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Onomatopéia

Postado em Sons com as tags , , , em Dezembro 6, 2009 por Kilminster

Apesar de toda a riqueza da música brasileira, da enorme variedade, da mistura de ritmos, harmonias, da capacidade de incorporar as mais diversas influências, tem uma coisa nela que me aborrece profundamente: as onomatopéias.

Por que diabos toda e qualquer música daquelas comumente classificadas como MPB tem que ser recheada de onomatopéias?

É um tal de “laiá, laiá”, “lelê, lelê”, “bidubidá bidubidom”, “badábadá”,  “tatchcundaraô” e outros menos compreensíveis que sinceramente não precisariam estar lá. Tal fenômeno ocorre também no jazz, no tal “improvisar de boca” e com resultados variados, mas no caso jazzístico, esta prática tem uma intenção clara. Na MPB ela vem mesmo para ocupar espaço.

Pense por exemplo na música “Garganta” de Ana Carolina. Tente suportar aquele monte de barulhos estranhos que ela faz no final. E o João Bosco, então? Este, tal qual o Djavan, consegue transformar palavras existentes em onomatopéias, ou você imagina que “Açaí. Guardiã. Zum de besouro, um imã” faça realmente algum sentido.

Este monte de baboseiras poderia ser substituído tranqüilamente por uma intervenção instrumental ou então para deixar rolar o groove da música. Quem sabe até para encurtar um pouco o assunto e ficar só com a parte que interessa.

E veja que os adeptos da MPB até se acham no direito de reclamar dos solos de guitarra dos rockeiros!!! Até parece.

Com a fama de grandes letristas que os brasileiros têm, poderiam caprichar mais neste quesito e fazer coisas mais interessantes do que essas onomatopéias. E como dizia minha avó, se não tem o que falar, cale a boca.

PS: Menção honrosa neste post aos “ôôôô” do Iron Maiden.

Mais Mais

Postado em Sons com as tags , , , , em Novembro 25, 2009 por Kilminster

Qual a semelhança improvável entre o João Gilberto, o Sonic Youth, o Dream Theater e o Krisiun?

É simples, cada um dos supracitados tenta ser o “mais” alguma coisa. O mais sofisticado, o mais diferente, o mais virtuoso e o mais brutal. Todos eles se esforçam bastante em seus objetivos e por vezes pode-se dizer que atingem suas metas.

Porém todos eles se perdem em um momento crucial da coisa toda, eles se esquecem de serem legais. Sim, afinal de contas, estamos tratando de música aqui e música acima de tudo tem que ser legal. Pouco importa quantos acordes dissonantes você toca, se você usa afinações alternativas, se conhece mais escalas ou a quantos BPS você toca. Tudo isso é superado facilmente quando ouvimos o velho “one, two, three, four…” dos Ramones.

Não que a simplicidade seja a chave de tudo. Há muitas tentativas de sofisticação que soam bem legais, o Police por exemplo, ou os Beatles.  Assim como o virtuosismo do Jeff Beck, a velocidade do Megadeth e a esquisitice dos Mutantes. Destes, cada um a seu modo explorou determinadas características mas tendo sempre a música em primeiro plano.

É óbvio e ululante dizer que um Mi Maior do Malcom Young vale mais que todas as escalas juntas do John Petrucci. Mas por que? Porque o Mi Maior do Malcom vem cheio de sinceridade, sem ter que dar explicações, sem ar blasé e sem se preocupar com o mundo. Ele quer tocar o Mi Maior e toca sem medo de ser feliz. Não precisa de um E6/11+ só para não soar óbvio, nem que este Mi seja precedido por uma série de arpejos para parecer complexo, nem de microfonias para ser diferente, muito menos ser repetido 650 vezes em cada compasso para ser rápido.

No final o que ficam são as grandes músicas. O resto é igual a excesso de chantilly no bolo, vai ficar separadinho no prato. Duvida? Então tá: quem acha “All You Need is Love” uma música complexa? É melhor ouvir de novo para responder.

Música de Adestrar Macacos

Postado em Olhares, Sons com as tags , , , , , , em Outubro 29, 2009 por Kilminster

O título deste post foi emprestado da fantástica definição do glorioso Marcelo Nova para as pragas travestidas de música que infestam nosso cancioneiro popular.

