Eu não poderia mesmo ficar fora de um assunto destes, mesmo que quisesse evitar. O mundo futebolístico anda em polvorosa e isto se deve a uma única razão: Ronaldo.
Contratado pelo Corinthians em uma jogada magistral de marketing, o maior artilheiro da história das Copas do Mundo voltou a jogar em campos brasileiros, coisa que não fazia por um clube desde que era ainda um adolescente.
Um dos maiores jogadores dos últimos tempos, Ronaldo retorna ao futebol como uma incógnita. Vindo de contusões seríssimas, não realiza uma partida completa há sabe se lá quanto tempo, e jogando bem de verdade, desde a final da copa de 2002.
Mas eis que ele chega ao Corinthians, time de massa, com uma torcida enorme, apaixonada, na maioria das vezes cega e muito suscetível ao famoso pão e circo.
Fez uma estréia modesta, contra o Itumbiara pela Copa do Brasil, e disputou alguns minutos do clássico contra o Palmeiras.
Se no primeiro jogo quase não apareceu, a não ser por ser quem é, no segundo, foi bem e fez algumas jogadas bastante interessantes, meteu um balaço na trave e fez um gol, em uma falha da defesa palmeirense que passou absolutamente despercebida em razão do tento ter sido assinalado pelo Fenômeno. Tivesse o gol sido marcado por Souza, a imprensa esportiva teria comentado como o goleiro saiu mal, como o zagueiro ficou dois passos a frente dele deixando-o livre para o cabeceio e, como gosta de dizer Alberto Helena Jr., “lousa, cousa e maripousa”.
Depois do gol no clássico, empatando a partida já nos acréscimos, uma euforia histórica tomou conta da imprensa e da torcida, (a qual tem pleno direito de fazer isso). Ronaldo agora aparece como um messias para alçar o Corinthians aos píncaros da glória e trucidar adversários como quem esmaga uma formiguinha.
Ninguém discute a história de Ronaldo e seu passado como grande jogador, porém, seu presente é algo que ainda não merece tamanho carnaval. Apesar de ter jogado bem contra o Palmeiras e ter feito o gol salvador, ele continua acima do peso, não sabemos se seus joelhos aguentam uma grande sequência de jogos, e como ele vai se portar diante de zagas mais eficientes do que a frágil defesa palmeirense.
Sim, Ronaldo é um jogador acima da média, mas ainda não podemos dizer que ele vai retomar sua boa forma. A catarse coletiva agora diz Ronaldo, Ronaldo, Ronaldo, mas os corintianos não podem se esquecer que há apenas três anos era Tevez, Tevez, Tevez e todo mundo viu onde a coisa toda foi parar. Um time é composto de onze jogadores. Um craque ajuda, mas nada faz sozinho. Euforia não leva a nada e como se diz por aí, futebol é dentro das quatro linhas.
Menos, menos…