O Muro

Posted in Olhares com as tags , , on Novembro 7, 2009 by Kilminster

Hoje soa até meio absurdo, mas a gente abria o livro de geografia e lá estavam elas, duas Alemanhas. A Alemanha Ocidental, poderosa, desenvolvida e moderna e a Alemanha Oriental, desconhecida, austera, sisuda e perigosa.

A capital da Alemanha Oriental, Berlim, tinha cortando-lhe ao meio o símbolo da divisão que ocorria no mundo na época, o famigerado Muro de Berlim. Do lado Ocidental, era todo grafitado, colorido, do lado Oriental, cinza, gigante, opressor. Na verdade opressor para os dois lados. Era o traço mais concreto da “Cortina de Ferro”.

No imaginário ocidental, tudo que vinha do lado de lá do muro tinha uma aura poderosa e rígida. Pensávamos que lá, cada um tinha que saber muito bem o que fazer e como fazer e jamais sair um milímetro que fosse de seu caminho. Parecia que as pessoas de lá nem se divertiam. Estar do lado de lá era como ir para a diretoria da escola.

Morríamos de medo de que eles um dia viessem e nos dominassem. Morríamos de medo de perder nossa vida divertida e trocá-la pela coisa cinza, militarizada e séria demais. Mas eles vinham nas Olimpíadas e ganhavam tudo! Era assustador.

Aí quando todos tínhamos entendido bem o que estava do outro lado do muro e aprendido a teme-los a ponto de desgostar deles, o muro caiu. Foi uma festa na TV, todo mundo ia até lá com um martelinho para dar sua contribuição para o fim daquele monstro histórico.

E eles apareceram. Eram como os outros alemães e estavam muito felizes em poderem passar para o outro lado. Talvez os mais velhos nem tanto, mas a juventude estava encantada com a liberdade, dinheiro e o Mickey Mouse.

Foram realizados shows de rock, foram escritas músicas a respeito, todas exaltando a liberdade conquistada e nós respiramos aliviados de eles terem entrado em nosso mundo e não nós no deles.

Hoje, o que era uma realidade, parece até produto da nossa imaginação. Como assim duas Alemanhas? Alemanha é Alemanha. Em um lapso de tempo tão pequeno, a Alemanha Oriental já parece nunca ter existido.

Ai, Jisuis!!!

Posted in Viagens on Novembro 5, 2009 by Kilminster

- Pior que um cara tocando sax alto na rua, no estilo Kenny G, é alguém parar ao lado e se arriscar nos vocais;

 - Estranho é em Curitiba onde algumas placas te dizem para entrar em um local onde a conversão é proibida;

 - Aí você compra um celular novo e ele vem programado para rejeitar automaticamente todas as chamadas. É você que tem que libera-las;

 - (essa é minha favorita) Nesses dias de calor infernal a gente é obrigado a trabalhar de roupa social;

 - Os trens do metrô com ar condicionado estão instalados na linha de trajeto mais curto e com menor número de usuários;

 - E vendedores de lojas de roupas têm uma dificuldade imensa em aceitar que você só vai levar o que pediu, não importa o quanto eles insistam.

Música de Adestrar Macacos

Posted in Olhares, Sons com as tags , , , , , , on Outubro 29, 2009 by Kilminster

O título deste post foi emprestado da fantástica definição do glorioso Marcelo Nova para as pragas travestidas de música que infestam nosso cancioneiro popular.

O que isto quer dizer? O termo “Música de Adestrar Macacos” utilizado pelo filósofo contemporâneo Nova, refere-se àquelas músicas infelizes onde o cantor comanda as ações do ouvinte.

No início era apenas um convite para que a platéia participasse do show, um chamado para cantar junto um refrão ou bater palmas no ritmo da música, os tradicionais “Everybody Now” e “Clap Your Hands”.

Com o tempo, surgiram outras formas de interação entre músicos/platéia, como os consagrados “Put Your Hands in the Air”, no Brasil o insuportável “Jogue as Mãozinhas pro Alto” e “Jump, Jump”, em terras tupiniquins “Tira o Pé do Chão”.

Mas eis que em um dado momento da história a coisa tomou um rumo inesperado e de uma hora para a outra, as músicas começaram a ditar exatamente o que o cidadão dançante tinha que fazer. O exemplo mais emblemático que eu posso me recordar é do infame “É o Tchan!”, com a sua “Dança da Bundinha”. Recorde comigo, (e fique o resto do dia com essa m… na cabeça), ♫Bota a mão no joelho, dá uma abaixadinha, vai mexendo gostoso balançando a bundinha…♪.