O que isto quer dizer? O termo “Música de Adestrar Macacos” utilizado pelo filósofo contemporâneo Nova, refere-se àquelas músicas infelizes onde o cantor comanda as ações do ouvinte.

No início era apenas um convite para que a platéia participasse do show, um chamado para cantar junto um refrão ou bater palmas no ritmo da música, os tradicionais “Everybody Now” e “Clap Your Hands”.

Com o tempo, surgiram outras formas de interação entre músicos/platéia, como os consagrados “Put Your Hands in the Air”, no Brasil o insuportável “Jogue as Mãozinhas pro Alto” e “Jump, Jump”, em terras tupiniquins “Tira o Pé do Chão”.

Mas eis que em um dado momento da história a coisa tomou um rumo inesperado e de uma hora para a outra, as músicas começaram a ditar exatamente o que o cidadão dançante tinha que fazer. O exemplo mais emblemático que eu posso me recordar é do infame “É o Tchan!”, com a sua “Dança da Bundinha”. Recorde comigo, (e fique o resto do dia com essa m… na cabeça), ♫Bota a mão no joelho, dá uma abaixadinha, vai mexendo gostoso balançando a bundinha…♪.

De lá para cá, toda e qualquer canção de apelo, (muito), popular, passou a vir com as instruções de dança impondo a “Ditadura da Coreografia”, ou a “Anti-Dança”, onde os candidatos a pé-de-valsa ficam restritos aos comandos do cantor, ou como interpretou brilhantemente Marcelo Nova, adestrador. Os exemplos são inúmeros, principalmente no mundo do Axé e do Funk.

E o mais preocupante é a aceitação geral desse tipo de coisa. As pessoas passam a se comportar como macaquinhos de circo aguardando o comando do domador. Tristemente se apresenta um quadro em que as pessoas abrem mão de dançar e celebrar freneticamente para se enquadrarem em um padrão geral e seguir a vontade de outrem. É o abandono da própria liberdade em favor da escolha de terceiros.

É diferente das “line dancing” da música country, onde pelo menos você pode escolher a própria coreografia e fazer com os amigos. Até os Menudos eram mais democráticos, lembra? ♪Canta. Dança. Sem parar… Sobe. Desce… COMO QUISER…♫.

Esta facilidade apresentada pelas massas em serem adestradas é preocupante especialmente quando ultrapassa a esfera do entretenimento e começa a se manifestar em outras áreas. Um monte de tontos dançando de acordo com os comandos de um cantor não tem maiores conseqüências, já em outros campos da sociedade…

Fica a reflexão sobre “Música de Adestrar Macacos”. Parece uma bobagem, mas nem tanto.

Everybody Now!!!

Postado em Sons com as tags , , , , , em Outubro 7, 2009 por Kilminster

Ok, ok! Quem não aprecia um bom refrão em suas músicas prediletas? Afinal de contas é a parte mais fácil de decorar e que se repete pela música. Às vezes até de mais, o Aerosmith, por exemplo, há tempos vem tentando fazer uma música só com refrão.

Mas não é qualquer refrão que se torna um “Everybody Now”. Para atingir este nível, o refrão precisa ser absolutamente irresistível, empolgante e explosivo. Um bom “Everybody Now” é aquele no qual você solta a voz onde quer que esteja, seja no carro, no show ou no chuveiro e esvazia os pulmões como se não houvesse amanhã.

Em minha opinião, seguem os melhores “Everybody Now” de todos os tempos: 

- Whisky a GoGo, Roupa Nova: O refrão e os infames “hey, hey, ho, ho” do meio são campeões em qualquer baile de formatura ou casamento;

- Don’t Stop Believin’, Journey: Chega ser emocionante de tão catártico. Emoldurado por um riff marcante e uma bateria genial é o exemplo mais bem acabado de “Rock Arena”. Para cantar de olhos fechados e braços erguidos;

- Todos Estão Surdos, Roberto Carlos: Uma das incríveis incursões do Rei por temas religiosos, está traz aqueles “lá-lá-lás”, (nos quais Robertão é mestre). Propício para a Rede Globo mostrar no especial de fim de ano dar aquele take na platéia com cada um batendo palmas em um ritmo;

- Born To Be My Baby, Bon Jovi: Essa então, tem dois, os “na na nas” do começo e o refrão em si;

- Stay, Oingo Boingo: O melhor dessa e que todo mundo canta o refrão, mas pouquíssimos sabem a letra. Talvez seja o maior “Everybody Now” em grego de todos os tempos;

Para alegrar o dia.

