Saudades das Cartas de Papel

Não é saudosismo, não é mera rabugice.

Não tenho saudades de ter que esperar dias para conseguir enviar uma correspondência e outros tantos pela resposta, de ter que contar com a competência do serviço postal, de torcer para não extraviar, molhar, rasgar…

Convenhamos, correspondência eletrônica é bem melhor. Desde que haja conexão a bichinha vai, e chega. E ainda melhor, pode ter respostas segundos depois.

Não se trata de acabar com o romantismo dos namoros à distância, quando os pombinhos apaixonados tinham palpitações cada vez que o carteiro batia à porta. Tampouco desprezo aquelas nostálgicas caixinhas com cartas amareladas com seus suspiros românticos sobre elas rabiscados.

Sentimentalidades têm seu valor e seu cantinho reservado em nossos corações, mas aposto que todo apaixonado do século XIX adoraria ter a resposta de sua amada on-line.

Mas existe um momento em que eu sinto falta das velhas cartas de papel, quando leitores comentam notícias.

Explico: nos idos tempos pré-internet, quando nos deparávamos com alguma notícia digna de comentário, enviávamos cartas aos jornais/revistas/emissora de rádio ou TV.

Hoje, lemos a notícia em um portal qualquer e com um clique estamos aptos a enviar nossas considerações.

Justamente aí é que está o mal. O cara lê mais ou menos a notícia e sai comentando, vociferando verdades absolutas a torto e a direito.

Quando os comentários eram feitos por carta, o cara tinha que parar, pegar papel, escrever, ler o que escreveu, reler a notícia, buscar alguma referência… Enfim, refletir antes de despejar qualquer bobagem na caixa de comentários.

Neste singelo blog, os comentários são sempre bem vindos, mas você já tentou ler os comentários de sites de notícias? Aposto que ia ter saudades das cartas de papel.

Uma resposta para “Saudades das Cartas de Papel”

  1. Concordo totalmente!
    Além do mais, antigamente, os jornais impressos recebiam uma quantidade de cartas razoável o suficiente para darem alguma atenção ao leitor. Mesmo que fosse responder que “a Folha mantém as informações publicadas”, o que não acontece mais.
    E, se havia uma avalanche de cartas sobre um assunto, seria assunto a merecer um pouco mais de atenção do jornal.
    Hoje, o que temos é um bando de idiotas que escreve sem pensar, descontando suas frustrações pessoais em uma notícia que, muitas vezes, nem tem por que receber tanto lixo nos comentários…

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