Hoje Não
Lembro-me que esta pequena frase era proferida por minha mãe toda vez que algum vendedor tocava a campainha de casa oferecendo qualquer coisa. Desde vassouras, passando por tapetes, panos de prato, enciclopédias, pamonhas, frutas, massas congeladas e produtos de limpeza.
Era simples, a pessoa chamava, minha mãe atendia e o cidadão dizia, “vai (produto oferecido) hoje?” e ela respondia “hoje não”. Como mágica o vendedor, já acostumado a maioria de negativas, partia para a próxima porta livrando-a do incômodo.
Seria bom poder dizer um simples “hoje não” para certas coisas. O despertador, por exemplo, tem dias que ele toca e dá vontade de virar para ele e dizer a pequena frase mágica.
Ou então quando o chefe chama logo de manhã na segunda-feira: “Hoje não, chefe” e ele iria importunar outro funcionário.
Tem dias que a gente não está pra ninguém. Aí tinha que ter algum jeito de escapar.
Hoje não, vai?