Postado em Sons, Tem Que Ouvir com as tags , em Setembro 25, 2009 por Kilminster

Dear Prudence

Dear Prudence, won’t you come out to play
Dear Prudence, greet the brand new day
The sun is up, the sky is blue
It’s beautiful and so are you
Dear Prudence won’t you come out to play

Dear Prudence open up your eyes
Dear Prudence see the sunny skies
The wind is low the birds will sing
That you are part of everything
Dear Prudence won’t you open up your eyes?

Look around round round
Look around round round
Oh look around

Dear Prudence let me see you smile
Dear Prudence like a little child
The clouds will be a daisy chain
So let me see you smile again
Dear Prudence won’t you let me see you smile?

Dear Prudence, won’t you come out to play
Dear Prudence, greet the brand new day
The sun is up, the sky is blue
It’s beautiful and so are you
Dear Prudence won’t you come out to play

The Beatles

Postado em Sons, Viagens com as tags , , em Setembro 1, 2009 por Kilminster

Raramente escrevo aqui sobre os Beatles, porque acho covardia escrever sobre uma banda que eu tenho tatuada no braço e que está tão impressa no meu DNA que seria impossível escrever alguma coisa relevante e que não soasse como opinião de fã. Mas pouquíssimas pessoas nesse mundo seriam capaz, não é verdade.

Minha banda ultimamente vem se dedicando a revisitar o repertório dos quatro rapazes de Liverpool e conforme vamos tocando as músicas, vai ficando cada vez mais evidente o quanto a obra deles é atemporal e principalmente salta aos ouvidos a qualidade do trabalho do quarteto inglês. Excetuando-se uma pequena parte da primeira fase, o dito iê-iê-iê, o resto parece ter sido composto nos dias de hoje.

Ainda que deixemos o aspecto mais vanguardista da banda de lado, sem os flertes com a música clássica e coisas que vieram a ser o que se chama de “rock progressivo”, basta executarmos as músicas mais roqueiras, sem sequer mudar os arranjos, com equipamentos mais novos e elas soam como se tivessem sido escritas ontem. As composições são consistentes e sobrevivem à passagem dos anos como se nada tivesse acontecido entre a criação delas até hoje.

É possível afirmar sem medo de errar que se o Revolver tivesse sido lançado hoje, cairia imediatamente nas graças do público e da crítica, afinal de contas, afinal, tudo que ouvimos como lançamentos, tem um pezinho, ou dois, lá no disquinho de 1966. E no resto da obra dos Fab Four também.

Músicas como “She Said, She Said”, “Tomorrow Never Knows”, Hey Buldog, “Rain” e até as de começo de carreira como “I’ll Be Back”, “Every Little Thing” e “Don’t Bother Me” poderiam constar em qualquer disco das “revelações” do novo rock sem soarem deslocadas.

Basta ouvir os discos para compreender por que a legião de fãs se renova e porque as novas bandas sempre se dizem influenciadas pelos Beatles. Prova de que o que é bom resiste ao tempo.

Tatoo

Olha só que bonitinho…

Postado em Olhares, Sons com as tags , , em Agosto 20, 2009 por Kilminster

Cismei com essa música por esses dias, não sabia que era tão poética…

Dont get me wrong
If Im acting so distracted
Im thinking about the fireworks
That go off when you smile

Postado em Sons em Junho 26, 2009 por Kilminster

As Melhores Músicas Ruins

Postado em Sons com as tags , , , , , , em Junho 19, 2009 por Kilminster

Sabe aquela música que é ruim, mas de algum modo consegue cativar as pessoas?  Aquela que ninguém diz que gosta mas faz o maior sucesso quando toca nas festas? Então, são essas. Músicas ruinzinhas e que a gente adora odiar, ou odeia adorar, sei lá… 

The Final Countdown – Europe: Acho que essa é a top. Ícone mor do metal farofa oitentista, essa música tem tudo que uma boa música ruim tem que ter. É fácil de gravar, tem refrão grudento, tem alta carga dramática e todos os clichês possíveis para um hard rock. Ideal para aniversários de 15 anos e formaturas. Ponto alto: o tecladinho do começo. Arrepiante.

