Polêmica, polêmica, polêmica!!! Por que incluir um disco do RPM nesta distinta lista da sessão “Tem que Ouvir” deste dileto blog?
Porque queira você ou não este disco é um clássico, tem pelo menos cinco mega-hits e faixas muito mais interessantes do que sonha nossa vã filosofia.
O lado pop do disco foi explorado à exaustão e a banda adotou uma estratégia de marketing que a levou à superexposição. Estes fatores fizeram com que a banda fosse tratada como uma mera máquina de fazer dinheiro, quase uma boy band e a música em si ficou legada a segundo plano.
O RPM foi a primeira banda nacional a buscar uma produção maior, com uma clara concepção estética que envolvia desde a música até a iluminação do palco nos shows. Havia preocupação com tudo, timbres, figurinos, sex appeal, a luz certa, o jeito de falar, enfim, uma banda projetada para o estrelato que de fato conseguiu o que buscava.
Voltando ao disco, temos duas propostas bem distintas, que no LP foram separadas em Lado A, pop e Lado B, mais experimental. A despeito de faixas como Louras Geladas, Rádio Pirata e Olhar 43, o lado B trazia canções obscuras, em compassos estranhos, com letras complicadas, cheias de termos difíceis e densos.
Sintetizadores, efeitos, melodias soturnas, letras trabalhadas, timbres cuidadosamente escolhidos, (marcantes para a época), muito sintonizado com o rock inglês da época e cheio experimentações que foram levadas ao palco com gelo seco, lasers, sobretudos e projeções. Impensável para o Brasil de 1985. A banda foi revolucionária a seu modo e atingiu vendas que só o Rei Roberto Carlos podia sonhar.
Um produto de seu tempo, este disco tem que ser ouvido sem preconceitos para que se possa encontrar seu real valor por baixo de todo hype que recebeu em meados dos 80 e o injusto massacre que a mídia promoveu sobre a banda.
Curiosamente dois dos maiores hits do disco não têm refrão: Olhar 43 e Revoluções Por Minuto.
Destaques: Estação no Inferno, Liberdade e Guerra Fria, Sob a Luz do Sol e Juvenília. (Não conhece estas? Pois então está na hora de vencer o preconceito).