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No Tranco

Postado em Viagens em Dezembro 22, 2009 por Kilminster

De vez em quando eu acho que o cérebro deveria ter aquele sistema de acionamento igual aos motores de popa que vemos em barquinhos por aí. Sabe, aquele que a gente tem que puxar uma cordinha para dar partida no motor?

Isso porque não é todo dia que a gente acorda com ele funcionando. Tem dias em que a gente acorda sem acordar, levanta igual a um zumbi e faz as coisas no piloto automático, faz só porque tinha que fazer. No fundo, no fundo a gente gostaria mesmo é de ficar deitado em qualquer lugar macio, olhando para o teto sem pensar em nada. Só esperando baixar o grau de doidera e as idéias voltarem para os seus devidos lugares.

Mas as exigências da vida moderna, este conceito imbecil que os homens inventaram em que temos que trabalhar para alimentar um tal sistema, que ninguém conhece, ninguém viu, não nos permite recarregar as baterias em paz. Então, por mais desconectado do mundo que estejamos, temos que cumprir com sua parte para o nosso belo quadro social*.

Por isso digo, se tivesse como dar um tranco no cérebro nestes dias, a gente conseguiria passar mais fácil por essas coisas. Uma vez que somos obrigados a sair de casa e ir trabalhar, melhor então conseguir fazer direito, porque vamos combinar, trabalho letárgico não rende e faz o relógio andar devagar.

 *como diria Raul.

Jingle Bells…

Postado em Olhares, Viagens com as tags , , , em Dezembro 15, 2009 por Kilminster

Como diria a cantora Simone, ♫Então é Natal…♪… E está aberta a temporada de caça ao presente. O freio do consumismo é solto e todo mundo sai desesperadamente atrás de mimos para a família inteira. Aquela maravilha!

Os shoppings ficam lotados. Tudo vira uma epopéia, desde encontrar uma vaga no estacionamento até conseguir um vendedor capaz de te atender em meio a multidão que se acotovela dentro das lojas.

Isso quando algum menos avisado decide levar as crianças às compras. Elas ficam logo entediadas quando percebem que os presentes não serão só para elas. Aí é choro, manha, gritos, sem contar o tradicional “mãe compra isso, mãe compra aquilo”. Derrubam sorvete, pipocas e algodão doce nos outros, perdem-se de seus pais… uma tragédia.

Então, você sabiamente decide evitar os shoppings e parte para as lojas de rua. Pega o metrozão, desce na São Bento e descobre que para descer a Ladeira Porto Geral é mais ou menos o mesmo que participar da procissão do Círio de Nazaré. Todos andam lentamente, parecendo pingüins em marcha, balançando pateticamente para um lado e outro e dando aqueles passinhos milimétricos enquanto os camelôs berram nos ouvidos das pessoas tentando vender qualquer porcaria.

Depois, você não consegue entrar nas lojas. Os mais experientes, já levam um parente que vai ficar na fila do caixa enquanto o outro vai pegando as compras. E tome bonequnhos de plástico, carrinhos Made in Taiwan, jogos de toalhas, pequenas xícaras de café e muito, muito suor.

E por fim, a aventura final: O metrô na hora do rush carregando um monte de sacolas. O mais curioso é que estes aventureiros das ruas de comércio populares têm um perfil bem definido: mulher, casada com filhos, 35 a 70 anos, baixinha e gordinha, geralmente acompanhada de um filho ou dois com idade entre 7 e 12 anos e sem o menor costume de andar de metrô.

É sensacional ver estas criaturas tentando sobreviver entre os habituées do metrô com suas sacolas, (sempre do tamanho delas ou mais), e rebentos. Elas empurram, acotovelam, caem sobre os outros, brigam com as crianças… Ficam tentando permanecer em pé ao mesmo tempo que tentam segurar os moleques e as sacolas. Um tormento, especialmente para os passageiros ao lado que trabalharam o dia todo e só queriam voltar para casa em paz.

Enfim, é o espírito natalino. Hora de celebrar a vida, o amor entre as pessoas, o Menino Jesus e o abençoado que inventou as compras pela internet.

Desejo de Matar

Postado em Viagens com as tags , em Dezembro 10, 2009 por Kilminster

Não, este não é um post sobre os incríveis filmes estrelados pelo glorioso Charles Bronson e seu bigodão. É um post sobre nossos instintos mais obscuros, guardados nos recônditos mais profundos e redundantes de nossos seres, no âmago de nossas almas.

