Quem trabalha sempre aguarda ansiosamente a segunda melhor hora do dia, a hora do almoço, (porque a melhor hora do dia é a hora de ir embora e pronto).
Essa hora é fundamental para dar aquela espairecida, dar uma olhada na cara da rua, saber como está o tempo e, fundamentalmente, é a hora de comer.
Alguns levam marmita, outros não têm essa (in)felicidade, então restam os restaurantes espalhados por toda a cidade.
Na maioria das vezes, as pessoas acabam optando pelos famosos “quilões”, porque são rápidos, relativamente baratos e dá pra montar o próprio prato de acordo com a fome e o que te anima no dia. Nem sempre franguinho grelhado emociona.
Mas o mais interessante é o comportamento das pessoas durante o horário de almoço.
Nos restaurantes observamos pessoas dos mais diversos modos. Há aquelas que chegam em grupo, falando alto e travando a fila. Estes normalmente saem da empresa juntos e passam o almoço comentando sobre o próprio trabalho e falando mal do chefe e de colegas ausentes, fazendo piadas sem graça e comentando manchetes da internet.
Outros, mais azarados, acabam indo almoçar com o chefe. Aí, o que era para ser um momento de descontração para quebrar o estresse do dia se torna uma reunião, ou pior, uma entrevista para uma possível promoção. O cara fica lá, calculando cada gesto, cada ato. “Será que pega bem se eu pegar couve-flor? Eu odeio couve-flor… ” Imagine só o cara ser preterido de uma oportunidade porque não come couve-flor ou separa os pedacinhos de cebola da comida!
Tem o casal que se encontra na hora do almoço e que resolve aproveitar a mesinha do restaurante como se estivessem em uma sexta-feira à noite. Ficam lá as bandejinhas com os pratos e talheres sujos e os pombinhos de mãos dadas por cima da mesa ignorando os outros pobres coitados que estão em pé com suas bandejas, com a comida principiando a esfriar, tentando achar um lugar
Há também os solitários. Esses são de dar dó, o cara fica lá sentado com seu prato em uma mesa para dois olhando para o nada enquanto mastiga lentamente. A impressão que dá é que aquela pessoa está extremamente carente, se sentindo tão sozinha e abandonada que sequer tem uma companhia para o almoço. Realmente almoçar sozinho é muito chato. Sem falar que quando a gente está sozinho, come mais rápido e acaba ficando com um tempão para andar a esmo, também sozinho, pela rua. É muito triste…
Mas o pior de tudo nesta história de almoço é termos negado o direito à sesta. Isso é o que faz falta. É uma dureza voltar do almoço direto para posto o trabalho sem a menor trégua. Se a gente parasse uma meia horinha que fosse encostado em algum lugar bem quietinho para dar uma fechada nos olhos, aposto que o rendimento à tarde melhoraria. E o humor também.