E eis que nossos iluminados representantes acharam por bem criarem mais uma estrelinha dentro do círculo azul de nossa bandeira. O novo estado seria um pedaço do Pará, mais precisamente o sudeste do estado e atenderia pela alcunha de Carajás. Será formado por 38 municípios do sul e sudeste do Pará, onde vivem 1,4 milhão de pessoas e terá como capital Marabá.
Foi aprovado pelo Senado um plebiscito a ser aplicado nos 38 municípios acima referidos para saber a opinião da população sobre a criação do novo estado. A alegação do proponente, Leomar Quintanilha do PMDB-TO e do relator Valter Pereira do PMDB-MS, é que as grandes distâncias do estado do Pará impedem uma atuação mais eficaz da administração estadual.
Ainda que a afirmação acima faça sentido, pensemos bem: o futuro estado teria uma população pouco maior que do município de Campinas no estado de São Paulo, teria 38 municípios, economia baseada na agricultura, extrativismo e mineração e, considerando que o estado do Pará representa 2% do PIB nacional, o novo estado terá uma fração disso.
Para a portentosa potência acima, teremos um novo destino para repasses de recursos federais, um novo governador e todo o aparato que isto representa, uma nova câmara de deputados e três novos senadores que representarão um contingente populacional, como já foi dito, pouco maior que o do município de Campinas e serão estes senadores de uma região conhecida por seus “coronéis” de poderosos sobrenomes e que são os que realmente mandam neste país desde que este existe e que por conseqüência vão aumentar suas bancadas no Senado e Câmara Federal, ampliando seu poder.
Levando em conta o parágrafo acima, a idéia de um novo estado adquire um novo e nefasto sentido. E abre um precedente, afinal de contas, as distâncias no estado do Amazonas são ainda maiores e mais preocupantes, e podemos considerar que apesar do estado do Mato Grosso ter sido dividido na década de 1970, ainda é bem grandinho e talvez pudesse ser criado o Mato Grosso do Oeste ou coisa assim.
Então o estado do Carajás é bom para quem? Para o país com certeza não é. Para a pequena população que vive na região, talvez. Agora, para os coronéis, com certeza será.