De lá para cá, toda e qualquer canção de apelo, (muito), popular, passou a vir com as instruções de dança impondo a “Ditadura da Coreografia”, ou a “Anti-Dança”, onde os candidatos a pé-de-valsa ficam restritos aos comandos do cantor, ou como interpretou brilhantemente Marcelo Nova, adestrador. Os exemplos são inúmeros, principalmente no mundo do Axé e do Funk.

E o mais preocupante é a aceitação geral desse tipo de coisa. As pessoas passam a se comportar como macaquinhos de circo aguardando o comando do domador. Tristemente se apresenta um quadro em que as pessoas abrem mão de dançar e celebrar freneticamente para se enquadrarem em um padrão geral e seguir a vontade de outrem. É o abandono da própria liberdade em favor da escolha de terceiros.

É diferente das “line dancing” da música country, onde pelo menos você pode escolher a própria coreografia e fazer com os amigos. Até os Menudos eram mais democráticos, lembra? ♪Canta. Dança. Sem parar… Sobe. Desce… COMO QUISER…♫.

Esta facilidade apresentada pelas massas em serem adestradas é preocupante especialmente quando ultrapassa a esfera do entretenimento e começa a se manifestar em outras áreas. Um monte de tontos dançando de acordo com os comandos de um cantor não tem maiores conseqüências, já em outros campos da sociedade…

Fica a reflexão sobre “Música de Adestrar Macacos”. Parece uma bobagem, mas nem tanto.

Perguntinhas à Toa…

Posted in Viagens com as tags , , , , on Outubro 27, 2009 by Kilminster

Quando dizemos “os orientais” estamos nos referindo também aos australianos e neozelandeses?

Falta muito para o Carlos Eugênio Simon se aposentar dos campos de futebol?

Será que todo pedreiro tem essa tendência de se apropriar da obra, agindo como se esta fosse dele?

Por que para ir ao cinema na Av. Paulista tem que ficar fazendo aquela cara de “cabeçãointelectualóidefãdeloshermanos”?

O que o Fábio Jr. quis dizer com De repente você põe. A mão por dentro. E arranca o mal pela raiz. Você sabe como me fazer feliz…”

Hoje Não

Posted in Olhares, Viagens com as tags , on Outubro 20, 2009 by Kilminster

Lembro-me que esta pequena frase era proferida por minha mãe toda vez que algum vendedor tocava a campainha de casa oferecendo qualquer coisa. Desde vassouras, passando por tapetes, panos de prato, enciclopédias, pamonhas, frutas, massas congeladas e produtos de limpeza.

Era simples, a pessoa chamava, minha mãe atendia e o cidadão dizia, “vai (produto oferecido) hoje?” e ela respondia “hoje não”. Como mágica o vendedor, já acostumado a maioria de negativas, partia para a próxima porta livrando-a do incômodo.

Seria bom poder dizer um simples “hoje não” para certas coisas. O despertador, por exemplo, tem dias que ele toca e dá vontade de virar para ele e dizer a pequena frase mágica.

Ou então quando o chefe chama logo de manhã na segunda-feira: “Hoje não, chefe” e ele iria importunar outro funcionário.

Tem dias que a gente não está pra ninguém.  Aí tinha que ter algum jeito de escapar.

Hoje não, vai?

Good Day, Sunshine

Posted in Olhares on Outubro 14, 2009 by Kilminster

É impressionante o efeito que um dia bonito pode ter no humor de uma pessoa.

Às vezes a gente acorda mal humorado, com dor de cabeça, ou dormiu pouco, enfim… mil coisas. Mas aí, botamos a cara na rua e o sol está lá, brilhando em um céu azul com nuvens só para fazer a decoração e uma brisa agradável sopra para não deixar quente demais. Pronto. Parece que foi um remédio para baixo-astral.

Um dia bonito dá vontade de fazer planos. Um chope, um jantar, uma caminhada… Mesmo que nada disso se cumpra no final do dia, só pensar nas possibilidades já é um alento para quem tem um dia duro para encarar no trabalho. É o mundo inteiro do outro lado da janela.

Aí tudo toma outro aspecto. As pessoas mais animadas conversam, ficam mais dispostas a rirem, a se sentirem melhor. Tudo fica mais leve, mais desembaraçado.

Nada como um dia bonito para alegrar a vida.

Everybody Now!!!

Posted in Sons com as tags , , , , , on Outubro 7, 2009 by Kilminster

Ok, ok! Quem não aprecia um bom refrão em suas músicas prediletas? Afinal de contas é a parte mais fácil de decorar e que se repete pela música. Às vezes até de mais, o Aerosmith, por exemplo, há tempos vem tentando fazer uma música só com refrão.

Mas não é qualquer refrão que se torna um “Everybody Now”. Para atingir este nível, o refrão precisa ser absolutamente irresistível, empolgante e explosivo. Um bom “Everybody Now” é aquele no qual você solta a voz onde quer que esteja, seja no carro, no show ou no chuveiro e esvazia os pulmões como se não houvesse amanhã.

