, se finge que está dormindo quando uma moça grávida entra no ônibus, paga um cafezinho para o guarda quando sabe que será multado, se você não dá bom dia à faxineira do escritório, aceita quando seu funileiro te oferece uma peça “mais em conta” para o carro, estaciona torto na vaga do condomínio, não segura o elevador para o vizinho que chega correndo, pára no meio da rua para cumprimentar um conhecido segurando os outros carros atrás de você ou então aceita quieto quando estas coisas acontecem ao seu lado, então você merece.
Merece porque os governos são nada mais que o retrato de uma sociedade que age desta forma. Se você aplica o famoso “jeitinho” no seu dia-a-dia, não pode estranhar que os políticos assim o façam, afinal de contas, todo cidadão é elegível, sendo assim, os eleitos são pessoas como eu e você. Ora, do cara que molha a mão do guarda para o político que paga e aceita mensalão, a única diferença é a oportunidade.
Observando o cotidiano das pessoas, seja em grandes como em pequenas cidades, seja qual for a classe social, o que vemos é sempre um tentando tirar vantagem do outro. Desta forma, só posso crer que o povo brasileiro está muito bem representado por sua classe política, ou seja, nós merecemos este governo.

Originalmente publicado aqui em 27/03/2006.

Verborragia

Postado em Viagens com as tags , , , em Setembro 2, 2009 por Kilminster

Às vezes me dá esse ataque verborrágico em que eu começo a escrever sem propósito algum. Apenas por escrever, sem assunto, sem nada que interesse. Acho que na verdade fico ridiculamente encantado com a minha própria capacidade de digitar rápido. Acho legal como consigo conversar no MSN sem ter que abreviar tudo e ainda colocando acento nas palavras.

Um tanto anormal, mas o que é normal nesse mundo? Eu com certeza não sou. Então abro uma página em branco do Word e saio digitando qualquer coisa que me venha à cabeça, sem ficar com muitas delongas e preocupações estilísticas. No final, tenho um texto de relevância zero, mas ao menos dei vazão a um tanto de energia acumulada.

Tenho dificuldade em encontrar assuntos todos os dias para escrever, então acabo forçando a barra de vez em quando para ver se sai alguma coisa, mas em geral começo as coisas e não termino. Tenho salvos aqui no micro dezenas de pedacinhos de textos que eu comecei e não consegui desenvolver. Uns até interessantes, outros nem tanto.

No fim das contas, o que me interessa agora é ir digitando e digitando sem propósito algum. Talvez isso me cause alguma espécie de transe, uma espécie de “estado alfa” que me permita dar uma relaxada durante um dia chato de trabalho sem dar muito na vista que estou dando um tempo. Afinal de contas, o barulho frenético do teclado não é indício de que estou sem fazer nada.

E de fato não estou parado, estou digitando um monte de coisas sem sentido que nem sei se vou publicar. É só uma válvula de escape para a rotina. Escrever, escrever e escrever.

Se alguém leu até aqui, desculpe, não era a intenção, mas às vezes acontece. No meu primeiro post, lááááááá em 2005,  eu disse que ia escrever o que eu quisesse, quando quisesse e como quisesse. E assim é, por isso criei este blog, para escrever qualquer desvario que batesse nesta minha mente insana.

Appetite For Destruction

Postado em Tem Que Ouvir com as tags , em Setembro 1, 2009 por Kilminster

Disco de estréia do Guns n’ Roses em 1987 é o exemplo mais bem acabado de Hard Rock dos anos 80. Com este lançamento, a banda conseguiu romper com a aura “glam” do cenário hard de Los Angeles conseguiu se destacar do monte de bandas do então chamado “Hair Metal” ou no Brasil “Metal Farofa”.

AppetitefordestructionAs doze músicas são cheias de energia, com uma sujeira incomum, riffs poderosos, vocais ultra agudos e agressivos, baixo na veia e bateria certeira. Tudo isso combinando em uma pegada pesada e um senso pop na medida.

O som mais cru e a postura junkie trouxe o público para junto da banda e os shows arrasadores causaram a explosão da banda na mídia, abrindo espaço para um boom do som pesado no mundo.

O estilo de vida “sexo, drogas e rock and roll” era levado ao extremo pela banda e isso se retratava nas faixas do então LP, hoje um clássico absoluto do rock e onde se encontram muitas das melhores faixas da banda.

Destaques: São muitos, mas Welcome to the Jungle, Nightrain, Mr. Brownstone, Sweet Child o’ Mine, Rocket Queen e a alucinada You’re Crazy são verdadeiras pérolas hard.

The Beatles

Postado em Sons, Viagens com as tags , , em Setembro 1, 2009 por Kilminster

Raramente escrevo aqui sobre os Beatles, porque acho covardia escrever sobre uma banda que eu tenho tatuada no braço e que está tão impressa no meu DNA que seria impossível escrever alguma coisa relevante e que não soasse como opinião de fã. Mas pouquíssimas pessoas nesse mundo seriam capaz, não é verdade.

Minha banda ultimamente vem se dedicando a revisitar o repertório dos quatro rapazes de Liverpool e conforme vamos tocando as músicas, vai ficando cada vez mais evidente o quanto a obra deles é atemporal e principalmente salta aos ouvidos a qualidade do trabalho do quarteto inglês. Excetuando-se uma pequena parte da primeira fase, o dito iê-iê-iê, o resto parece ter sido composto nos dias de hoje.

Ainda que deixemos o aspecto mais vanguardista da banda de lado, sem os flertes com a música clássica e coisas que vieram a ser o que se chama de “rock progressivo”, basta executarmos as músicas mais roqueiras, sem sequer mudar os arranjos, com equipamentos mais novos e elas soam como se tivessem sido escritas ontem. As composições são consistentes e sobrevivem à passagem dos anos como se nada tivesse acontecido entre a criação delas até hoje.

É possível afirmar sem medo de errar que se o Revolver tivesse sido lançado hoje, cairia imediatamente nas graças do público e da crítica, afinal de contas, afinal, tudo que ouvimos como lançamentos, tem um pezinho, ou dois, lá no disquinho de 1966. E no resto da obra dos Fab Four também.

Músicas como “She Said, She Said”, “Tomorrow Never Knows”, Hey Buldog, “Rain” e até as de começo de carreira como “I’ll Be Back”, “Every Little Thing” e “Don’t Bother Me” poderiam constar em qualquer disco das “revelações” do novo rock sem soarem deslocadas.

Basta ouvir os discos para compreender por que a legião de fãs se renova e porque as novas bandas sempre se dizem influenciadas pelos Beatles. Prova de que o que é bom resiste ao tempo.

Tatoo