Jump – Van Halen: Uma música meio pentelha que tocou pra caramba desde que foi lançada. Uma letra boba, um sintetizador tão marcante que alguns teclados da Yamaha vem com “Jump Synth” no banco de vozes e aquela levada bem fácil de entender com o baixo fazendo dum dum dum retinho, retinho. Mas é empolgante e quase irresistível gritar “JUMP” depois de ouvir o Dave Lee Roth cantar “Might as well jump”. Ponto alto: o solo inacreditável e sensacional de guitarra.

Born To Be My Baby – Bon Jovi: (Curioso como o Hard Rock impera nesta lista) Letra ultra romântica falando das dificuldades de um jovem casal que decide sair da casa dos pais para encarar o mundo cruel, tecladinhos, refrão mega grudento… enfim, tudo o que o povo gosta. Em português poderia ser uma música da dupla Victor e Léo. Mas bota pra rolar pra ver se alguém resiste a cantar junto… Ponto alto: ♪Na-na-na-na, na-na-na, na-na-na-naaaa…♪

That’s The Way (I Like It) – KC & The Sunshine Band: A música não sai do lugar. Na verdade, quase ninguém lembra que ela tem outra parte além do “That’s the way…I like it”… Mas mesmo assim é uma canção que causa furor em qualquer festinha. Identificável desde o primeiro acorde, tem uma batida reta e incansável que torna a música fácil para dançar, então vamos lá. Ponto alto: os uuuuuuuu do começo.

Progressivo

Postado em Sons com as tags , , , , , , , em Maio 26, 2009 por Kilminster

O estilo que todos adoram odiar. Os críticos descem a lenha quase que por esporte, os não fãs detestam sem sequer saber do que se trata.

Mas afinal o que é o progressivo?

As reclamações são muitas:

Por que as músicas tem que ter vinte minutos? R: E por que é que tem que ter três? Por acaso alguém olha a Guernica e acha o quadro “grande demais”? Arte é arte.

Ah, mas dá sono… R: E aquele glón, glón, glón do Sonic Youth não dá? Sei, sei…

Mas é muito pretensioso. R: Pretensiosos são os Strokes, o Oasis, o Prince e o Timbaland.

Por que tem que ser tudo tão grandioso? R: Por que que o legal tem que ser cantar olhando para o pé letras de nerd derrotado?

Por que tem que ter aquele monte de solos? Porque música não é só cantarolar letras e saber tocar é legal.

Fora isso, o progressivo tem várias subdivisões representadas pelos seus maiores expoentes. A saber:

Yes – Virtuose Hippie Cósmico: Músicos de primeira linha com longas canções super trabalhadas e letras com mensagens positivas e melodias etéreas. Sintetiza a obra: Roundabout (Fragile – 1972);

Pink Floyd – Intelectual Perfeccionista Existencialista: Tudo está interligado. Desde a capa do disco até o menor barulhinho gravado. Letras sobre as desventuras da mente humana em músicas onde tudo está em seu exato lugar. Sintetiza a obra: Time (The Dark Side of The Moon – 1973);

Genesis – Psicodélico Sombrio Teatral: Letras doidonas emolduradas por instrumental denso, complexo e sombrio. Isso até 1976, depois é outra história. A interpretação de Peter Gabriel dava o toque teatral com figurinos e tudo mais. Sintetiza a obra: The Carpet Crawlers (The Lamb Lies Down on Brodway – 1974);

Jethro Tull – Eletro Folk Místico Dorme Sujo: Letras de duendes e fadas, violões e flautas, mudanças estranhas de acordes e guitarras pesadas. Visual de mendigo. Sintetiza a obra: Aqualung (Aqualung – 1971);

Emerson Lake & Palmer – Super Virtuose: Compassos estranhos, harmonias complexas, dissonâncias, alterações de andamentos, sintetizadores, jazz contemporâneo, música clássica e rock e ainda assim assobiável. Sintetiza a obra: The Barbarian (Emerson, Lake & Palmer – 1970)

O post é longo? Claro. É um post progressivo.