Em minha opinião, seguem os melhores “Everybody Now” de todos os tempos: 

- Whisky a GoGo, Roupa Nova: O refrão e os infames “hey, hey, ho, ho” do meio são campeões em qualquer baile de formatura ou casamento;

- Don’t Stop Believin’, Journey: Chega ser emocionante de tão catártico. Emoldurado por um riff marcante e uma bateria genial é o exemplo mais bem acabado de “Rock Arena”. Para cantar de olhos fechados e braços erguidos;

- Todos Estão Surdos, Roberto Carlos: Uma das incríveis incursões do Rei por temas religiosos, está traz aqueles “lá-lá-lás”, (nos quais Robertão é mestre). Propício para a Rede Globo mostrar no especial de fim de ano dar aquele take na platéia com cada um batendo palmas em um ritmo;

- Born To Be My Baby, Bon Jovi: Essa então, tem dois, os “na na nas” do começo e o refrão em si;

- Stay, Oingo Boingo: O melhor dessa e que todo mundo canta o refrão, mas pouquíssimos sabem a letra. Talvez seja o maior “Everybody Now” em grego de todos os tempos;

Olimpíadas Brazucas

Posted in Esportes, Olhares com as tags , , , on Outubro 2, 2009 by Kilminster

E teremos olimpíada no Brasil. No Rio de Janeiro, mais especificamente. Finalmente o sonho se realiza. Teremos os jogos por aqui, a economia será estimulada, o turismo, os desvios de verbas públicas, super faturamentos e mais um montão de coisas tem que acontecer até lá.

Mas o que mais me agrada nessa coisa toda, é a possibilidade que o Brasil terá de sediar esportes no qual nos sobra tradição, pois apesar da ultrajante exclusão da Pelota Basca, foram apresentadas nas últimas olimpíadas em Pequim modalidades sensacionais como:

 

-         Badminton: A popular peteca, mas não deixe nenhum praticante ouvir isso so o risco deles se tornarem lutadores de vale tudo;

-         Beisebol: Disputa restrita entre EUA, Cuba, Japão e Venezuela. De resto, ninguém mais joga isso;

-         Tênis de Mesa: Ora, gente… Pingue-Pongue, vai…

-         Hóquei na Grama: Popularíssimo na Índia, no Paquistão e no… no… na… no… no…

-         Softbol: Igual ao Beisebol, só que no campo pequeno. É tipo Beisebol Soçaite. Interessantíssimo.

 

Uma vez que as modalidades acima são aceitas, deveríamos lutar então pela inclusão de mais modalidades nos jogos para que possamos democratizar o acesso às Olimpíadas:

 

-         Cuspe de caroço de azeitona em distância: para os pinguços participarem;

-         Peteca Aquática: Propício para países tropicais;

-         Arremesso de Amendoim ao Técnico: A ser disputada concomitantemente às partidas de futebol, sendo que cada equipe arremessará os amendoins ao técnico da equipe de futebol correspondente;

-         Basquete de Areia: Nada mais adequado que basquetebol em Copacabana;

-         Vale Tudo por Equipes: a ser disputado imediatamente após as partidas de futebol com os integrantes de torcidas organizadas. Regras: o último a ficar em pé vence;

Sensacional quando…

Posted in Uncategorized com as tags , , , on Setembro 30, 2009 by Kilminster

- Você descobre que o cara sério que senta na sua frente no trabalho é presidente de um grupo de estudos de ufologia e que no site que ele mesmo mantém colocou uma enquete perguntando qual grau de contato você já teve com extraterrestres.

- Por circunstâncias totalmente alheias à sua vontade você se vê obrigado a acordar em uma hora mais adequada a ir deitar.

- Você descobre que o cara que senta do seu outro lado no trabalho fala sozinho. E não só isso, ele fala em um idioma que ele próprio inventou.

Para alegrar o dia.

Posted in Sons, Tem Que Ouvir com as tags , on Setembro 25, 2009 by Kilminster

Dear Prudence

Dear Prudence, won’t you come out to play
Dear Prudence, greet the brand new day
The sun is up, the sky is blue
It’s beautiful and so are you
Dear Prudence won’t you come out to play

Dear Prudence open up your eyes
Dear Prudence see the sunny skies
The wind is low the birds will sing
That you are part of everything
Dear Prudence won’t you open up your eyes?

Look around round round
Look around round round
Oh look around

Dear Prudence let me see you smile
Dear Prudence like a little child
The clouds will be a daisy chain
So let me see you smile again
Dear Prudence won’t you let me see you smile?

Dear Prudence, won’t you come out to play
Dear Prudence, greet the brand new day
The sun is up, the sky is blue
It’s beautiful and so are you
Dear Prudence won’t you come out to play