Nem todo mundo chega a concretizar, mas todos nós já tivemos em algum momento de nossa existência o tão falado Desejo de Matar. Seja um irmão, um primo, uma amiga, o marido, a esposa, o cunhado, um pedreiro, um idiota que te deu uma fechada no trânsito, o chefe, um colega de trabalho, a mulher do guichê de uma repartição pública, um caixa de banco ou até a si próprio.

É claro que em condições normais de temperatura e pressão, este matar não é aquele matar de fato, que resulta em rabecão e cemitério. É um matar temporário, por alguns instantes. O indivíduo objeto do homicídio ficaria alguns segundos nesta condição de morto e pronto. Logo em seguida ressuscitaria, inteiro e vivinho da silva, sem qualquer seqüela.

É que o Desejo de Matar em questão não é aqueeeeeela coisa toda, é só uma descarga de raiva em reação a alguma coisa que nos aconteceu ou que nos fizeram. Talvez um boneco com a cara do objeto merecedor do suplício fosse suficiente… ou talvez não, mas no fim das contas, todo mundo já disse um dia “Eu mato este (acrescente seu xingamento favorito)…”

 

 

 

 

 

 

 

 

Com ele não tinha conversa.

A Difícil Arte de Pisar em Ovos.

Postado em Olhares, Viagens em Dezembro 1, 2009 por Kilminster

Acaba tendo que ser assim, todo mundo falando tudo com meias palavras porque o outro pode achar que foi demais e não assimilar bem e tudo e tal e coisa…

Mas poderia ser bem mais simples se fossemos acostumados à sinceridade e à verdade. Como uma criança que olha o adulto e diz sem o menor pudor, “Nossa! Que roupa feia”.

Se essa inocência fosse mantida, talvez não houvesse no mundo tantos ardis, falatórios e mal entendidos. Todos diriam tudo a todos. Os melindres teriam que ser deixados de lado porque todo mundo saberia que as coisas são assim mesmo. Não precisaríamos ficar medindo palavras para dizer o que tem que ser dito.

Pode parecer rude e radical se tomamos por base o modo como fazemos as coisas hoje, mas se este for o normal, que mal haverá.

A sinceridade e a clareza levaria ao entendimento, ainda que num primeiro momento pudesse parecer uma afronta. A emissão de uma opinião verdadeira, ainda que não fosse filtrada para agradar o interlocutor, livraria a sociedade dos malditos disse-me-disses que tantos desgostos traz à sociedade.

Se fossemos adeptos do falar na cara, teríamos menos frescuras e talvez nos meteríamos em menos rusgas despropositadas. Sem falar que quando ouvimos alguma coisa “na lata”, temos ao menos a chance de perguntar “por que”, o que obrigaria o outro a uma explicação…

Sei lá. Viver de sorrisos falsos é pior do que ser sincero?

Quanto tempo tem o tempo?

Postado em Viagens com as tags , em Novembro 27, 2009 por Kilminster

O tempo às sextas-feiras parece um elástico, dessas argolinhas que a gente usa no escritório. Quando a gente acha que já passou, ele se estica e nos obriga a ficar no trabalho.

Duvido que uma hora dura a mesma coisa na sexta do que dura no sábado. É a mesma coisa que o mês de férias. Ele dura muito menos que um mês de trabalho.

E quando você está fazendo aquela prova, vestibular, por exemplo. Você sabe que sabe as respostas, mas o relógio fica turbinado e você tem que correr com as coisas. Resultado, a gente acaba caindo em pegadinhas, cometendo erros de falta de atenção e outras coisas do tipo.

Por conta disso, ficamos naquela agonia, esperando a hora de ir embora e ela vai se afastando e muito provavelmente rindo da nossa cara. Isso não se faz. Ninguém merece esperar mais do que o normal pelo fim de semana.

Acho que o governo deveria instituir um órgão, tipo o Inmetro, para uniformizar a passagem do tempo e não permitir que ele seja mais lento quando estamos fazendo coisas que não queremos e tão rápido quando estamos nos divertindo.

Slogans Realistas

Postado em Olhares, Viagens com as tags , , , , , em Novembro 24, 2009 por Kilminster

“Beba Kaiser e entenda a dor de cabeça”.

