Ainda bem que eu nunca trabalhei no McDonald’s! É uma loucura ver todos aqueles garotos e garotas correndo como loucos atrás do balcão, gritando uns com os outros e sofrendo para atender os pedidos que chegam incessantemente dos inúmeros clientes que adentram as lojas no horário do almoço.
Os pobrezinhos, grande maioria deles em seus primeiros empregos, são obrigados a entregar prontamente o que o freguês pediu. Tal tarefa é facilitada pela padronização dos pedidos em combos, que nós clientes temos que aceitar. Não tem segredo, nº 1, 2, 3, 4 e etc. Sanduíche, batata e refrigerante. Com certeza o garoto do outro lado vai sugerir torta de maçã ou uma casquinha como sobremesa. Se for assim, vai fácil, mas vá você cismar que quer o seu sem cebola… Aí já era. Vai ter que esperar horrores até que alguém consiga interromper a linha de produção e te conseguir um sanduíche sem cebola. Contraditório, uma vez que na teoria seria mais simples fazer o lanche com um ingrediente a menos, mas não é. Qualquer coisa que saia do padrão causa transtornos.
Aí, tem um outro moleque, pouca coisa mais velho que os demais, que usa camisa branca de mangas curtas e gravata vermelha, que fica ali envolta “botando pilha” nos que estão tentando trabalhar. “Vamos”, “olha a fila”, “o cliente está esperando”, “cadê o pedido dele?”. Se esse gerentinho soubesse que grande parte dos clientes preferia esperar seu pedido sem aquela barulheira…
Aí eu fico imaginando como é a cabeça das pobres criaturinhas que ficam lá com suas camisetinhas cinza com listras amarelas e vermelhas, touquinha e boné, correndo de um lado para outro, se trombando e gritando o tempo todo. Acho muita loucura para quem está aprendendo o que é o trabalho. Ninguém merece ser introduzido ao mundo dos trabalhadores desta forma. Um nível de estresse que supera de longe o aceitável, cobranças e pressões desumanas e salários baixíssimos. Não é isso que os jovens devem ter como parâmetro para o mercado de trabalho. O tempo da Revolução Industrial já era. A humanização das condições de trabalho é necessária. O grande “M”, que faz comerciais de TV sensacionais, e sanduíches nem tanto, poderia se esmerar em tratar melhor seus trabalhadores.

