Apesar de toda a riqueza da música brasileira, da enorme variedade, da mistura de ritmos, harmonias, da capacidade de incorporar as mais diversas influências, tem uma coisa nela que me aborrece profundamente: as onomatopéias.
Por que diabos toda e qualquer música daquelas comumente classificadas como MPB tem que ser recheada de onomatopéias?
É um tal de “laiá, laiá”, “lelê, lelê”, “bidubidá bidubidom”, “badábadá”, “tatchcundaraô” e outros menos compreensíveis que sinceramente não precisariam estar lá. Tal fenômeno ocorre também no jazz, no tal “improvisar de boca” e com resultados variados, mas no caso jazzístico, esta prática tem uma intenção clara. Na MPB ela vem mesmo para ocupar espaço.
Pense por exemplo na música “Garganta” de Ana Carolina. Tente suportar aquele monte de barulhos estranhos que ela faz no final. E o João Bosco, então? Este, tal qual o Djavan, consegue transformar palavras existentes em onomatopéias, ou você imagina que “Açaí. Guardiã. Zum de besouro, um imã” faça realmente algum sentido.
Este monte de baboseiras poderia ser substituído tranqüilamente por uma intervenção instrumental ou então para deixar rolar o groove da música. Quem sabe até para encurtar um pouco o assunto e ficar só com a parte que interessa.
E veja que os adeptos da MPB até se acham no direito de reclamar dos solos de guitarra dos rockeiros!!! Até parece.
Com a fama de grandes letristas que os brasileiros têm, poderiam caprichar mais neste quesito e fazer coisas mais interessantes do que essas onomatopéias. E como dizia minha avó, se não tem o que falar, cale a boca.
PS: Menção honrosa neste post aos “ôôôô” do Iron Maiden.