 “Assine a Veja e se torne um idiota”.

 “McDonald’s. Escolha pelo número, porque o gosto é o mesmo”.

 “Carnê do Baú. Desperdice seu dinheiro com alegria”

 “Telefônica. Uma úlcera ou seu dinheiro de volta”.

 “Polishop. Produtos super úteis que você nunca vai usar”.

 “Coleção Roberto Shinyashiki. Aprenda como é fácil enriquecer um autor de livros de auto-ajuda”.

Ai, Jisuis!!!

Postado em Viagens em Novembro 5, 2009 por Kilminster

- Pior que um cara tocando sax alto na rua, no estilo Kenny G, é alguém parar ao lado e se arriscar nos vocais;

 - Estranho é em Curitiba onde algumas placas te dizem para entrar em um local onde a conversão é proibida;

 - Aí você compra um celular novo e ele vem programado para rejeitar automaticamente todas as chamadas. É você que tem que libera-las;

 - (essa é minha favorita) Nesses dias de calor infernal a gente é obrigado a trabalhar de roupa social;

 - Os trens do metrô com ar condicionado estão instalados na linha de trajeto mais curto e com menor número de usuários;

 - E vendedores de lojas de roupas têm uma dificuldade imensa em aceitar que você só vai levar o que pediu, não importa o quanto eles insistam.

Perguntinhas à Toa…

Postado em Viagens com as tags , , , , em Outubro 27, 2009 por Kilminster

Quando dizemos “os orientais” estamos nos referindo também aos australianos e neozelandeses?

Falta muito para o Carlos Eugênio Simon se aposentar dos campos de futebol?

Será que todo pedreiro tem essa tendência de se apropriar da obra, agindo como se esta fosse dele?

Por que para ir ao cinema na Av. Paulista tem que ficar fazendo aquela cara de “cabeçãointelectualóidefãdeloshermanos”?

O que o Fábio Jr. quis dizer com De repente você põe. A mão por dentro. E arranca o mal pela raiz. Você sabe como me fazer feliz…”

Hoje Não

Postado em Olhares, Viagens com as tags , em Outubro 20, 2009 por Kilminster

Lembro-me que esta pequena frase era proferida por minha mãe toda vez que algum vendedor tocava a campainha de casa oferecendo qualquer coisa. Desde vassouras, passando por tapetes, panos de prato, enciclopédias, pamonhas, frutas, massas congeladas e produtos de limpeza.

Era simples, a pessoa chamava, minha mãe atendia e o cidadão dizia, “vai (produto oferecido) hoje?” e ela respondia “hoje não”. Como mágica o vendedor, já acostumado a maioria de negativas, partia para a próxima porta livrando-a do incômodo.

Seria bom poder dizer um simples “hoje não” para certas coisas. O despertador, por exemplo, tem dias que ele toca e dá vontade de virar para ele e dizer a pequena frase mágica.

Ou então quando o chefe chama logo de manhã na segunda-feira: “Hoje não, chefe” e ele iria importunar outro funcionário.

Tem dias que a gente não está pra ninguém.  Aí tinha que ter algum jeito de escapar.

Hoje não, vai?

O Mar

Postado em Olhares, Viagens com as tags , , em Setembro 23, 2009 por Kilminster

Das minhas janelas vejo o mar. Não o mar líquido. Vejo o mar sólido de metal e concreto.

Vejo seu movimento de ondas lineares que não avançam e recuam com as marés, mas que vem e vão em movimentos lineares, por vezes serpenteando em seus canais negros.

Ao cair da noite, não é negro como o mar de água, mas se colore de luzes em milhares de pontos amarelos, brancos, vermelhos e verdes. É quando seu movimento fica mais evidente, e mais bonito.

O vidro da janela o faz silencioso, quase tranquilo, mas a aproximação revela seu caos de infinitos sons e músicas, docemente enlouquecendo aqueles que nele mergulham.

Somente imersos em suas profundezas é que podemos encontrar seus encantos e seus tesouros. Não é óbvio. Requer ciência para compreender sua beleza. Por isso mesmo são infinitas suas recompensas.

No mar nos perdemos todos os dias e acompanhamos seu eterno movimento. No mar vai a vida. No mar vamos nós.