De vez em quando eu acho que o cérebro deveria ter aquele sistema de acionamento igual aos motores de popa que vemos em barquinhos por aí. Sabe, aquele que a gente tem que puxar uma cordinha para dar partida no motor?
Isso porque não é todo dia que a gente acorda com ele funcionando. Tem dias em que a gente acorda sem acordar, levanta igual a um zumbi e faz as coisas no piloto automático, faz só porque tinha que fazer. No fundo, no fundo a gente gostaria mesmo é de ficar deitado em qualquer lugar macio, olhando para o teto sem pensar em nada. Só esperando baixar o grau de doidera e as idéias voltarem para os seus devidos lugares.
Mas as exigências da vida moderna, este conceito imbecil que os homens inventaram em que temos que trabalhar para alimentar um tal sistema, que ninguém conhece, ninguém viu, não nos permite recarregar as baterias em paz. Então, por mais desconectado do mundo que estejamos, temos que cumprir com sua parte para o nosso belo quadro social*.
Por isso digo, se tivesse como dar um tranco no cérebro nestes dias, a gente conseguiria passar mais fácil por essas coisas. Uma vez que somos obrigados a sair de casa e ir trabalhar, melhor então conseguir fazer direito, porque vamos combinar, trabalho letárgico não rende e faz o relógio andar devagar.
*como diria Raul.
